Memória de Santa Catarina – Termelétrica Jorge Lacerda rumo aos 50 anos

Usina surgiu de um esforço comum, entre autoridades federais e estaduais, apoiadas por empresários, para gerar energia e promover o desenvolvimento industrial

Acervo Roberto Lacerda Westrupp/Divulgação/ND

Juscelino sendo recebido pelo governador Jorge Lacerda, em fevereiro de 1957: presidente veio assinar a criação da Sotelca
Acervo Roberto Lacerda Westrupp/Divulgação/ND

Encaminhamento da mensagem de criação da Sotelca ao Congresso: ao fundo, ministro Nereu Ramos e o governador Jorge Lacerda, em 1957
Acervo Eletrosul/Divulgação/ND

Presidente Castello Branco (centro), tendo a seu lado (direita) o governador Celso Ramos: inauguração da usina, em 3 de julho de 1965

Uma das imagens mais marcantes do Sul do Estado, para quem viaja pela BR-101, é o Complexo Termelétrico Jorge Lacerda, com 857 MW de capacidade instalada, uma das usinas de geração de energia mais importantes do país desde a década de 1960. O complexo foi fundado em 1957, no governo de Jorge Lacerda (1956-1958) com duas finalidades: aproveitar parte do carvão mineral (o carvão vapor) extraído nas minas da região e gerar energia em tempos de aceleração do desenvolvimento industrial. A eletricidade era uma das grandes deficiências do Brasil à época, mas desde Getúlio Vargas, quando começou a industrialização nacional, havia o propósito de tirar o país da escuridão e oferecer infraestrutura para o crescimento econômico.

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Como Santa Catarina tinha matéria-prima de sobra – produzia 400 mil toneladas anuais de carvão na década de 1950 –, surgiu a ideia de ampliação da geração de energia na localidade de Capivari de Baixo, então distrito de Tubarão, onde já havia uma pequena usina implantada pelas próprias mineradoras. Nasceu assim a Sotelca (Sociedade Termelétrica de Capivari), cuja fundação foi liderada pelo governador Jorge Lacerda, com apoio do presidente Juscelino Kubitscheck. A empresa tinha capital federal, estadual e privado, uma espécie de PPP (parceria público-privada) daqueles tempos.

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Jorge Lacerda não viveu para ver seu sonho de desenvolvimento concretizado. Morreu num acidente aéreo em 16 de junho de 1958, com apenas dois anos de mandato. Mas a usina, construída entre 1957 e 1965, acabou levando seu nome, como forma de reconhecimento à sua visão administrativa. A primeira unidade, chamada de Jorge Lacerda I, com capacidade de 50 MW, foi inaugurada pelo presidente-marechal Castello Branco em 3 de julho de 1965, portanto, completando 50 anos daqui a 20 dias. A segunda unidade, Jorge Lacerda II, entrou em funcionamento em março de 1966, com igual capacidade.

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A Jorge Lacerda foi pioneira em Santa Catarina e na região Sul (era a maior geradora na década de 1960). Nos primórdios, a energia era gerada e distribuída de forma isolada. Mas a fundação das subsidiárias da Eletrobras, criada em 1962 pelo presidente João Goulart, permitiu que, ao longo do tempo, essas usinas independentes formassem um conjunto, chamado de sistema elétrico interligado, o atual SIN (Sistema Interligado Nacional). Por isso, o Complexo Termelétrico Jorge Lacerda acabou incorporado à Eletrosul em 1972, passando ao controle privado – da Tractebel Energia GDF Suez – no final da década de 1990, de acordo com a política de privatizações do governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

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Para a memória catarinense, o cinquentenário do complexo tem um significado extraordinário: a superação do atraso, a afirmação da importância histórica do governador Jorge Lacerda e do presidente Juscelino Kubitscheck, sem contar a participação, sempre destacada, do ex-presidente Nereu Ramos. Coincidentemente, Nereu e Lacerda morreram no mesmo acidente aéreo, nas proximidades de Curitiba, há 57 anos.

No sangue

Não é qualquer evento cultural que chega à 11ª edição, como o Acústico Brognoli, neste domingo (14), com uma sessão especial voltada ao rock’n roll, a partir das 20h, no Teatro Ademir Rosa. Mérito do empresário Marcelo Brognoli, diretor da empresa e que tem sua vida pautada pela cultura desde o berço: é filho de Thales Brognoli, talentoso artista plástico que integrou o Grupo Sul.

Tijucas

“Tijucas 155 anos – Eu amo, eu curto”. Esse é o slogan adotado pela prefeitura para a comemoração do aniversário do município, neste sábado (13). Impossível desconhecer o papel histórico de Tijucas, berço de grandes lideranças empresariais e políticas, além de expressões do judiciário estadual e nacional. O prefeito Valério Tomazi comanda as festividades, com o corte do bolo às 16h, na Concha Acústica Nagip Elias Abdala.

Parabéns

Por falar em Tijucas, este sábado (13) é dia de festa para Walmor da Silva Telles, diretor do ND no Vale do Rio Tijucas, que completou 70 anos na quarta-feira (10). Fundador do Tijuquense, da Rádio Vale AM e do Jornal de Tijucas, Walmor recebe amigos e familiares num almoço no restaurante Guarnieri Cunha. Entre os convidados, destaque para os profissionais que trabalharam e ainda trabalham com Walmor ao longo de cinco décadas de profissão.

Canasvieiras

A comunidade optou por mudança na Associação dos Moradores de Canasvieiras: a chapa 1, de oposição, venceu a eleição com 813 votos e toma posse neste sábado (13), às 20h, no Salão Paroquial da Igreja Nossa Senhora de Guadalupe. A nova diretoria, com Sebastião Santos na presidência e Fernando Tadeu na vice-presidência, vai intensificar a mobilização local por melhorias de infraestrutura, segurança e desenvolvimento econômico com base no turismo.

Música

“Após julgamento das biografias, Roberto Carlos faz música para Cármen Lúcia”. Revista Piauí, fazendo graça com o histórico julgamento do STF (Supremo Tribunal Federal). Cármen Lúcia foi a ministra relatora do processo que liberou as biografias.