Memória de Florianópolis: Há 40 anos, Eletrosul causava ebulição na cidade

Depois da UFSC, chegada da estatal de energia foi responsável pelo segundo maior impacto urbano, social, cultural e econômico na cidade

Hermínio Nunes/Divulgação/ND

O prédio da Eletrosul na atualidade: presença transformadora
Tractebel/Divulgação/ND

Inauguração da sede definitiva da empresa, em dezembro de 1978

Diversos fatores aceleraram o desenvolvimento de Florianópolis entre as décadas de 1960 e 1980. A implantação da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), a partir de 1961, causou o primeiro – e certamente maior – impacto urbano na capital catarinense, porque desarranjou o aspecto de aldeia que a cidade ainda tinha. Para recordar: a reitoria e as primeiras faculdades estavam espalhadas pelo Centro, a transferência para o campus da Trindade se deu ao longo de mais de 10 anos.

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A década de 1970 seria marcada pela implantação das grandes estatais, entre as quais a maior de todas, a Eletrosul Centrais Elétricas S.A. Fundada em 1968, com sede no Rio de Janeiro, a empresa de energia causou o segundo maior impacto em Florianópolis. Sua transferência para a Capital começou em 1975 e se consolidou ao longo de 1976, portanto, há exatos 40 anos. Foi uma mudança avassaladora, com a chegada de mais de dois mil empregados durante dois anos, a maior parte deles naturais do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul. Em 1980, a empresa registrava 4.339 funcionários. Por isso se dizia naquele tempo que Florianópolis sofreu uma “invasão de cariocas e gaúchos”, responsáveis por uma mudança radical no perfil econômico, social e cultural da Capital.

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O Censo do IBGE pode comprovar a explosão habitacional vivida pela Capital em três décadas: de 98.520 habitantes em 1960, passamos para 143.414 em 1970 e 196.055 em 1980. O quanto isso foi consequência da UFSC e da Eletrosul? Difícil avaliar de forma empírica, mas um fator foi determinante: depois de instalados, os novos moradores, solteiros ou casados, estimulavam amigos e outros familiares para virem também. Tanto a universidade quanto a empresa estatal emprestaram a Florianópolis uns ares de “Eldorado” do Sul, houve mesmo uma espécie de “corrida do ouro” para cá.

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Dá para dizer que Florianópolis era uma cidade antes da Eletrosul; virou outra, completamente diferente, depois que a estatal de energia chegou. De início os empregados se espalharam por diversos prédios funcionais na região central, em especial a Rua Felipe Schmidt. Por causa do poder aquisitivo dessa massa trabalhadora – talvez quatro ou cinco vezes superior ao da média florianopolitana – o modesto comércio local viveu tempos de euforia, com uma movimentação financeira nunca vista.

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Da mesma forma, a construção civil ganhou seu alvará definitivo para verticalizar radicalmente o Centro, expandindo-se ainda para a área da Avenida Rubens de Arruda Ramos, a Beira-Mar Norte, que ainda não havia sido quadruplicada. Loteamentos na Trindade, Santa Mônica, Carvoeira e Córrego Grande também receberam impulso.

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A sede definitiva da Eletrosul foi inaugurada em dezembro de 1978. O magnífico prédio de 25,6 mil metros quadrados foi projetado pelo escritório de arquitetura Luiz Forte Netto, escolhido por concurso. É, até hoje, um dos exemplares mais belos do estilo brutalista (concreto aparente) em Santa Catarina.

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Conversei com um dos funcionários pioneiros, Élzio do Espírito Santo Oliveira, mineiro, que ingressou na empresa em 1976 e veio para Florianópolis em 1977. “Adaptação tranquila, o que me levou a ficar até hoje”, disse-me. “Casei com uma mineira, que ficou me esperando lá em Minas, e tenho dois filhos e um neto manezinhos. O início foi um choque cultural, não havia muitas alternativas de lazer”. Ainda conforme Élzio, “a cidade mudou muito desde então e, nem sempre, em alguns aspectos para melhor, como o desrespeito ao meio ambiente e a mobilidade urbana deficiente”.

Consulado

Ainda sobre as mudanças provocadas pela Eletrosul em Florianópolis, é razoável lembrar que a “saudade do Rio” motivou um grupo de empregados a fundar na década de 1980 o bloco de Carnaval Consulado do Samba. Com o passar dos anos, o bloco virou a atual escola Consulado, cuja sede fica nas proximidades da sede da empresa, no bairro Saco dos Limões.

Solidariedade

Os futuros delegados aprovados no último concurso do governo do Estado estão mobilizados em ações sociais. Os 201 profissionais estão arrecadando fraldas geriátricas e luvas de látex para o Cantinho dos Idosos, instituição que abriga 50 velhinhos em Ratones. Quem quiser ajudar pode levar os produtos na sede da Associação dos Delegados de Polícia de Santa Catarina, na João Pinto, 30, no Centro de Florianópolis. A entrega será feita em 13 de março.

Lotação

Os católicos da ilha estão mobilizados para reunir o maior número de crianças com até sete anos de idade na Capela Menino Deus, no dia 10 de março, às 7 horas. Na data, acontecerá um dos pontos altos da programação da Procissão do Senhor dos Passos: a lavação da imagem do Senhor Jesus dos Passos, que fez parte da infância de várias gerações desde 1766.

…máxima

O ritual é realizado exclusivamente por crianças – algumas, levadas no colo pelas mães. Uma a uma, elas passam delicadamente sobre a imagem um pano umedecido com água de cheiro. Na sequência, os adultos entram em cena para secar a imagem do Senhor Jesus dos Passos e aproveitam para agradecer graças alcançadas ou fazer pedidos. A água utilizada na cerimônia é misturada com água benta e distribuída gratuitamente aos fiéis.

Polarização nociva

“Como é engraçado e ao mesmo tempo lamentável as pessoas aproveitarem o momento político do país para destilarem seu ódio e mostrarem o quão grosseiras e mal educadas são”. Sabedoria do jornalista João Paulo Borges, no Facebook, sobre as consequências da ação contra o ex-presidente Lula, na sexta (4)..

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