Mãe de alunas faz campanha para que escola não eleja diretor homossexual, em Gaspar

Atualizado

O professor Lodemar Schmitt, de 45 anos, foi alvo de ataques por concorrer às eleições para novo diretor da escola Municipal Professora Dolores Krauss, em Gaspar. O motivo: a orientação sexual do educador.

Apesar de campanha contrária, escola não suspendeu eleição marcada para esta sexta-feira – Foto: Redes Sociais

A mãe de duas alunas do 5º ano enviou, nessa quarta-feira (20), áudios e texto em um grupo que reúne pais de estudantes. Neles, disse que Lodemar é afetado (por usar vestes femininas) e que o ideal seria que ele atuasse em uma universidade ou escola secundária.

“Eu só não queria que as crianças tão precocemente tivessem contato com esse tipo de pessoa. Tem criancinha ali de seis anos, vão pensar o que: é professor ou professora?”, disparou a mulher em um dois áudios.

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Além disso, ela afirmou ter se reunido com a direção para evitar a indicação de Lodemar, mas sem sucesso. Por isso, pediu que outros pais fossem contrários ao professor na votação, marcada para esta sexta-feira (22).

Ela apagou o conteúdo momentos após o envio, mas já era tarde. O material chegou ao conhecimento do professor, de profissionais da escola, e ganhou repercussão nas redes sociais.

O docente conta que diversas entidades manifestaram apoio a ele, como o Sinte-SC (Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Santa Catarina), que divulgou uma nota sobre o assunto (leia abaixo).

Luta contra o preconceito

Com mais de 25 anos de profissão, o professor de matemática e física revela que já passou por diversos episódios de preconceito, mas nunca algo tão evidente como o ocorrido nesta semana.

Lodemar entrou em contato com uma advogada, que pediu que a mãe das alunas se retratasse em público. Na manhã desta sexta-feira, a mulher se pronunciou em seu perfil em redes sociais.

“Me expressei de forma errada e estou muito envergonhada e arrependida de falar tudo que falei, quem me conhece sabe que não sou preconceituosa, até porque tenho vários amigos gays”, escreveu em um dos textos.

Processo como alerta

O professor diz que tentou resolver o caso internamente, mas que, com a proporção que a história tomou, decidiu entrar em contato com a advogada como forma de lição a outras pessoas. Ele não descarta a possibilidade de entrar com uma ação judicial contra a mulher.

“Não gostar é uma coisa, fazer campanha para destruir uma pessoa é outra. Sei que não vou acabar com o preconceito, mas pelo menos que sirva para inibir. Que sirva de exemplo para as pessoas pensarem duas vezes antes de fazer algo”, desabafou.

Agora, Lodemar espera que a atitude da mãe não o prejudique na eleição, já que ele precisa de pouco mais da metade dos votos dos alunos, pais e professores para se tornar diretor. O resultado será divulgado na noite desta sexta-feira.

A reportagem tentou contato com a mulher, mas não teve sucesso.

Nota do Sinte-SC

O SINTE-SC, através da secretária de Gênero e Direitos Humanos Anna Julia Rodrigues e do Coordenador do Coletivo Estadual LGBTI Fazendo a Diferença, Sandro Luiz Cifuentes, repudia veemente a campanha homofóbica que vem sendo feita.

O professor Lodemar foi da coordenação municipal do SINTE de Gaspar, atualmente é um dos Conselheiros Estaduais eleitos da entidade. Tem a vida dedicada a docência, a educação e a luta pelos direitos humanos e dos trabalhadores, não tendo qualquer comprometimento em sua carreira ou vida pessoal, que o desabone enquanto profissional e pessoa.

O SINTE-SC lembra a esta mãe, e aos demais pais ou responsáveis que seguem nessa campanha de ódio, que desde 13 de junho de 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) considera que a homofobia é crime, equiparando as penas por ofensas a homossexuais e a transexuais às previstas na lei contra o racismo.

O Ministro Fachin disse em seu voto que “Nenhuma instituição pode deixar de cumprir integralmente a Constituição, que não autoriza tolerar o sofrimento que a discriminação impõe”.

Vamos fazer a denúncia em todas as esferas e órgãos de direitos humanos. É inaceitável dentro das escolas, no âmbito da educação, as práticas da intolerância, do preconceito e do ódio, estas que todos os dias matam LGBTIs através da violência, depressão e suicídio.

O SINTE-SC se solidariza com o Professor Lodemar e reafirma que vai continuar na luta contra qualquer tipo de preconceito contra os(as) trabalhadores(as) em educação, tanto nos municípios, quanto no Estado. Basta de LGBTIFOBIA!

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