Moradores, Unisul e PM se unem para coibir assaltos e fake news

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No Bairro Pedra Branca, em Palhoça, moradores, universidade e Polícia Militar estão unidas pra combater, não só os assaltos na região, mas principalmente as fake news compartilhadas na internet. A PM diz que, na rede social, uma ocorrência vira dez. Isso aumenta a sensação de insegurança.

O estopim, que motivou uma campanha contra informações falsas aconteceu na noite de quinta-feira, quando um grupo ainda não identificado estourou seis rojões nas imediações do campus e depois gritou que seriam tiros. Uma “molecagem”, definiu a responsável pela comunicação da Unisul, Cilene Macedo.

Alunos e professores entraram em pânico nas salas de aula. Segundo Macedo, os estudantes se agacharam nas mesas para se proteger deste falso tiroteio: “vieram cinco viaturas para cá, e aí foi descoberto que se tratava de uma brincadeira de mau gosto”.

Segundo o tenente-coronel Dutra, comandante 16o BPM, foi gerada uma ocorrência de disparo de arma de fogo no campus. A PM, que estava com operação de presença no campus não encontrou nenhum vestígio de disparo, e testemunhas relataram que viram os rojões sendo disparados.

“Isso tira a polícia de estar se dedicando a outros problemas. Mas também tira a credibilidade das ocorrências geradas lá. O bairro estava cheio de policiais naquela noite, até o Águia sobrevoou a universidade. Ninguém seria tão insano de efetuar tantos disparos.”

Unisul Pedra Branca, em Palhoça – Marcelo Santos/ND

O medo é real, já que os assaltos a estudantes deixaram os universitários da Unisul em alerta. E cartazes e placas espalhados nas ruas reforçam que é preciso vigilância o tempo todo!.

“Eu me sinto insegura! À noite aqui são só os alunos… E os alunos!” reclama Danúbia Dalmarco, estudante de Direito.

Segundo estudantes que já foram vítimas de assalto, quanto mais longe do campus, maior a apreensão. Nesta rua, em uma única noite, teve dois roubos.

Uma estudante que prefere não ser identificada é uma das vítimas. Ela conta que os bandidos chegaram numa moto, a derrubaram no chão, levaram a mochila com o notebook e não se contentaram só com isso!

“Eles me assaltaram, eu chamei a PM. Enquanto a polícia veio, assaltaram mais uma menina. E lá veio chorando”.

O Diretório Acadêmico está organizando um abaixo assinado em que pede mais segurança no campus e arredores. Tanto a PM quanto a direção da universidade e a própria associação de moradores reclamam que há muitas mensagens falsas circulando das redes sociais. E isso tem gerado uma sensação de temor desproporcional a realidade dos fatos.

Uma das mensagens com informações falsas compartilharas pelo Whatsapp diz o seguinte: “os assaltantes entraram dentro da salas, no prédio entro acadêmico. Viatura tá rodando em volta, mas os assaltantes estão dentro assaltando os estudantes!”.

“No último mês, nós tivemos duas ocorrências na semana passada e mais uma na última terça-feira. Estes são os eventos que tiveram B.O. Eu faço um apelo à comunidade acadêmica que se teve mais alguém que foi vítima ou ameaçado que lavre um BO. As autoridades constituídas estão fazendo a sua parte para tentar desvendar estas questões” informou Ingo Louis Hermann, gerente de relacionamento da Unisul.

A Associação de Moradores também considera que há exageros e informações falsas em muitas mensagens divulgadas pela internet!

“Alguns casos ocorreram e isso se alardeou o que aumenta a sensação de insegurança. Ocorrências aconteceram, infelizmente são naturais num bairro aberto, mas prontamente resolvidas. Elas se concentraram nas duas últimas semanas. Então a sensação foi que estava uma onda de ocorrência ali! E as vezes uma ocorrência viram cinco, dez”, afirmou Kim Cerejo, presidente da Associação de Moradores.

A Polícia diz que intensificou as rondas nos locais em que aconteceram assaltos.

Segundo o tenente-coronel Dutra, a PM tem desencadeado ações em conjunto com a Polícia Civil e a universidade. Dois homens foram presos na semana passada: “direcionamos o policiamento para os pontos mais sensíveis e tentado combater as falsas notícias que têm circulado e acabam atrapalhando. Se alguém tem alguma informação que pode ser útil, que procure os canais oficiais!”

O bairro Pedra Branca tem em torno de 10 mil moradores. E pelo campus da Unisul, circulam também 10 mil pessoas por dia.

A universidade informou que mantém contrato com uma empresa de segurança privada para a área do campus e que possui 15 câmeras de monitoramento. A direção da universidade disse que está buscando formas de minimizar os riscos e prevenir novos crimes!

“Não estou minimizando o impacto desses casos que aconteceram agora, mas efetivamente a Polícia está aí e está fazendo a sua parte. E nós estamos colaborando. Quarta de manhã eu recebi mais de 100 mensagens no meu celular! Esses grupos de fake News que estão divulgando estes acontecimentos de terça pra quarta eu rechaço todos eles! Nós não temos evidências nenhuma deles! Eu não vou trabalhar em cima de algo que disseram que aconteceu”, conclui o tenente-coronel.

Hoje o bairro Pedra Branca já conta com 60 câmeras de monitoramento. O presidente da Associação de Moradores disse que vai dobrar este número nos próximos dois meses.

“Tem que ter noções básicas de segurança, ao entrar, sair de casa. Mas a gente não vive uma onda de assalto”, pondera Kim Cerejo.

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