Minha luta continua

A visão parcial e tendenciosa da história é uma arma perigosa nas mãos de pessoas mal intencionadas ou simplesmente mal orientadas. É assim que começam as maiores injustiças e as maiores matanças

“Minha Luta”  (“Mein Kampf”), escrito por Adolf Hitler quando ele estava na prisão, caiu em domínio público – o livro, não Hitler – e pode ser editado por quem quiser fazê-lo. Países e juízes já o proibiram por seu conteúdo racista e incitador à violência. Poderia ser proibido por causa das ofensas à língua; ao menos  foi o que escreveu o jornalista alemão Rudolf Olden, logo após sua publicação: “Em uma frase pequena há tantos erros quanto palavras”. Creio que os puxa-sacos deram um jeito de maquiar a obra, isso se o maluco deixou.

Incrivelmente, em nosso Brasil Que País é Este há seguidores da filosofia nazista. Fazem-no por falta de alguma coisa em que acreditar ou por burrice mesmo. Mas não é só aqui, e alguns têm mais argumentos do que o racismo e a xenofobia: “Hitler tirou a Alemanha da depressão”, “Hitler investiu forte em educação”, “Hitler resgatou o orgulho germânico”  e por aí vai.  Nada disso é mentira; o que estragou tudo foi a base filosófica que sustentou todas as ações,   e aí não pode existir perdão nem justificativa.

A visão parcial e tendenciosa da história é uma arma perigosa nas mãos de pessoas mal intencionadas ou simplesmente mal orientadas. É assim que começam as maiores injustiças e as maiores matanças.

No meio do que deveria ser um debate entre pessoas que pensam de maneira diversa, mas transformou-se numa batalha de cegos desenfreados, pela enésima vez recebo mensagem que diz: “Somente 4 (sic) classes não gostaram do regime militar: os terroristas, os militantes comunistas, os políticos corruptos e os bandidos”. Pior que a maioria dos que a postam admiram e já votaram em pessoas que foram contra o regime. Também esquecem que Paulo Maluf foi até candidato a presidente da República pela Arena, o partido oficial da ditadura.

Outros se aproveitaram, inclusive de forma nada ética nem patriótica, da situação, e parece que nenhum deles enxerga o buraco econômico em que o regime empurrou o país – buraco de onde fomos tirados pelo Plano Real, criado por uma equipe de pessoas que foi contra o regime militar – , nem lembram dos estragos que a megalomania,  o centralismo decisório e a proibição da formação de lideranças fizeram ao País.

Faltou uma classe à mensagem: os patriotas – não importa de que cor política – que queriam e querem uma nação que tenha seus valores baseados na democracia e no respeito.  Cidadãos, estes, que se importam  com o Brasil e não com os egos equivocados  que infestam os dois lados que hoje se xingam.         

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