Moradores temem aumento da poluição no rio Capivari durante a temporada

Atualizado

Apesar dos programas de fiscalização e conscientização ambiental realizados no bairro Ingleses, em Florianópolis, a poluição no rio Capivari continua incomodando moradores e visitantes da praia. O problema é antigo e já resultou na criação de programas ambientais, fiscalização de ligações irregulares, protestos da população e foi motivo de denúncia por parte da AMI (Associação de Moradores dos Ingleses) ao MPSC (Ministério Público de Santa Catarina).

Banhistas atravessam desembocadura do rio Capivari para sair da praia dos Ingleses – Foto: Anderson Coelho/ND

“Esse problema já vem se arrastando há muitos anos. A população cresce muito, de forma desordenada, e não tem sistema de tratamento de esgoto”, conta o presidente da AMI, Ciro Limas. Segundo ele, a preocupação dos moradores agora é o aumento do índice de poluição no verão: “Nessa época, a população praticamente triplica aqui em Ingleses. Agora, imagina todo o esgoto, com todos os turistas, vindo para o rio Capivari”.

A última análise de balneabilidade realizada pelo IMA (Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina), na última segunda-feira (4), indica que a área está própria para banho. No entanto, o ponto em frente ao rio Capivari é o que possui o maior número de resultados impróprios na praia dos Ingleses em 2019. Ao todo, foram 14 análises negativas desde janeiro deste ano. Os resultados positivos começaram a aparecer em maio.

Morador do Estreito, Carlos Alberto Cabral, 55, estava na praia com os amigos ontem. Ele frequenta os Ingleses desde de os anos 1970 e lembra que, naquela época, o rio era limpo e as pessoas se banhavam nele. “Acampamos muito aqui, mas o rio não era assim. Agora, de repente vem um odor de podre. É cheiro de esgoto mesmo”, diz.

Prefeitura e Casan vão fiscalizar ligações de esgoto

A Casan (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento) confirma que a poluição do rio Capivari é um processo gradativo que cresce à medida que aumenta a densidade populacional da região. Na última semana, a companhia lançou o Trato pelo Capivari, que irá fiscalizar ligações de esgoto em imóveis localizados na região próxima ao rio.

A ação contará com dez equipes de fiscalização, um engenheiro e apoio de assistentes sociais. O grupo irá vistoriar mais de 6 mil pontos nos próximos oito meses com o objetivo de reduzir irregularidades constatadas por vistorias do programa Se Liga na Rede, da prefeitura de Florianópolis, em parceria com a Casan. Além disso, também serão promovidas ações educativas junto a moradores e veranistas.

A licitação para escolher a empresa que vai operar o projeto já está em andamento. As propostas devem ser apresentadas no dia 26 de novembro. O grupo Sanear, que reúne a secretaria municipal de Infraestrutura, a Vigilância Sanitária e a Floram, irá oferecer apoio no âmbito técnico e fiscalizatório.

Após a apresentação do programa, a prefeitura solicitou novas ações técnicas à Casan: “Entre elas, o término urgente do SES (Sistema de Esgotamento Sanitário) dos Ingleses. Com a Estação de Esgoto concluída, a prefeitura exigiu a instalação de uma URA (Unidade de Recuperação Ambiental) no rio”, conta o secretário municipal de Infraestrutura, Valter Gallina.

A Casan explica que o Trato pelo Capivari é uma ação complementar ao SES que está em execução nos Ingleses, previsto para entrar em operação em 2020. “Com investimento superior a R$ 84 milhões, a obra já está com cerca de 80% da rede implantada”, diz a companhia.

Apesar das obras, Ciro Limas não acredita que a nova estação de tratamento de esgoto irá resolver o problema no bairro. “Foi feito um fatiamento muito irregular. E esse tratamento é um tratamento terciário, que trata 98% do esgoto. Sobram 2% de esgoto não tratado. Quando você pega um volume muito grande, esse 2% também se torna muito grande. Nós vamos ter mais poluição do que já temos agora”, lamenta.

Atraso na obra

Segundo o secretário Gallina, o SES deveria ficar pronto no próximo mês de dezembro, mas a direção da Casan disse recentemente que a obra será concluída apenas em abril de 2020.

Em resposta, a companhia disse que “o terreno de 100 mil m² onde está sendo construída a estação de tratamento estava invadido ao início das obras. Por isso, a Casan teve de mover uma Ação de Reintegração de Posse na Justiça Comum, o que atrasou o cronograma em quase um ano”.

Mais conteúdo sobre

Meio Ambiente