Menina de 14 anos é alvo da ira do Taleban

Malala Yousafzai denuncia as condições da educação feminina. Com isso, obteve o ódio do grupo de fundamentalistas

 

Divulgação/ND

Malala levou três tiros e mobilizou todo o Paquistão, o que pode provocar desdobramentos políticos no complicado país

O Brasil inteiro conhece a catarinense Isadora Faber, 14, que denunciou no Facebook as condições de sua escola no Santinho, em Florianópolis, e inspirou outros alunos. Essa semana, outra menina, Malala Yousafzai, também de 14 anos, chamou a atenção do mundo ao ser alvo de atentado. Seu crime? Denunciar as condições de educação das meninas no Paquistão.

Malala chama a atenção do mundo desde os 11 anos, quando mantinha um blog na BBC Urdu (a língua do Paquistão), com um pseudônimo. O inimigo de Malala tem nome: Taleban. Os fundamentalistas islâmicos, com sua interpretação da sharia (o código moral do Islã), condenam a educação de mulheres. O atentado contra a menina chocou o país e reforçou a oposição interna ao grupo.

A campanha de Malala lhe rendeu reconhecimento dentro e fora do país. Ano passado, ela recebeu o primeiro Prêmio Nacional da Paz, criado pelo governo paquistanês, e foi indicada ao Prêmio Internacional para Crianças para a Paz da Fundação Kids Rights.

Semana passada, a menina saía da escola, e um homem de turbante e barba indagou: “Qual de vocês é Malala? Vamos atirar em todas até descobrir”. Outra garota apontou Malala, e o homem abriu fogo. Três meninas saíram feridas; Malala levou três tiros na cabeça e no pescoço. Ela foi operada e está sendo tratada num  hospital militar na cidade de Rawalpindi.

Sexta-feira, um porta-voz militar indicou que o estado dela passou de grave para satisfatório. Uma recompensa foi oferecida para informações que levem aos autores do atentado. A escola que Malala frequenta abriu as portas sexta-feira. “Isso mostra que vamos continuar com a missão dela”, disse a estudante Ayesha Khan. Muitos alunos faltaram por medo.

O Taleban chama o trabalho da ativista de “obsceno” e afirmou que planejava o ataque há meses. E reforça: Malala não será poupada. “Qualquer um que se oponha aos mujahedeen (guerreiros) deve ser morto: a sharia é clara”, escreveu o grupo num comunicado. “Somos contra a coeducação e o ensino laico.”

Isadora manda mensagem

Em Santa Catarina, Isadora Faber, outra ativista a favor da educação, disse ter ficado assustada ao saber do atentado. “Meus pais ficaram muito preocupados, me disseram que é do outro lado do mundo, outra cultura e que aqui não é desse jeito, que posso desistir do Diário quando quiser. Disse que não, irei continuar mas mesmo assim fiquei assustada, ela tem 14 anos”, escreveu Isadora no Facebook.

Isadora mandou uma mensagem a Malala. Se pudesse encontrar a companheira de lutas do Paquistão, a catarinense diria: “Não desista. É importante alguém ter a coragem de denunciar e seguir em frente.”

Mudanças políticas podem estar a caminho

O ataque contra a menina motivou protestos em setores da sociedade paquistanesa contra o grupo extremista. Analistas apontam que um consenso mais amplo contra o Taleban pode estar crescendo.

Para Ilyas Khan, correspondente da BBC em Islamabad, a vida familiar jamais será a mesma, e é provável que ela tenha que viver sob proteção ou seja forçada a buscar asilo no exterior.

“A inabilidade do governo de reconstruir (as escolas) juntou-se à sua ambivalência em relação ao Taleban, o que deu espaço aos militantes para levarem a cabo atos de sabotagem com impunidade.  A tentativa de assassinato contra Malala Yousafzai chocou e irritou a nação. Há relatos do Parlamento que um consenso mais amplo contra o Talebã pode estar na pauta – algo que os políticos paquistaneses nunca atingiram antes”.

O presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, visitou a garota na sexta-feira. Ele disse que o ataque  não afetará a luta contra os militantes islâmicos e em favor da educação feminina.

Uma menina que gosta de esportes

 

Divulgação

Malala Yousafzai é uma menina paquistanesa de 14 anos como qualquer outra: gosta de críquete, o esporte nacional do país, tem seus atletas favoritos, é muçulmana.

A exemplo das demais adolescentes, Malala gosta de programas de TV e esportes. Música é mais difícil: seus costumes, religião e cultura são diferentes. Ela participa ativamente de feriados muçulmanos e protestou no Facebook contra os insultos ao profeta Maomé contidos num filme americano.

Ela tem uma página no Facebook com 35 mil curtidas e um site pessoal. Amigos e admiradores de Malala montaram uma página no Facebook pedindo orações  para a menina, que no momento luta para sobreviver ao atentado do qual foi vítima.

Quando tinha o blog na BBC, Malala dizia que lutava para as meninas se educarem, pois assim poderia ser professora ou médica. Ela tinha 11 anos. Aos 14, depois da repercussão de suas ações e de virar uma figura nacional, Malala já mudara de planos: queria entrar na política. Especificamente, queria fundar um partido e lutar pela educação de mulheres.

Malala tem o apoio irrestrito dos pais e admiração da comunidade onde vive. O pai da menina, Ziauddin Yousufzai, que dirigia uma escola de meninas antes da invasão do Taleban no vale do Swat, onde moram, confirmou que a filha queria entrar para a política. Ele disse que, de todas as coisas que ele ama nela, o que mais gosta nela são os ideais democráticos e de justiça da filha.

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