Magali Rosa coleta, trata e usa água da chuva no dia a dia da casa, num exercício de economia

Convicta de que a água é uma riqueza que cai do céu, ela acredita que está fazendo sua parte pelo bem do planeta e do próprio bolso

Rogério Souza Jr./ND

Magali Terezinha Rosa mostra a água da chuva, que ela trata em uma caixa de água em casa e usa para limpeza e lavação de roupas

Quem disse que riqueza não cai do céu? Às vezes cai, sim, e a gente deixa escorrer pelo ralo. Mas este, definitivamente, não é o caso da dona de casa Magali Terezinha Rosa, 48 anos. Há cerca de 15 anos ela coleta, trata e usa a água da chuva no dia a dia. Usa na limpeza geral, para regar o jardim e até para lavar roupas – só não usa para consumo humano, como beber ou fazer comida. Com isso, embora em sua casa morem de seis a oito pessoas, ela não chega a gastar os dez metros cúbicos, que é a taxa mínima mensal de fornecimento cobrada pela Companhia Águas de Joinville, empresa responsável pelo tratamento e distribuição de água na cidade. “Pago a taxa, mas não gasto isso. O consumo aqui varia de quatro a oito metros cúbicos mensais”, constata.

A ideia de coletar a água da chuva surgiu da observação da quantidade que ia parar nos drenos a cada chuva. Nascida em uma família de produtores rurais, onde o aproveitamento de todos os recursos era rotina, ela se inquietava ao ver toda aquela água jogada fora. Resolveu, então, colocar um tonel de 25 litros na saída da calha e constatou que bastavam poucos minutos de chuva para que ele transbordasse. E usava a água para lavar o chão ou molhar as plantas.

Como não falta chuva em Joinville, logo percebeu a economia que a medida gerava. E resolveu melhorar o sistema de coleta. “Devagarinho, fui aprimorando a ideia”, conta Magali, que buscou informações na antiga Casan, em livros, palestras, programas de TV e com pessoas que tinham piscina em casa. Sempre com o objetivo de evitar o desperdício.

Depois do tonel, usado por cerca de dois anos, instalou uma caixa d´água de 2.000 litros na saída da calha, que tem 15 metros de extensão e capta o que cai no telhado. Magali ressalta que a água da chuva é limpa, mas a calha e o telhado, não. Então, era preciso pensar em um sistema de tratamento. O jeito foi desenvolver seu próprio método. Uma peneira de cozinha (destas usadas para escorrer os legumes) foi colocada na entrada da caixa d’água para reter os resíduos maiores. “Deixo a água repousar por uns dois dias. Depois, abro a tampa e dou um giro na água”, explica. Este “giro” é feito com uma vassoura limpa e faz a água circular. Com isso, a sujeira vai para o fundo. Magali, então, aspira os resíduos com a ajuda de um “aspirador” – nada mais que um cano de PVC acoplado em uma mangueira larga, que serve como sifão e suga as impurezas. Por fim, coloca uma pedra de cloro. Todo o processo não leva dez minutos e é feito no máximo duas vezes por semana, dependendo da quantidade de chuva. “O mais importante é não deixar água parada”, ensina.

A princípio, ela colocou uma torneira na saída da caixa d’água e usava baldes e regadores. Com o tempo, foi aperfeiçoando o sistema. Instalou uma caixa de água na laje e uma bomba com motor para mandar a água para cima. A esta caixa foi conectada a torneira do tanque. “Esta água dá pressão e eu posso usar a mangueira”, mostra Magali, que não para de procurar novas possibilidades de captação, tratamento e aproveitamento de água. “Já fiz o teste: se você colocar uma folha de telha de amianto no muro, recolhe litros e litros de água”. Para encher a caixa de 2.000 litros, 30 minutos de chuva moderada são mais que suficientes.

Com isso, o desabastecimento é preocupação que não existe para a dona de casa. Em fevereiro, durante a seca e calorão que atingiu a cidade, seus reservatórios estavam cheios e havia água até para molhar o jardim. “Economizei também, mas não faltou água para o jardim, a limpeza e a roupa. Nunca falta.”

Magali também passou a usar o óleo de cozinha descartado por ela e vizinhos para produzir sabão

Sabão artesanal

Reutilizar e reaproveitar são realmente verbos de ação na casa de Magali. Além da coleta e tratamento da água da chuva, ela também produz sabão artesanal com óleo usado em casa e na vizinhança, dando sua contribuição para evitar que este óleo vá parar nos rios, além de produzir todo o sabão que consome na família. “Com água e sabão, você faz uma boa limpeza, tem uma casa limpa”, resume.

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