Memória de Florianópolis: Bocaiúva, a rua da Praia de Fora

Da esquina com a Avenida Mauro Ramos à Praça Esteves Júnior, via urbana conserva detalhes históricos interessantes, entre os quais um incrível mural de Hassis, pintado em três módulos

Carlos Damião

Um dos módulos de mural de Hassis pintado num muro da Bocaiúva
Carlos Damião

Trecho muito arborizado, graças a patrimônios tombados (à direita, a Casa do Barão)

O Centro Histórico de Florianópolis é definido classicamente como sendo a concentração urbana que deu origem à cidade, em torno da casa de governo (Palácio Cruz e Sousa), igreja matriz (catedral), Casa de Câmara e Cadeia (Palácio Dias Velho), entre outros equipamentos que se agruparam ao longo do tempo na região da Praça 15 de Novembro.

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Mas, pensando bem, a extensão do Centro para outras partes do miolo da Ilha de Santa Catarina, criou outros nichos históricos ao longo do tempo, como a Praça Getúlio Vargas (parte do antigo bairro do Mato Grosso), a região da Ponte Hercílio Luz e do Forte Santana (antigo bairro do Estreito insular), os altos da Avenida Rio Branco (tanto na parte Leste quanto na Oeste), a Rua Bocaiúva, para citar alguns.

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A Rua Bocaiúva é um caso singular. Está, em termos gerais, na linha paralela à antiga Praia de Fora, hoje conhecida como Praia da Beira-Mar Norte, afastada pelos dois aterros realizados respectivamente nos anos 1960 e 1970. Era uma via distante do Centro, de início acessível apenas pela Rua do Passeio, atual Esteves Júnior, depois pela Avenida Mauro Ramos, cujo nome homenageia o irmão de Nereu Ramos que foi cinco vezes prefeito de Florianópolis e realizou a obra na década de 1930.

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Antiga Rua da Praia de Fora, depois São Sebastião, a Bocaiúva começa exatamente na esquina com a Avenida Mauro Ramos e termina na Praça Esteves Júnior, de onde continua, até os altos da Rua Felipe Schmidt, com o nome de Almirante Lamego. Em seu trajeto, que faço a pé sempre que posso, encontramos inúmeros sinais históricos importantes – e até um artístico e impressionante mural desgastado pelo tempo.

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Entre o shopping e a Avenida Gama d’Eça estão presentes elementos importantes da memória, como a imponente propriedade da família von Wangenheim, construída em 1905; a sede da 14ª Brigada de Infantaria Motorizada, antiga Chácara Molenda e primeira reitoria da UFSC; a Casa Rosa – em processo de restauração – e a Casa do Barão, que tem também uma entrada pela Avenida Gama D’Eça. As duas últimas edificações remontam ao final do século 19.

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Entre a Gama D’Eça e a Praça Esteves Júnior estão mais três relíquias: a Igreja de São Sebastião, que comemora 160 anos de construção este ano; a antiga estação elevatória mecânica de esgotos (castelinhos), de 1913; e os canhões (na praça) que pertenciam ao Forte de São Francisco Xavier da Praia de Fora. É certo que sobrou pouca coisa da Bocaiúva original, uma rua com estilo charmoso e único, hoje densamente ocupada pela verticalização.

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Mas eu quase ia esquecendo um elemento importante dessa via sofisticada: o muro quase em frente à Rua Rafael Bandeira, que conserva uma obra de arte de Hassis, pintada na década de 1980, a pedido do proprietário do imóvel (hoje um estacionamento). O mural de Hassis reproduz detalhes da paisagem florianopolitana em três módulos: uma cena de pesca, outra da pedra mais característica de Itaguaçu e duas mulheres à beira-mar. As pinturas estão deterioradas e merecem, sem dúvida, uma restauração imediata, para que fiquem perpetuadas naquele local..

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Em tempo: o nome Bocaiúva não tem relação com qualquer personagem catarinense. Quintino Bocaiúva era fluminense de Itaguaí, um dos heróis da Proclamação da República. Esse tipo de homenagem foi muito comum em Florianópolis logo após o golpe de Estado que derrubou a monarquia.

Grande Berbigão

O calor de sexta, 29, não impediu que milhares de foliões fossem às ruas de Florianópolis para participar da abertura do Carnaval com o Berbigão do Boca. Mais uma vez a festa movimentou o Centro desde o meio-dia, avançando pela tarde e noite e fazendo a alegria de bares, restaurantes e do comércio de modo geral. Tudo perfeito, tudo bonito, como manda a tradição do nosso mais autêntico Carnaval de rua.

Ação pela…

A Atricon (Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil) também ingressou no STF com pedido de liminar, por meio de Ação Direta de Inconstitucionalidade, contra a lei 666/2015 de Santa Catarina que altera a Lei Orgânica do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e dispõe sobre sua organização e funcionamento.

… transparência

A medida judicial está de acordo com o objetivo da campanha “Mais investigação, Menos corrupção”, desenvolvida pela ASTC (Associação dos Servidores do Tribunal de Contas do Estado), Sindicontas (Sindicato dos Auditores de Controle Externo de Santa Catarina) e Ampcon (Associação Nacional do Ministério Público de Contas).

Muita moleza

“É dever da Comcap limpar o lixo deixado por food truck na calçada? Não deveria o dono do negócio fazer a limpeza da calçada?”. Questionamento de Léo Contin da Costa sobre a vida folgada de empresários que ganham dinheiro em espaço coletivo, mas quem limpa a nojeira é a empresa pública.

Divulgação Petra Mafalda/ND

A Corte

Chayeni Bittencourt foi escolhida Rainha do Carnaval na noite de quinta-feira. A 1ª Princesa (direita) é Karoline Junckes e a 2ª Princesa é Gisele Breigeron (esquerda). Tive a honra de participar do júri, ao lado do médico Zulmar Accioli de Vasconcelos, da secretária Zena Becker, do fotojornalista Antônio Carlos Mafalda e da jornalista Karin Fabiane, entre outros convidados. Uma noite de emoção, em que o Rei Momo Ernani Hulk comemorou 30 anos de monarquia.

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