Memória de Florianópolis: marco da Guerra do Paraguai, instalado na Praça 15, completa 140 anos

Monumento na Praça 15 de Novembro foi construído em 1876, mas suas homenagens são restritas aos oficiais que lutaram no conflito. Soldados e escravos não são lembrados

Divulgação/Biblioteca IBGE/ND

O monumento, em registro provável dos anos 1940 ou 1950, é cercado de polêmicas
Carlos Damião

imagem da atualidade: restaurado e bem conservado, faltam informações históricas
Carlos Damião

Detalhe da cúpula, feita com balas de canhão (morteiros) usadas no conflito armado

Ele está ali todos os dias, bonito, imponente, e certamente será parte do cenário do Carnaval de rua, como acontece há décadas. Já foi muito agredido por vândalos – que certamente desconhecem sua importância histórica e cultural –, pichado, depredado, desprezado. É o Monumento em Honra aos Mortos na Guerra do Paraguai, que foi construído há 140 anos pelo governo do Estado, com contribuições financeiras da população. É um ícone do Centro, um marco da nossa memória que resiste ao tempo: talvez seja um dos monumentos mais antigos de Florianópolis (se não for o mais antigo). Instalado na atual Praça 15 de Novembro, antigo Largo do Palácio, tem em seu entorno os bustos de algumas personalidades culturais do Estado, como Cruz e Sousa, Victor Meirelles, José Boiteux e Jerônimo Coelho.

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A simbologia desse monumento é muito interessante, embora muita gente não tenha noção exata do seu significado, ou seja, que ele é a versão heroica do vencedor. O rigor histórico (não acadêmico e não oficial) atribui aos paraguaios o papel de vítimas da prepotência de seus agressores. A guerra ocorreu entre 1864 e 1870, envolvendo Brasil, Uruguai e Argentina – contra o Paraguai – e teve relativa participação de catarinenses, quase 300, recrutados pelo Império.

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Originalmente, o monumento, chamado à época de Coluna Comemorativa, deveria ter 20 metros de altura. A obra começou em 1875, mas foi logo abandonada. Retomada e concluída no ano seguinte, teve sua altura reduzida para 10,88 metros porque faltaram recursos financeiros para erguê-la no tamanho projetado. O governador responsável pela continuidade dos trabalhos foi Alfredo d’Escragnolle Taunay, que também inaugurou o monumento, num clima de exaltação patriótica.

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Na inauguração, registra a história, o professor Sylvio Pellico de Freitas Noronha discursou para a plateia concentrada em torno do memorial: “Eis catarinenses, eis a eterna gratidão! Todos nós concorremos para a ereção desta Coluna! Foi a dádiva do povo, foi o nosso entusiasmo pelas glórias dos denodados guerreiros, que longe das famílias, lançando o último adeus ao soluçar entrecortado dos filhos, foram morrer nos campos do Sul, para vingar nosso nome, que levantou o presente monumento. (…) Glória catarinense! padrão dos feitos dos nossos heróis, eu te saúdo! Testemunho glorioso do passado, tesouro das maiores lembranças de um povo grato, e reconhecido liga à posteridade o nome de seus irmãos! Eu te saúdo!”.

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Um detalhe interessante é que, ao contrário de outros Estados que enviaram soldados à guerra, Santa Catarina não tem um memorial desse longo e sangrento episódio. A única lembrança mais visível é justamente o monumento na Praça 15, que não tem mais informações capazes de auxiliar os moradores e turistas interessados em conhecer sua história. Falta uma placa com uma síntese bem elaborada, que lembre ainda a participação dos voluntários, em geral soldados pobres, inclusive escravos, assim como a grande mobilização local para atender ao chamamento do Império.

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Uma parte do monumento tem uma composição singular: a cúpula foi construída com balas de canhões (morteiros), formando uma construção artística muito curiosa. Nas suas faces estão inscritos os nomes de alguns catarinenses – a elite de oficiais, na verdade – que tombaram durante o conflito. Na face Sul está a inscrição (em português da época): “Este singelo monumento foi erigido pelo patriotismo dos catharinenses em commemoração da gloriosa campanha do Paraguay, na qual muitos filhos da sua província pagarão ao Brasil o tributo da vida”.

Retratos da ‘porquice’

Sobre as responsabilidades em relação ao aedes aegypt é óbvio que o poder público tem que fazer a sua parte. Inclusive invadindo imóveis abandonados para promover a necessária limpeza. E pelas imagens que vi no perfil do secretário da Saúde de Florianópolis, Daniel Moutinho, no Facebook, tem muitos moradores que transformam suas propriedades em verdadeiros chiqueiros.

Primeira vítima

Como os governos desprezam a cultura! Equipamentos culturais importantes, em São Paulo e no Rio Grande do Sul, vão sendo largados, por falta de recursos financeiros. Aqui querem entregar o Teatro Álvaro de Carvalho para a iniciativa privada, sem pensar, obviamente, que o problema de administração desses espaços não é dinheiro, mas gestão. Governos comprometidos com o futuro fariam de tudo para manter vivos museus, teatros, casas de cultura etc.

Muy amigos

Fiscais do Deter descobriram uma malandragem incrível. Ônibus de excursões que trazem argentinos para o Estado largam os passageiros em seus destinos – onde têm hospedagens de uma semana em hotéis, pousadas ou casas particulares – e, depois, são utilizados para transporte irregular entre os diferentes pontos turísticos de Santa Catarina. Os próprios motoristas é que organizam as excursões piratas, oferecidas a outros argentinos, hospedados nas mesmas cidades.

Alto astral

Numa circulada pré-carnavalesca pelo Centro, na sexta-feira, deu para sentir o alto astral das pessoas, independente da crise e da falta de decoração. Muitos sambistas que desfilam na Passarela Nego Quirido saíram de suas comunidades para sentir o clima, conversar com os amigos, dar entrevistas e convidar para o sambódromo.

Funcionário padrão

“Tocando três projetos e trabalhando no Carnaval, Aedes Aegypti ganha título de funcionário padrão”. Do portal de humor Sensacionalista (@sensacionalista).

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