Memória de Florianópolis – Hotéis da bela época da cidade

Desterro era a capital da província de Santa Catarina, mas os primeiros hotéis só surgiram em 1850. O boom hoteleiro na ilha começou, no entanto, na década de 1930. Alguns prédios estão conservados e só um funciona como hotel

Arquivo Carlos Damião

1º Majestic Hotel, construído por José Daux em 1930: prédio ainda existe
Arquivo Carlos Damião

Oscar Hotel, um dos clássicos: dos mais antigos é o único que conserva a atividade original
Arquivo Carlos Damião

La Porta, cuja fachada foi alterada na década de 1960. Prédio foi implodido em 1990 

A hotelaria de Florianópolis está comemorando os resultados econômicos daquela que, até aqui, tem sido uma temporada de ouro. Dados da ABIH (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis) apontam taxa de ocupação média de 92% nos meses de férias, o que é muito significativo, “a melhor dos últimos 20 anos”, conforme me disse na sexta (19) João Eduardo do Amaral Moritz, dirigente da entidade.

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Nossos hotéis, tanto os de praia, quanto os urbanos, garantem hoje uma estrutura de hospedagem digna dos melhores destinos do país e da América do Sul. Nada que se compare, por exemplo, às décadas de 1960 e 1970, período em que a atividade turística começou a ganhar força; nem à primeira metade do século 19, quando não tínhamos hotéis.

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A história registra que os primeiros estabelecimentos do gênero surgiram por volta de 1850. Até então, visitantes ilustres ficavam hospedados no Palácio do Governo (hoje Palácio Cruz e Sousa). Os viajantes menos relevantes dormiam, normalmente, nos barcos e navios ancorados no porto de Desterro. Em 1850, conforme pesquisa de Fabíola Martins dos Santos e Raquel Maria Fontes do Amaral Pereira (dissertação de Mestrado em Turismo e Hotelaria da Univali, 2005), teria surgido o primeiro hotel com características apropriadas, o Hotel do Commercio.

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Estabelecimentos melhores, do ponto de vista de acomodações, surgiram a partir de 1930. É do primeiro ano daquela década o Hotel Majestic, construído pelo imigrante libanês José Daux, que inaugurou a tradição hoteleira da família, mantida até hoje por seus bisnetos e trinetos, com uma rede de hotéis em Canasvieiras e o Majestic da Avenida Beira-Mar Norte.

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Logo a seguir, em 1932, foi implantado o La Porta, primeiro prédio com elevador em Santa Catarina, que marcou o cenário urbano de Florianópolis até a década de 1960, quando a Caixa Econômica Federal, proprietária do imóvel, assumiu a posse do local, alterando inteiramente sua fachada (que ganhou o estilo caixote). A Caixa funcionou ali até o final da década de 1980. Em 1990, por problemas estruturais, a edificação foi implodida.

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A Capital ganharia novos hotéis nos anos seguintes: Metropol (1940); Central (1948), depois Mário Hotel; Lux (1950); Querência (1958); Royal (1960); Oscar (1960); City (1968) e Cruzeiro (1968). Na década de 1970 o setor seria modernizado, com novos estabelecimentos, como Cecomtur e Floph (de outros ramos da família Daux), Ivoram (hoje Centro Sul), Valerim, Faial.

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De todos os mais antigos – construídos até 1960 –, o único que ainda funciona como hotel é o Oscar (para quem não sabem, pronuncia-se Óscar), construído pelo empresário Oscar Cardoso. Seu estilo “puxa” para o modernismo, tendência comum à época, embora, como me avaliou o arquiteto Marcão Martins, não seja um “tipo modernista puro”. De qualquer forma, um belo prédio histórico da Avenida Hercílio Luz e que mantém a funcionalidade original.

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O bacana é que praticamente todos os prédios que foram hotéis estão bem preservados, mas utilizados hoje para atividades funcionais ou comerciais, inclusive o mais antigo deles, o Majestic (esquina das ruas Trajano e Conselheiro Mafra). A se lamentar o precário estado da fachada do Querência, que até a década de 1970 era um hotel de categoria.

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Açores e Piazza

O Grupo Parlamentar do PSD (Partido Social Democrata) apresentou à Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores voto de pesar pela morte do professor doutor Walter Fernando Piazza, considerado, pelo deputado autor da proposta, José Andrade, um dos mais importantes pesquisadores da história açoriana e da relação dos Açores com o Brasil.

Conta salgada

O pedágio na BR-101 vai de R$ 1,90 para R$ 2,40 a partir desta segunda, 22. Um aumento salgado de 21%, praticamente o dobro da inflação anual. Nós, usuários comuns, vamos pagar pelas isenções concedidas para o transporte pesado (caminhões não pagam mais pelos eixos levantados).

Coisa suja

“Os políticos conseguem fazer o sexo virar uma coisa suja”. Do cartunista paranaense Benett, no Twitter (‏@Benett_).

Ritmo de samba

Para celebrar uma amizade que nasceu graças ao samba, os músicos e compositores Dudu Brasil e Anderson Ávila vão presentear os amigos com uma festa que promete ficar na memória. Neste sábado, 20, a partir das 18h, no bar Estação de Jorge, no Estreito, os amigos reúnem grandes músicos da Ilha para uma Roda de Samba especial em comemoração ao aniversário dos dois. O evento promete seguir noite adentro e será uma grande celebração à vida e à boa música.

Elevado vai sair

Na entrevista que concedeu à Rádio Guarujá na quinta-feira, 18, o prefeito Cesar Souza Junior afirmou que, em ano eleitoral, tem muita gente torcendo para que as coisas não aconteçam, como o elevado do Rio Tavares, por exemplo, obra que, segundo ele, já deveria ter sido feita há pelo menos 15 anos. “Podem agourar à vontade que o elevado vai sair”, afirmou ao prefeito.

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