Mês de setembro marca campanhas na área da saúde em Joinville

Doações de órgãos, plaquetas e medula óssea ganham destaque no Setembro Verde e Setembro Dourado

Além de estar colorido pelas flores, sinal do início da primavera, o mês de setembro também é marcado por várias cores nas campanhas da área de saúde. Além do setembro amarelo, dedicado à prevenção do suicídio, o verde e o dourado também fazem parte do calendário da área neste mês.

O “Setembro Verde” estimula a doação de órgãos, tanto entre pessoas vivas, como após a morte. Em Joinville, o Hospital Municipal São José é destaque em transplantes de rim, fígado e córneas e tem uma programação especial voltada ao tema neste mês. Ivonei Bittencourt, coordenador da CIHDOTT (Comissão Intra Hospitalar de Doação de órgãos e Tecidos para Transplante) do hospital, conta que o maior desafio para as doações é a recusa da família. “A carteirinha que indicava o desejo de doar órgãos não é mais válida desde 2002. Então, as pessoas têm que expressar o desejo de ser um doador para a família”, explica.

Santa Catarina é o estado que mais capta órgãos no Brasil. De acordo com Bittencourt, cerca de 30% das famílias se recusam a doar os órgãos no estado, enquanto a média de recusa no país chega a 80%. “O grande desafio é o consentimento familiar”, destaca. Outros empecilhos são a parada cardíaca – embora os doadores sejam diagnosticados com morte cerebral, o coração é mantido artificialmente até a captação dos órgãos – e as contra-indicações envolvendo a saúde tanto do doador quanto do receptor.

Hospital Municipal São José é referência em transplante de rins, fígado e córneas - Guilherme Duarte/Arquivo Secom/Divulgação/ND
Hospital Municipal São José é referência em transplante de rins, fígado e córneas – Guilherme Duarte/Arquivo Secom/Divulgação/ND

Quando há suspeita de morte cerebral, a equipe do hospital comunica a SC Transplantes (Central de Captação, Notificação e Distribuição de Órgãos e Tecidos de Santa Catarina), central estadual que reúne a lista de espera de receptores. Três testes são realizados para verificar a morte cerebral e, caso seja confirmada, uma amostra de sangue da pessoa é enviada à central para verificar a compatibilidade com os possíveis receptores da lista (embora a primeira pessoa seja a que tem o quadro de saúde mais grave, nem sempre o doador é compatível). A família do possível doador é acionada pela comissão do hospital e, caso aceite a doação, uma equipe da central é enviada ao hospital para a captação de órgãos. O período entre a captação e o transplante não deve ultrapassar seis horas.

De janeiro a agosto de 2016 foram abertos 34 protocolos para diagnóstico de morte cerebral em pacientes do Hospital Municipal São José. Destes, 19 foram doadores de órgãos, enquanto três tiveram parada cardíaca durante o protocolo, seis apresentaram contra-indicações e outros seis tiveram a doação recusada pela família.

 

Confira a programação do Hospital Municipal São José durante o “Setembro Verde”

29 de setembro

14h30 – Missa em memória ao doador de órgãos, na capela do hospital

19h – III Simpósio de Doação e Transplante de Órgãos, no Hotel Le Canard

Comissões de doação de todo o Estado estarão presentes. Haverá curso de comunicação em situações críticas para o preparo de profissionais da saúde para a comunicação do óbito aos familiares

Setembro dourado estimula a doação de plaquetas

Outra campanha que tem destaque no mês de setembro é a de doação de plaquetas para crianças e adolescentes em tratamento e recuperação de câncer. Adriana Seber, oncohematologista pediátrica da SOBOPE (Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica), explica que durante a quimioterapia, as crianças acabam perdendo também as células saudáveis e, por isso, precisam da doação de sangue. “A produção de todos os elementos do sangue para quando uma criança recebe quimioterapia, pois os medicamentos não agem somente sobre as células cancerígenas. Com muita frequência as crianças precisam de transfusões de sangue”, diz. Porém, em uma doação de sangue comum, o número de plaquetas é muito pequeno. É necessário, então, fazer a coleta do sangue com o equipamento de aférese, que separa as plaquetas dos outros componentes do sangue e coleta o número de plaquetas que seis a oito pessoas teriam que doar pela maneira comum. Na doação por aférese, apenas as plaquetas são coletadas e o resto do sangue é devolvido ao doador, em um procedimento que dura de uma a duas horas.

Em Joinville, as doações podem ser feitas no Hemosc (Centro de Hematologia e Hemoterapia de Santa Catarina). Para ser um doador, basta ir à entidade, onde é realizado cadastro, pré-triagem e uma entrevista clínica.

Doação de medula óssea também é destaque em setembro

No Hemosc também é possível se cadastrar para ser doador de medula óssea, pessoa que também tem destaque nas campanhas de setembro. O dia 18 marca o “Dia Mundial do Doador de Medula Óssea” e alerta para a importância dessa doação no Brasil. De acordo com o Redome (Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea), as chances de um paciente encontrar um doador compatível são de 1 a cada 100 mil pessoas, por isso, quanto mais doadores melhor. “O Brasil é o terceiro maior banco de doadores do mundo, atrás somente dos EUA e da Alemanha. A chance de identificar um doador compatível ao final do processo é de em torno de 64%. Com campanhas de doação e alerta sobre a importância de ser um doador poderemos melhorar esses dados”, explica Ivan Boettcher, hematologista do Centro de Hematologia e Oncologia. O transplante de medula óssea é indicado no tratamento de doações do sangue, leucemia e linfomas.

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