Lições do Carnaval 2016 em Florianópolis

Dois fatos negativos precisam ser muito avaliados pelas autoridades: a ausência de TV transmitindo os desfiles da Nego Quirido e a invasão de carros tunados na região central da cidade

O reinado da folia foi positivo na cidade, com destaque para eventos como o Berbigão do Boca, o Zé Pereira, o Pop Gay, os desfiles das escolas de samba – cada vez melhores –, o Enterro da Tristeza, o Vento Encanado, o Sou + Eu e o Pauta que o Pariu, além das performances de blocos menores e das festas nas comunidades, em especial Santo Antônio de Lisboa e Campeche. O lado negativo ficou por conta de dois fatos lamentáveis: a falta de transmissão televisiva dos desfiles na Nego Quirido e a invasão, cada vez pior, dos carros tunados que impõem música eletrônica às concentrações de foliões, afastando as bandas e baterias mais tradicionais do Carnaval. Esses dois fatos precisam ser vistos e revistos pelo poder público – prefeitura, Ministério Público e segurança pública – para o período momesco de 2017. A TV tem que transmitir a evolução das escolas nos dias de desfiles e os carros tunados devem que ficar bem longe das vias principais da cidade. Por que não liberar áreas desertas, afastadas da civilização, para que esses malas da música eletrônica possam se “divertir”, sem incomodar os outros? Para que isso ocorra, no entanto, é preciso que a prefeitura organize a região central de Florianópolis durante os cinco dias de folia, inclusive impedindo o acesso dessas infernais máquinas sonoras.

Metendo a faca

Acredite: já tem café em shopping vendendo uma prosaica garrafa de 500 ml de água mineral por R$ 5. Mais cara do que a cerveja vendida no Carnaval do Centro: R$ 4. Aliás, a modesta combinação de um cafezinho com pão de queijo já bateu no patamar dos R$ 8 em alguns desses cafés. E não tem nada a ver com a crise: um pacote de 500g de café em qualquer supermercado não custa mais do que R$ 9. Dá para algumas dezenas de cafezinhos.

Multas justas

Motoristas sem noção e sem educação que têm o costume de ultrapassar os outros pelo acostamento das rodovias, agora pagam R$ 957,70 quando flagrados. A multa anterior era irrisória diante da estupidez: R$ 191,54. A medida já está valendo, depois que o Senado alterou o artigo 202 do Código de Trânsito Brasileiro. Outro artigo alterado é o 191, que penaliza o condutor que faz ultrapassagem perigosa com uma multa de R$ 1.915,40. Quem sabe os cretinos que abundam no trânsito desta vez aprendem.

Raio-x da corrupção

Pesquisa do Data Popular, divulgada pela colunista Sonia Racy (O Estado de S. Paulo) indica que pelos menos 70% dos entrevistados já adotaram ao menos uma “atitude corrupta” durante suas vidas, de comprar produtos piratas a não devolver o troco errado ou subornar uma autoridade. Renato Meirelles, coordenador da pesquisa, afirmou à colunista que a maioria se acha isenta “nas pequenas corrupções de que se beneficia e critica as grandes, nas quais se acha lesada”.

Non sense

Se há algo que nos deixa estupefatos, em relação ao futebol, é essa maluca proibição de radinhos de pilha nos estádios. Não há nada que justifique uma medida tão raivosa. Radinho de pilha e futebol são dois elementos essenciais da nossa cultura. A Acaert (Associação Catarinense das Emissoras de Rádio e Televisão) protestou contra a estupidez, com toda razão. E há emissoras já acionando o departamento jurídico para derrubar essa decisão.

Distrações…

Mais histórias envolvendo argentinos e seus esquecimentos. Parece piada de internet, mas está no portal Alegrete Tudo, do Rio Grande do Sul: “Argentino esquece o próprio carro em posto de gasolina e vai embora em excursão”. O homem se distraiu conversando com compatriotas que viajavam na excursão e, sem se dar conta do equívoco, acabou embarcando no ônibus.

… ao volante

Isso nem é privilégio dos hermanos. Outro dia, amiga do colunista marcou encontro com um grupo de conhecidas e foi para um shopping de Florianópolis, onde almoçaram e depois tomaram café. À saída, pediu uma carona e, horas depois, já refestelada no sofá de sua casa, percebeu que havia esquecido alguma coisa. Fato: o carro no estacionamento do shopping.

Lote pra carpir

O tabu da nudez em praias ou festas é um absurdo imenso, ainda mais quando certas emissoras de TVs se cansam de exibir cenas calientes em suas telenovelas ou minisséries. A garota que apareceu seminua na feijoada de sábado, na Lagoa, foi escorraçada nas redes sociais, assim como o promotor do evento. Por que tanto inconformismo em relação a uma performance artística numa festa fechada? Inveja, despeito, ressentimento?

Realidade nacional

“Brasil, naturalmente belo, culturalmente corrupto”. Paulo Lapa Filho, no Twitter (‏@lapafilho)

Divulgação Cleber Valério/ND

Dança com Rouanet

Em 15 anos de história, esta é a primeira vez que a Mostra de Danças de Salão de Florianópolis – Baila Floripa obtém autorização do Ministério da Cultura para captar recursos por meio da Lei Rouanet. O projeto elaborado pela Associação Catarinense de Dança de Salão, por meio de Neville Fusco e Clarisse Pereira Nunes, foi aprovado sem contestação alguma e pode ser beneficiado com até R$ 257 mil. O evento ocorrerá de 21 a 24 de abril, com programação em diferentes espaços da cidade. Na foto, Lívia Veras e Marcelo Leal, atração da Capital no Baila Floripa do ano passado.

Divulgação Sérgio Vignes/ND

Até 2017

Em registro especial do fotojornalista Sérgio Vignes para a coluna, nossa corte – dos jornalistas – dando um até breve à folia, após mais uma edição do Pauta que o Pariu, tradicional reunião carnavalesca da Escadaria do Rosário. Na imagem, a segunda princesa, Ellen Sezerino; a rainha que deixou a coroa, Simone Sartori; a rainha eleita – que governará o bloco até 2017 -, Yasmine Holanda; e a primeira princesa, Cláudia De Conto. Ao fundo, o irrequieto imperador Áureo Moraes.

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