Mesmo com formatura antecipada, estudantes da saúde não tem onde trabalhar

Atualizado

Pelo menos 50 estudantes da área de saúde em Santa Catarina podem antecipar a formatura para atuar no combate ao coronavírus (Covid-19). A demanda por esses profissionais, contudo, não é solicitada nos hospitais do Estado, UBS (Unidades Básicas de Saúde) de Florianópolis, nem no Hospital Universitário.

Alunos das áreas de saúde podem antecipar a formatura – Foto: Ekrulila/Pexels

A medida foi confirmada nessa segunda-feira (6) pelo Ministério da Educação e permite a antecipação para outras áreas da saúde.

A portaria publicada no DOU (Diário Oficial da União), permite que, além dos estudantes de medicina, acadêmicos de farmácia, enfermagem e fisioterapia também antecipem suas formaturas.

Cerca de 50 estudantes de Medicina da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) podem antecipar sua formatura para atuar no combate ao coronavírus (Covid-19).

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A decisão vale para estudantes matriculados no último período e que tenham concluído 75% da carga horária do período de internato médico ou estágio supervisionado.

Será emitido um registro profissional provisório dos estudantes liberando sua atuação no combate ao coronavírus. A carga horária acumulada será considerada como complemento para que o aluno obtenha o registro definitivo.

A UFSC, que oferece todos os cursos citados na MP, informou que a administração central vai informar aos alunos sobre a possibilidade. A medida não é impositiva e cabe ao estudante decidir pela antecipação.

A instituição informou também que os acadêmicos de enfermagem, farmácia e fisioterapia não cumprem os requisitos. Em função dos decretos estaduais, as aulas na universidade estão suspensas desde o dia 16 de março. Assim, o semestre letivo não chegou aos 75% exigidos pela medida.

Universidades avaliam medida

Na Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina), onde são oferecidos os cursos de Enfermagem e Fisioterapia, ainda não o levantamento do número de estudantes beneficiados.

Por meio de nota, a universidade disse que avalia constantemente os editais lançados pelo Governo Federal que fazem o chamamento de alunos voluntários para atendimento em unidades de saúde.

O texto diz ainda que os chefes de departamento avaliam, por exemplo, “a questão da garantia dos EPI (Equipamentos de Proteção de Segurança) por parte dos alunos caso forem atuar em unidades de saúde”.

O departamento de Fisioterapia da UFSC avalia também que os hospitais estão com demanda controlada de pacientes com a Covid-19, e ainda não sinalizaram necessidade de voluntários.

A decisão vale também para as universidades particulares. Na Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina) os conselhos internos devem se reunir para avaliar o número de alunos aptos.

O mesmo acontece com a Univali (Universidade do Vale do Itajaí). A instituição está aguardando maiores regulamentações do Ministério da Educação para orientar seus professores e estudantes.

Sem locais de trabalho

Mesmo com a autorização do MEC, não há locais definidos para que os recém-formados atuem.

O HU (Hospital Universitário Polydoro Ernani de São Thiago), hospital mais próximo da UFSC, informou que, no momento, não há uma a necessidade de admissão desses profissionais.

A prefeitura de Florianópolis também informou que não deve admitir os estudantes no momento. Segundo a administração municipal, a demanda é por profissionais especializados principalmente para as unidades de pronto socorro e UTI.

A Secretária Estadual de Saúde disse não ter previsão de chamamento destes estudantes voluntários. Segundo a secretaria o trabalho está sendo voltado para a capacitação de servidores e profissionais que já integram a rede. Até o momento foram capacitados 4,9 mil servidores.

De acordo com o último boletim divulgado pela Secretaria nessa segunda, Santa Catarina tem 417 casos confirmados e 11 mortes em razão da Covid-19.

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