Ministro da Saúde quer acabar com refil de refrigerante e saleiro na mesa em restaurantes

Ricardo Barros pode receber advertência ou recomendação de exoneração ao presidente - Valter Campanato/Agência Brasil/Divulgação/ND
Ricardo Barros pode receber advertência ou recomendação de exoneração ao presidente – Valter Campanato/Agência Brasil/Divulgação/ND

NATÁLIA CANCIAN

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, disse nesta terça-feira (13) que a pasta estuda um acordo para retirar a oferta de refil de refrigerantes em redes fast-food. Caso o acordo com as redes não seja concretizado, o governo planeja enviar um projeto de lei ao Congresso.

“Isso é um problema muito grave. Vamos manter a tentativa de um acordo voluntário, senão partiremos para uma ação restritiva”, afirmou.

Segundo Barros, a estimativa é que o país tenha cerca de mil lojas de fast-food que permitem que o cliente “recarregue” os copos de refrigerante. “Pesquisas mostram que aumenta 35% o consumo se a pessoa compra refil”.

O governo também estuda outras ações para deter o avanço da obesidade, como a adoção de “dosadores” de sal e açúcar nas embalagens e a proibição a saleiros na mesa de restaurantes.

“O saleiro já é proibido em alguns países e é um caminho que temos que avançar eventualmente”, afirma Barros.

As propostas foram apresentadas em evento do Ministério da Saúde para divulgar os resultados de um acordo com a indústria para diminuir a quantidade de sódio nos alimentos industrializados.

Foram retiradas 17 mil toneladas de sódio desde 2011, quando o acordo foi firmado. Os dados, porém, ainda ficam abaixo da meta de retirar 28,5 mil toneladas até 2020.

Na última etapa, que envolveu carnes, lácteos e sopas, foram retirados apenas 2.361 toneladas –número menor que as duas etapas anteriores.

“Eu sei que será muito difícil [atingir] essas 11 mil [toneladas restantes]. Em um primeiro momento, era apenas retirar. No segundo momento, é preciso a substituição [por sal com menos sódio, por exemplo]. E em um terceiro, a completa mudança de formulações”, diz o presidente da Abia (Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação), Edmundo Klotz.

A redução da quantidade de sódio, assim, pode demorar mais que nas etapas anteriores. “Mas será feito”, afirma.

Por causa do resultado insuficiente, o ministério anunciou um acordo para que haja nova redução no sódio em categorias já avaliadas, como pães, massas e bisnaguinhas.

“Não podemos descaracterizar produtos. Não esqueçam da expressão ‘comida de hospital’, que ninguém vai comer. É um trabalho muito grande para que possamos ter substitutos e ter alimentos mais saudáveis”, afirma Cláudio Zanão, presidente da Associação das Indústrias de Biscoitos, Massas, Pães e Bolos Industrializados.

Segundo a coordenadora de alimentação e nutrição do Ministério da Saúde, Michele Lessa, a redução de sódio é importante para o controle do excesso de peso e obesidade, fatores de risco para doenças como hipertensão e diabetes. Nesse sentido, o país vai mal: nos últimos dez anos, o índice de adultos com obesidade nas capitais cresceu 60% –passou de 11,8% para 18,9%.

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