Ministro da Saúde garante manutenção do SUS e anuncia grande campanha de vacinação

Atualizado

O ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta, participou, na manhã desta sexta-feira (9) de um evento promovido pelo CRM-SC (Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina), em Florianópolis.

O ministro chegou à sede do Conselho, na SC-401, no Norte da Ilha, por volta das 10h, para palestrar sobre as perspectivas da saúde no Brasil no 12º Fórum de Ética Médica. No evento ele anunciou uma grande campanha de vacinação para outubro e descartou o fim do SUS.

Luiz Henrique Mandetta participou, nesta sexta, do 12º Fórum de Ética Médica – Bruna Stroisch/ND

Questionado sobre a alta incidência de sarampo no Brasil e os baixos índices de vacinação, Mandetta destacou que já no início do ano, havia ligado o alerta com relação às quedas expressivas na imunização do sarampo. “Inúmeros navios europeus pararam na costa brasileira no Carnaval com pessoas com sarampo. Tivemos que entrar nos navios e vacinar cerca de nove mil turistas. Aqueles que estavam com sarampo não puderam desembarcar. Nesse período já havíamos dado o alerta sobre a incidência da doença”, relembra o ministro.

Mandetta disse, ainda, que a população tende a achar que certas doenças são inofensivas e recomendou que as unidades de saúde se organizem para atender as demandas e combater o vírus. “Estamos pedindo reforço nas fábricas para poder abastecer as unidades. Em outubro estamos programando uma grande campanha de vacinação”, revelou o ministro.

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Quanto à febre amarela, que já vitimou quatro macacos da espécie bugio somente em 2019 em SC, Mandetta relatou que houve o registro de episódios em Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e que o deslocamento para o Sul foi, de certa forma, “natural”.

Por outro lado, o ministro destacou, também, que uma única dose da vacina imuniza o indivíduo para o resto da vida. “O Paraná não registrou casos porque fez um excelente bloqueio da doença e acredito que a mesma coisa deve ser feita em SC”.

Sistema Único de Saúde

Com relação à garantia e manutenção do SUS (Sistema Único de Saúde), o ministro ressaltou que o sistema é previsto em constituição e afirmou que, para modificá-lo, uma nova constituição teria que ser convocada.

“As pessoas que torcem contra o Brasil precisam acordar. Está chato, já. É um ‘mimimi’. A eleição acabou e agora vamos trabalhar e todos têm que ser a favor do Brasil. O SUS nunca esteve tão forte. Encontramos um sistema de saúde que, em 30 anos de vida, passou 16 na mão do PT e nunca saiu de blá blá blá. Em seis meses nós já fizemos bem mais”, afirmou o ministro.

Luiz Henrique Mandetta discursou em evento do CRM-SC – Bruna Stroisch/ND

Mandetta comentou, ainda, sobre a criação da Secretaria Nacional de Atenção Primária, projeto, segundo ele, nunca antes visto na história do SUS. De acordo com o ministro, houve o aumento de cerca de 150% no custeio da atenção primária, como no programa Saúde na Hora, que amplia as atividades da atenção básica nos postos de saúde.

Ele apontou, ainda, que Florianópolis foi a cidade que mais aderiu ao programa, que tem como foco as cidades com o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) mais elevado.

Programa Médicos pelo Brasil

Sobre o Programa Médicos pelo Brasil, o ministro declarou que a partir de agora, os profissionais terão que passar por critérios como concurso público, mérito, classificação e especialização em médico de saúde da família e comunidade.

“São 18 mil vagas, sendo que 14 mil são para cidades pobres do Brasil. Esta é a maior política de equidade da história do SUS e a maior campanha de vacinação. No ano que vem nós vamos trabalhar regionalização e média complexidade. Terminaremos o ciclo de governo na alta complexidade”, planeja o ministro.

Mandetta comentou, também, que o programa é destinado às cidades mais pobres e esquecidas do semi árido e das regiões ribeirinhas do Brasil. No entanto, há a possibilidade de ampliação do alcance para outros locais que registrem IDH baixo ou impossibilidade de alocação de recursos humanos.

“O programa Médicos pelo Brasil utiliza os critérios da OCDE e do IBGE que classifica os diferentes ambientes. Não existem critérios políticos, mas sim, técnicos. Santa Catarina tem total condição de conseguir se organizar com os recursos a mais que estamos colocando na atenção básica”, afirma o ministro.

Novo sistema de saúde através da atenção primária

A reestruturação do sistema de saúde através da atenção primária, vem, segundo o ministro, do alerta de que o país teria o ressurgimento de doenças infecciosas. O primeiro ato, conforme Mandetta, foi a criação da Secretária Nacional de Atenção Primária.

Evento com a presença do ministro foi realizado na sede do CRM-SC, ns SC-401, no Norte da Ilha – Bruna Stroisch/ND

“O SUS tem que ter o melhor atendimento de todos. É um excelente negócio ser contratado no SUS. Este ano, vamos apostar na atenção primária, nos concursos, liberdade, poder de ir e vir, carteira de trabalho e na melhor remuneração para aqueles que conquistarem por mérito e estudo a especialidade de médico de família.”

O ministro comentou, ainda, sobre o aumento das faculdades de Medicina, sendo que 70% das vagas, segundo ele, são oferecidas no ensino privado que não tem a mesma qualidade que o ensino público.

“Temos médicos mal formados, endividados e com uma caneta na mão. Isso é um coquetel explosivo para o custo de um sistema de saúde em qualquer lugar do mundo. Estamos entregando 30 mil médicos por ano e as vagas de residência não acompanham esse aumento. Estamos deixando cerca da metade deles sem vagas”, afirma o ministro.

Saúde e pesquisa

O ministro relatou que foi lançado, no último semestre, o estudo brasileiro de genética humana baseado no programa de genética inglês Genomics England. “Vamos reorganizar essa linha de pesquisa. Tentar parcerias com indústrias farmacêuticas no desenvolvimento de produtos. Temos que ir para a vanguarda e isso é a genética. Temos um longo caminho pela frente”, diz Mandetta.

O ministro explicou que haverá uma nova abordagem para doenças consideradas negligenciadas – segundo ele, pelo governo e pelos pesquisadores – como a dengue e a leishmaniose.

“Vamos achar a vacina da dengue no ano que vem. Temos que pesquisar sobre as nossas doenças. A meta é que, em dez anos, a malária seja uma página virada”, finalizou o ministro.

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