Médico que curou empresário joinvilense com coronavírus fala sobre o tratamento

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O médico Roberto Zeballos, que tratou e curou o empresário joinvilense Alexandre Fernandes, infectado pela COVID-19, contou como foi o tratamento e deixou um alerta.

Zeballos é clínico geral, doutor em imunologia, microbiologia e virologia e atende em São Paulo, onde Alexandre permaneceu internado até a recuperação total.

Para Zeballos, referência em imunologia, quanto mais cedo se trata a infecção, mais cedo se previne a necessidade de intubação – Foto: Reprodução Youtube/Divulgação ND

Em entrevista por telefone à reportagem do nd+, Zeballos destacou que um estudo recente chinês mostrou que esteroides associados à claritromicina têm reduzido a mortalidade de pacientes com coronavírus.

O estudo foi trazido à tona pelo cientista brasileiro Marcelo Amato, um dos principais pneumologista do País. Amato, que é professor e médico assistente da Pneumologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, compartilhou a descoberta com Roberto Zeballos.

No caso do empresário joinvilense, que estava próximo de necessitar de intubação, e com a atividade pulmonar bem comprometida, Zeballos passou a introduzir esse tratamento – esteroides associados à claritromicina.

“Em uma semana, Alexandre estava indo para casa”, atesta o imunologista. O quadro clínico foi evoluindo diariamente, até não precisar mais de oxigênio e deixar a UTI.

O empresário ficou no quarto mais três dias até ficar com o vírus negativado, evitando, assim, qualquer possibilidade de transmissão da doença. Hoje, Alexandre está totalmente recuperado com sua capacidade pulmonar 100%.

“A nossa medicina está olhando para o vírus, mas o que tem matado é a inflamação pulmonar. Por isso, precisamos focar no controle à infecção e deixar o sistema imunológico eliminar o vírus”, reforça Roberto Zeballos.
Para o imunologista, quanto mais cedo se trata a infecção, mais cedo se previne a necessidade de intubação em UTIs.

Os esteroides, continua Zeballos, têm ação anti-inflamatória que inibem substâncias que causam o dano pulmonar. “Então, enquanto o esteroide controla a infecção, o sistema imunológico se livra do vírus.”

O imunologista destacou que Alexandre foi o primeiro caso no Brasil a receber esse tratamento.

Estudo

Zeballos, inclusive, está trabalhando em um estudo que irá publicar no Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) para que as autoridades de saúde do País tomem conhecimento sobre esse tratamento de sucesso e passem a adotar medidas para reduzir o índice de mortalidade.

A pesquisa começou com os chineses, que perceberam que o uso de esteroides previnem e controlam a inflamação pulmonar no estágio inicial.

O especialista lembra, no entanto, que 85% das pessoas infectadas com o novo coronavírus não precisam nem devem chegar perto de um hospital. Destes 85%, 30% nem sintomas apresentam.

E dos 15% restantes, 10% precisam de hospital, mas apenas 5% apresentam sintomas críticos e requerem cuidados específicos, como ventilação. Por isso, a importância de buscar os canais corretos de saúde e cada um fazer sua parte no combate à disseminação da pandemia, encerra Zeballos.

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