Missionários catarinenses a caminho de casa

Guiné-Bissau. Grupo de 10 evangélicos catarinenses que ficou preso na África deve retornar no dia 24

Divulgação/ND

Assistência. Estela Monica Martins (E), Sonia Montanha e Janete Gonçalves

O grupo de 10 missionários financiado pela igreja Assembleia de Deus de São José que estava na Guiné-Bissau deve ser liberado nesta quarta-feira, às 15h. Os evangélicos estão retidos no país, que fica na costa Oeste da África, desde a última quinta-feira (12), quando tropas militares tomaram o poder com um golpe contra o governo civil de Raimundo Pereira e Carlos Gomes – candidato favorito nas eleições presidenciais marcadas para o dia 29. No total são 300 brasileiros no país, segundo o Itamaraty.

A tarefa da equipe, que chegou à África no dia 8, era levar mantimentos para a população guiné-bissauense e pregar os ensinamentos bíblicos ao povo, durante cultos. No domingo (15), eles iriam para a Europa. Mas, após o golpe de Estado, os transportes marítimos e aéreos foram proibidos pelo exército, com ameaças de represália se a ordem fosse subvertida.

Anilton de Sousa Júnior, representante da Assembleia de Deus josefense, disse que conversa diariamente com os “obreiros”, e os relatos são de que a situação no país está pacífica.  “Eles estão seguros, num bom hotel, com água, comida e internet”, disse o pastor. Segundo Anilton, eles devem embarcar hoje, no meio da tarde, no voo Bissau-Lisboa pela companhia aérea portuguesa TAP. “Se tudo correr bem, estarão em Santa Catarina no dia 24”, prevê.

Mas familiares e amigos dos catarinenses – oito moradores de São José e dois de Tubarão – continuam apreensivos. O clima está tenso no país africano, e desde domingo a população protesta contra o regime imposto à força. Muitas pessoas teriam se ferido em conflitos. Na internet há inúmeros depoimentos para os missionários. Jordana Lima, cunhada de Eduardo Soares – um dos membros da ação –, escreveu na sua página virtual que estão todos “orando” por notícias boas. Giselle Bruda pediu novas informações sobre os “irmãos da igreja”.

Religiosos não contavam com golpe

Quando chegaram a Guiné-Bissau, havia rumores do golpe militar no país. O primeiro ministro Carlos Gomes iria disputar a presidência no dia 29, e contava com 59% de aprovação popular. O exército se manifestava contrário a ele. “Como na África têm muitas guerras, os missionários acharam que era boato”, disse o pastor Anilton Júnior, que tem os sogros Sonia e Ezequiel Montanha na expedição.

Pela internet, Eduardo Soares relatou que estava voltando da igreja quando ocorreu um ataque e as pessoas saíram correndo pelas ruas. A sede de São José da Assembleia de Deus patrocina mais 80 missionários pelo mundo, em outros países da África e em Cuba – onde estavam Isaac Martins e Estela Monica Martins, integrantes da missão bissauense.

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