Memória de Florianópolis: Procissão traduz a ‘alma’ florianopolitana

Maior ato religioso do Estado completa 250 anos neste domingo, 13, representando a força da fé dos moradores e a perseverança da Irmandade do Senhor Jesus dos Passos

Divulgação IHC/ND

Drama e fé: o ato religioso nas ruas centrais, há cerca de cinco décadas
Divulgação IHC/ND

Passagem pela frente do Palácio Cruz e Sousa, há aproximadamente 50 anos
Carlos Damião

Em 2006 ainda havia a parada em frente à Casa de Câmara e Cadeia

Nada nos aproxima tanto da aldeia que já fomos – a mítica Desterro – quanto a Procissão do Senhor Jesus dos Passos. Nada é tão florianopolitano quanto a Procissão do Senhor Jesus dos Passos, cuja 250ª edição acontece neste sábado e domingo, 12 e 13 de março. Um evento que superou o tempo graças à devoção dos fiéis e à dedicação da Irmandade, que zela pela imagem e organiza o ato religioso desde 1766. “De quantas festas religiosas se efetuam no Estado é a Procissão de Passos a que mais prende e impressiona o espírito popular”, assinalava Virgílio Várzea em Santa Catarina – A Ilha, obra do início do século 20.

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Numa conversa com o deputado federal Esperidião Amin (PP), vinculado à Irmandade do Senhor Jesus dos Passos há quase 40 anos, ele me observou o seguinte: “A Procissão é o retrato mais autêntico da ‘alma florianopolitana’. É onde a cidade ainda se encontra com sua história e sua gente”.

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Também conversei com o governador Raimundo Colombo sobre a procissão. “Quem já teve a oportunidade de participar da procissão, como eu já tive, sabe que é uma experiência única, um momento de reflexão sobre nossos valores e sobre a presença da fé em nossas vidas. A minha formação é muito religiosa, mas independentemente da formação de cada um, participar de uma cerimônia como esta nos faz pensar sobre o mundo que estamos construindo e sobre a sociedade que desejamos para as novas gerações, uma sociedade cada vez mais justa, mais inclusiva e mais igualitária”.

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Ainda as palavras do governador: “A Procissão do Senhor dos Passos é, também, uma forma de valorizar nossa história, nossa memória. E como patrimônio cultural imaterial de Santa Catarina, é ainda uma atração turística que atrai fiéis de diferentes cidades do Estado e de outras regiões”.

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O provedor da Irmandade, Luiz Mário Machado, e o coordenador da procissão, Ronaldo Koerich, estimam para este fim de semana a participação de mais de 70 mil pessoas nos atos religiosos que envolvem essa manifestação de fé. Eles entendem que a participação dos jovens é cada vez mais destacada, porque serão eles, no futuro, os encarregados de manter a tradição de 250 anos.

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Muitos não sabem que o trajeto da procissão é parte do tombamento histórico e cultural dessa manifestação de 250 anos: ruas Menino Deus, Bulcão Viana, Tiradentes, Praça 15 de Novembro, ruas Tenente Silveira, Deodoro, Francisco Tolentino e Largo da Alfândega. Portanto, no dia da procissão principal (este domingo, 13), esse é um trajeto sagrado, dedicado exclusivamente à procissão. Qualquer interferência estranha é considerada ofensiva e desrespeitosa, porque o culto religioso extrapola sentimentos individuais, políticos ou partidários de qualquer natureza.

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A imagem colorida que publicamos nesta edição, do sábado, em 2006, mostra a parada em frente à antiga Casa de Câmara e Cadeia, tradição que remonta ao século 19. A pausa, cercada de solenidade e orações, era realizada no passado para que os presos pudessem reverenciar a imagem do Senhor dos Passos. Espera-se que, depois de terminada a reforma do prédio, esse ato volte a acontecer, pelo simbolismo histórico que tem.

Hora de negociar

Com a determinação judicial de volta ao trabalho, os servidores da prefeitura de Florianópolis têm agora a oportunidade de sentar com os representantes do poder público para afinar a pauta de reivindicações. Sabendo, por exemplo, que qualquer reajuste salarial acima da receita (arrecadação) representará a inviabilidade da administração municipal.

Carnificina

A polícia brasileira matou mais de 2 mil pessoas em 2015, a grande maioria constituída por afrodescendentes. A constatação é do setor de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas). Na próxima semana, a ONU divulga um relatório que também analisará a situação de comunidades tradicionais e de grupos praticantes de religiões de origem africana no Brasil.

Patologia pura

Mais do que uma crise institucional, o Brasil vive um período confuso (e patológico), difícil de ser superado sem algum tipo de ruptura. Talvez sejam possíveis paralelos com 1954 – acossado pelas oposições, Getúlio Vargas cometeu suicídio –, com o golpe civil-militar de 1964 e com o contragolpe de extrema-direita de 1968 (AI-5). É preciso ler e conhecer a História antes de difundir bobagens nas redes sociais, normalmente baseadas em frases avulsas e informações falsas divulgadas no Facebook.

Iluminação josefense

A Prefeitura de São José, por meio do Consórcio SQE Luz, prevê a conclusão de 55 obras no mês de março, que contemplarão 11 bairros, entre eles Ponta de Baixo, Praia Comprida, Fazenda Santo Antônio e Procasa. Cerca de 429 luminárias de alto rendimento, contendo lâmpadas vapor de sódio 150 watts, serão instaladas nestas localidades, assegurando mais qualidade de vida e segurança.

Ciência política

“Ministério do Trabalho homologa profissão de cientista político de Facebook”. Destaque do portal de humor Sensacionalista. A coluna sugere também a homologação de “especialista em direito”: o que tem de gente que entende tudo de justiça é uma grandeza.

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