Após reivindicação de estudantes, Moradia Estudantil da UFSC passará por reformas

Ao assinar o termo de ocupação do quarto 316 do bloco B, na Moradia Estudantil da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), a estudante de cinema Vanessa Miranda, 22 anos, sentiu que agora poderá continuar tranquilamente a graduação. Desde março, ela contava com auxílio emergência para pagar o aluguel de um quarto, nas imediações da universidade. Ao todo, 166 alunos moram no local que passará por reformas pontuais reclamadas por estudantes durante a posse do novo reitor, Luis Carlos Cancellier, no dia 10 de maio.

Rosane Lima/ND

Vanessa Miranda conseguiu uma vaga na Moradia Estudantil e deixará de pagar aluguel

Natural de São Paulo (SP), Vanessa prestou vestibular para a UFSC por ser uma das poucas instituições do país a oferecer moradia aos estudantes. “Minha família não tem condições de bancar um aluguel, muito menos de arcar com as despesas de uma faculdade particular. Nossa situação financeira é delicada”, disse a jovem após deixar as malas no quarto para na sequência ir almoçar no RU.

Recém-chegada, Vanessa ainda não cruzou pelos corredores com uma das mais antigas moradoras do prédio, a estudante de nutrição Suellen Dias, 26. Ela está na Moradia há seis anos porque trocou de curso na sexta fase de filosofia e pediu extensão de prazo.

Além de quarto para duas pessoas e cozinha compartilhada para cada quatro alunos, a Moradia tem salas de estudo e de informática e lavanderia. Ciente da importância da conservação, a estudante de Lages lembra que quem está ali é porque realmente precisa. “Existe um estigma de quem mora aqui são os mais pobres da universidade. Tem gente que nem conta que mora aqui devido ao preconceito que sofre”, disse Suellen enquanto trabalhava em seu TCC (Trabalho de conclusão de curso), na sala de informática, onde 12 computadores estão à disposição dos estudantes. “Aqui aprendi a dividir, a respeitar o espaço do outro e me tornei uma pessoa melhor”, disse.

A luta pelo auxílio-moradia

Se por um lado as alunas estão tranquilas porque tem moradia gratuita, por outro o estudante de serviço social José Ricardo do Nascimento, 24 anos, amarga a incerteza de não saber se poderá dar continuidade aos estudos. “Vim de Fortaleza em janeiro e estava trabalhando para pagar os R$ 350 do aluguel de um quarto. Agora estou sem trabalho. Caso não consiga o auxílio de pelo menos R$ 250 para pagar o aluguel terei de desistir do curso”, relatou.

A falta deste tipo de auxílio para os mestrandos fez o botânico Paulo Henrique Soares, 24, desistir da pós-graduação na UFSC. “Voltarei para casa porque meus pais não têm mais como me ajudar. Espero que meu amigo consiga algo”, disse, ao se referir a Nascimento pouco antes do atendimento no Prae (Pró-reitoria de Assuntos Estudantis).

Licitação e reforma emergencial

Desde o início do ano foram abertas apenas 19 vagas para a moradia estudantil. Mas ao todo, segundo o pró-reitor de assuntos estudantis, Pedro Luiz Manique Barreto, 2.073 dos 33 mil alunos da UFSC contam com auxílio moradia, no valor de R$ 250 ou R$ 615. Ao ser questionado sobre a necessidade de aumento na oferta de vagas na Moradia, Barreto lembrou que 25% dos alunos do próximo semestre chegarão à universidade via sistema de cotas e com renda per capita de 1,5 salário, o que é um desafio para os gestores em razão da demanda ser dez vezes maior que a oferta. “Com o atendimento aos alunos que buscam auxílio, a universidade gastará mais de R$ 34 milhões este ano, sendo que a UFSC tem apenas R$ 20 milhões para gastar com esse setor. Ou seja, teremos que tirar do orçamento recursos que teriam outros destinos”, afirmou.

Sobre as reformas pleiteadas pelos estudantes, Barreto disse que, como acordado durante a manifestação, uma equipe da universidade, composta por membros da Secretaria de Ações Afirmativas e da Secretaria de Obras, Manutenção e Meio Ambiente e Prefeitura do Campus foi à moradia universitária para checar as condições das instalações. “Percebemos problemas estruturais em todos os prédios, mas eles estão acentuados no edifício mais novo, onde será necessário impermeabilizar todo o terraço”, detalhou sobre o reparo que precisará ser licitado. As demais melhorias, que são reconstrução de reboco que se desprendeu, manutenção da rede hidráulica e elétrica e pinturas poderão ser realizadas pela própria UFSC. 

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