Medidas de distanciamento devem dificultar temporada da pesca da tainha

Regramentos como o afastamento de dois metros entre as pessoas, poderão trazer grandes dificuldades para os pescadores na hora de puxar a rede

Começou oficialmente nesta sexta-feira (1º) a temporada de pesca da tainha em Florianópolis e em todo o estado de Santa Catarina. A “novidade” – se é que pode ser assim denominada – fica por conta das restrições impostas em meio ao combate ao novo coronavírus.

A pesca da tainha, no Novo Campeche, Florianópolis – Foto: Anderson Coelho/NDA pesca da tainha, no Novo Campeche, Florianópolis – Foto: Anderson Coelho/ND

É uma das atividades mais tradicionais de Santa Catarina mas, como tudo na sociedade em tempos pandêmicos, precisará se adaptar a algumas regras de convivência.

O Governo do Estado de Santa Catarina publicou, na última quinta (30), uma portaria detalhando as ações que devem ser tomadas pelos pescadores. Álcool gel e máscaras são obrigatórios para todos os envolvidos, e além disso, a distância de 2 metros deve ser respeitada entre as pessoas que puxam a rede.

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No rancho de pesca, somente será permitida a permanência da equipe mínima envolvida no lançamento da rede (patrão, remeiros, chumbeiro e a pessoa que fica na praia com a ponta do cabo).

O restante do grupo deverá aguardar o chamado em abrigos temporários, ao longo da praia ou nas suas casas, com uso de avisos sonoros, chamadas através de Whatsapp ou rádio. Pessoas que estão no grupo de risco da Covid-19 devem ser evitadas nas atividades que envolvem o arrasto de praia da tainha.

Para Cláudio Moacir Martins, de 46 anos e que pesca há 35, essas exigências são “complicadas” para adequar às circunstâncias.

“É meio complicado, fica mais difícil pois a pesca da tainha requer bastante gente para puxar uma rede. Dependendo da quantia de pessoas por arrasto, não  será suficiente para puxar a rede”, explicou o pescador que é morador do bairro da Costeira.

Cláudio ainda lembra que além da população de peixe na rede, tem ainda as condições climáticas e da força do mar que, dependendo, fica inviável “subir” a rede.

Outra lembrança trazida pelo profissional diz respeito a população que também precisa respeitar nesse momento.

“É difícil imaginar pois será perigoso no meio dessa doença, as pessoas precisam respeitar e também precisamos que alguém fiscalize”, acrescentou.

As determinações da portaria do Governo do Estado estão valendo em Florianópolis, mas uma novo decreto municipal pode sair nos próximos dias com algumas adequações para a atividade na capital catarinense.

Pesca da Tainha

O primeiro dia, conforme relatos dos pescadores, serve mais para “reencontrar” com a comunidade e acertar detalhes da atividade. A pesca, em si, ainda não começou efetivamente uma vez que a tainha ainda não chegou na região da capital.

Pesca da Tainha, em Florianópolis. Foto: Anderson Coelho/arquivo NDPesca da Tainha, em Florianópolis. Foto: Anderson Coelho/arquivo ND

Estima-se que até o dia 15 os lanços cheguem no Estado pois dependem do vento Sul e do frio. Para Cláudio, essa amostra inicial das baixas temperaturas, é um bom indicativo para a safra que, segundo ele, tem tudo para ser melhor que o ano passado.

São três modalidades de pesca: artesanal (não motorizada), que vai até o dia 31 de dezembro, a de emalhe anilhado (e barcos motorizados artesanais), que inicia no dia 15 de maio e vai até o dia 31 de julho, e a de cerco/treineiras, que inicia no dia 1º de junho e também termina em 31 de julho.

A expectativa é de superar os números do ano passado. Em 2019, as condições climáticas não contribuíram, e o pouco frio significou menos tainha nas redes dos pescadores. Para 2020, a expectativa é um pouco melhor, com um inverno mais frio.

Regularização de ranchos online

Neste ano, para evitar aglomerações e restringir atendimentos presenciais, a prefeitura realizou a regularização dos ranchos de pesca de maneira online, através do pmf.sc.gov.br. Antes, o procedimento era realizado presencial no Pró-Cidadão.

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