Terrenos públicos abandonados podem ser possíveis focos do mosquito da dengue

Área do lado de creche no bairro da Costeira causa apreensão entre moradores

Eduardo Valente/ND

Terreno que fica ao lado de creche é da União: entulhos e água parada

Há quase duas semanas, o corretor de imóveis Sidnei Vieira vive preocupado com a saúde de sua filha de três anos e das demais crianças da creche municipal NEI Costeira. É que ao lado da escolinha um terreno baldio acumula lixo, muita água parada e pneus. O receio é de que o terreno na Costeira seja foco do mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zika, o Aedes aegypti.

Um novo boletim divulgado pela Vigilância Epidemológica mostra que desde o início do ano até o último dia 27 foram notificados 3.212 casos suspeitos de dengue no Estado. Desses, 764 foram confirmados pelo critério laboratorial, e 1.275, descartados. Já 1.173 estão em investigação pelos municípios. Se comparado com o mesmo período do ano passado, o número de casos notificados de dengue teve um aumento de 28%.

Para o morador do bairro Carianos, é preciso que o poder público cuide dos terrenos que estão sob sua responsabilidade para colaborar com a sociedade. “Cobram dos moradores, mas o poder público não faz o dever de casa. Tenho medo de que o mosquito se prolifere. Temos uma creche aqui e me preocupo com a possível proliferação do mosquito. O caso já foi denunciado à Vigilância Sanitária, mas o problema persiste”, lamenta Sidnei.

O terreno, de acordo com a gerente de controle de zoonoses de Florianópolis, Priscilla dos Santos, é de propriedade da União – que já foi notificada do problema. Fiscais estiveram no local, mas o lixo volta a ser despejado na área. “Fizemos a coleta da larva, foi recolhido e descartado o lixo, e a Superintendência da União está ciente, mas é uma área que apresenta muita dificuldade. As pessoas voltam a colocar entulhos no local”, lamenta.

O Brasil já registra 83,2 casos de dengue a cada 100 mil habitantes. A OMS (Organização Mundial de Saúde) considera que há epidemia quando esse índice ultrapassa 300 casos a cada 100 mil habitantes. Ao todo, 19 Estados tiveram aumento na incidência de casos prováveis de dengue no início de 2016 em comparação ao boletim anterior.

Eduardo Valente/ND

Sidnei Vieira: “Cobram dos moradores, mas o poder público não faz o dever de casa”


População pode fazer denúncia

De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, é dever do município cuidar dos terrenos e órgãos públicos quanto aos locais com perigo de dengue. “Recebemos a denúncia, fazemos a vistoria, vimos se existem criadouros para fazer a coleta e encaminhamos ao responsável”, salienta Priscilla. Delegacias com sua frota de veículos também são locais que recebem a visitas dos fiscais para o controle do mosquito Aedes aegypti, mas isso ocorre conforme a demanda.

Segundo o MP-SC (Ministério Público estadual), a população deve colaborar com o combate aos focos e pode acionar o órgão quando suspeitar da ineficiência ou omissão do poder público no combate ao mosquito. “É obrigação do poder público garantir o direito à saúde, por isso o MP-SC também tem seu papel no combate ao mosquito.

Assim, nas hipóteses em que o município não adota as medidas necessárias para eliminar os criadouros e evitar a reprodução e proliferação do mosquito, a exemplo do não atendimento da denúncia apresentada pelo cidadão quanto ao local com possível foco no mosquito, devemos ser acionados pela população”, explica a promotora de Justiça Caroline Cabral Zonta.

O Centro de Controle de Zoonoses de Florianópolis informa que iniciou o segundo ciclo de visitação aos imóveis. “Foram mais de 41 mil visitas no primeiro ciclo, e agora retornamos a esses locais para reforçar as orientações e pedir que continuem monitorando”, informa Priscilla.

Participe do grupo e receba as principais notícias
da Grande Florianópolis na palma da sua mão.

Entre no grupo Ao entrar você está ciente e de acordo com os
termos de uso e privacidade do WhatsApp.
+

Notícias

Loading...