Mato alto, goteiras e pichações causam má impressão no campus da UFSC

Prédio do Centro de Desportos cercado pelo mato. Foto Flávio Tin/ND 

Os alunos da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) retornaram às aulas no último dia 11 de março e se depararam com situações que revelam a dificuldade de manutenção do campus localizado no bairro Trindade. Mato alto, lixo acumulado, goteiras provenientes de aparelhos de ar condicionado, pichações, entre outros problemas que já são considerados crônicos pela comunidade acadêmica, já se integraram a rotina dos universitários.

Tanto que muito dos problemas são encarados com normalidade pelos acadêmicos, acostumados com as dificuldades enfrentadas pela UFSC nos últimos anos. “Não sei se é falta de zelo ou falta de dinheiro mesmo”, explica o estudante de Engenharia Eletrônica, Thiago Motta. O mato alto em frente a alguns blocos é o problema mais percebido pelos estudantes no retorno às aulas.  “Mas estão cortando”, adverte o estudante de Engenharia Mecânica, Mateus Carvalho.

O Centro de Desportos é o exemplo mais forte desse cenário. Localizado ao lado de um terreno que será utilizado na duplicação da rua deputado Antonio Edu Vieira, o bloco está cercado pela vegetação. O mato também cresceu em volta do prédio de Engenharia de Produção e Sistemas e do Centro de Convivência do Centro Tecnológico e de alguns dos vários pontos de estacionamentos do campus.

Jair de Oliveira Pedroso jogando na quadra de saibro sem manutenção. Foto Flávio Tin/ND

Revitalizado em junho de 2018, o Complexo Esportivo do Centro de Desportos também sofre com a falta de manutenção, principalmente nas quadras de saibro, utilizados para a prática de tênis. As redes estão danificadas e o piso, duro, já não tem as mesmas características do saibro. “Está bem abandonado, faz um tempo que não tem manutenção”, atesta Jair de Oliveira Pedroso Júnior, que utilizou a quadra na tarde de terça-feira, apesar das condições ruins.

Pichações fazem parte do cenário acadêmico. Foto Flavio Tin/ND

Os aparelhos de ar condicionado espalhados por todos os blocos da UFSC também provocam desconforto no campus. Em frente ao prédio do CCE (Centro de Comunicação e Expressão), a água produzida pelos aparelhos de ar condicionados escorre pela laje e poças são formadas no passeio de petit pavê que integra a Praça da Cidadania, projeto do paisagista Burle Marx. Outros pontos do passeio também estão danificados, sem pedras e com acúmulo de barro.

Mesa quebrada em frente ao prédio de Informática e Estatística. Foto: Flavio Tin/ND

Com mais de 20 anos, os totens de identificação visual dos blocos também estão deteriorados. Alguns estão quebrados ou com informações apagadas. Nos estacionamentos, o mato dos canteiros e o acúmulo de restos de vegetação causam uma impressão de abandono. “Está feia a coisa, parece tudo largado”, relata José Carlos dos Santos, dentro do carro, enquanto aguardava um familiar no estacionamento.

Restos de obra no estacionamento. Foto: Flávio Tin/ND – manutenção, ufsc_ foto Flavio tin – 6004

Prioridades diante do orçamento reduzido

Os problemas de manutenção do campus estão diretamente relacionados com a redução do orçamento anual da UFSC. De acordo com o secretário de Obras e Manutenção Ambiental, Paulo Roberto Pinto da Luz, diante do quadro, a prioridade tem sido manter as salas de aula e os laboratórios de ensino em condições de uso pelos alunos.

Luz ainda relata que a UFSC tem investido na recuperação de calçadas e na instalação de postes de iluminação com lâmpadas de LED. O secretário também destaca que alguns prédios têm mais de 20 anos e foram construídos sem prever a instalação de aparelhos de ar condicionado. “Então, também temos esses gargalos na manutenção elétrica”, acrescenta.  Sobre os aparelhos de ar condicionado, Luz informa que uma nova licitação será realizada porque a empresa responsável pela manutenção “não está dando conta”.

Placas quebradas no estacionamento. Foto: Flavio Tin/ND

Responsável pela jardinagem do campus, a prefeitura da UFSC reconhece que o mato ainda está alto em alguns locais, como no entorno do Centro de Desportos.  De acordo com a prefeita universitária Sueli Soares de Morais, o problema é registrado todos os anos porque a vegetação cresce rapidamente no verão e as chuvas frequentes também dificultam o corte. “O trabalho é terceirizado e é normal não dar conta de manter tudo limpo. Em janeiro acho que tivemos apenas 10 dias para trabalhar”, completa.

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