“Maior número de indícios” pesa contra delegado federal preso na Chabu, diz documento

Atualizado

O delegado federal Fernando Amaro de Moraes Caieron, alvo de prisão temporária durante a Operação Chabu, deflagrada pela Polícia Federal nessa terça-feira (18), “é o investigado contra quem pesa o maior número de indícios quanto à prática reiterada de condutas criminosas”, aponta o despacho do desembargador Leandro Paulsen.

Fernando Amaro de Moraes Caieron, delegado da Polícia Federal detido durante Operação Chabu – Divulgação/ND

No relatório da Divisão de Contrainteligência da Diretoria de Inteligência Policial da PF que embasou sua decisão, há registros fotográficos de Cairon, José Augusto Alves e uma terceira pessoa não identificada juntos, “justamente no dia em que as informações sigilosas a respeito de investigação” envolvendo uma empresa que presta serviços terceirizados à Assembleia Legislativa vazaram e foram “levados ao conhecimento de parlamentares”.

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Além de ser acusado de envolvimento no alegado esquema de vazamentos de informações da PF, Cairon também é investigado por suspeita de ter coagido sócios da empresa Nexxera, alvo de busca e apreensão no âmbito da Operação Chabu nessa terça.

De acordo com notícia-crime encaminhada à PF por dois sócios do grupo de tecnologia, o delegado os teria coagido a deixar o empreendimento.

Em outro ponto do despacho, é mencionado relatório que mostra a transcrição de uma série de diálogos travados entre o delegado Caieron, José Augusto Alves e o delegado aposentado Hélio Santanna, “em que os investigados discutem estratégias para que a apuração dos fatos relacionados à empresa Nexxera não avance”.

“Tática para intimidar”

Em outro trecho do despacho, o desembargador relata a relação entre Caieron e os sócios do Grupo Nexxera:

“Os elementos de convicção até aqui apresentados revelam e apontam para possíveis condutas ilícitas dotadas de grande gravidade. A tese apresentada pela autoridade policial, e que encontra sólida verossimilhança nas provas acima retratadas, é a de que Edson Silva e Edenir Silva se utilizaram dos ‘serviços’ de delegados de Polícia Federal como táticas para intimidar empregados e sócios, ameaçar testemunhas e obter possíveis vantagens ilegais junto a Administração Pública”.

Grupo Nexxera, em Florianópolis, foi alvo de busca e apreensão – Divulgação/Grupo Nexxera/ND

Em outra ação considerada suspeita, os policiais federais transcrevem uma mensagem de voz enviada pelo delegado da corporação ao delegado aposentado Hélio Santanna, oportunidade em que ambos, de acordo com o desembargador federal, “estão discutindo o valor a ser cobrado do ‘contratante’ de seus serviços, uma vez que na última oportunidade teriam exigido pagamento na ordem de R$ 30 mil”.

O delegado também é acusado de integrar uma “parceria comercial ilícita” com o empresário Agnaldo Peres Neto, sócio da empresa Meridiam Import & Export, de Itajaí.

O que diz a empresa Nexxera: ” a busca e apreensão ocorrida na sede na Nexxera, em 18 de junho de 2019, trata-se de mera interpretação equivocada dos fatos. Não houve qualquer tipo de coação a nenhum funcionário da Nexxera e muito menos a utilização de policiais federais para tanto. De fato, houve uma investigação interna dentro da empresa, conduzida de forma lícita, sendo todos os atos devidamente documentados”.

“Após tal investigação, as suspeitas foram comprovadas e restou identificado que um ex-sócio, bem como parceiros do Grupo, vinham buscando captar clientes do Grupo de forma ilícita, bem como utilizando de todo o conhecimento obtido na empresa. Tanto é que foram instaurados três inquéritos policiais contra tais pessoas, bem como protocoladas duas queixas-crime. Desta forma, a Nexxera e seus sócios, mantendo a transparência inerente à empresa e seus negócios, se colocam à disposição da justiça para a elucidação dos fatos”.

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