Morre Erasmo-Nuzzi, 99, com seis décadas de Fundação Cásper Líbero

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Erasmo Nuzzi havia emprestado uma edição de 1813 de um livro para seu ex-aluno e então colega no corpo acadêmico da Faculdade Cásper Líbero, Carlos Costa.

Com o raro exemplar já há certo tempo, recebeu um bilhete. “Já que demorou tanto, pode ficar com o livro. Esta é a sua dedicatória.”

O humor leve aliado a gestos gentis era a marca de Erasmo. Pertencia àquela classe de pessoas que, por sua distinção, conquistava o respeito mesmo dos que discordassem de suas decisões.

Com atuação de 62 anos na Fundação Cásper Líbero, gravou o nome na história acadêmica do jornalismo brasileiro.

Nascido em Guaranésia, Minas Gerais, começou a trabalhar no jornal A Gazeta aos 27, como taquígrafo.

Logo,o diferencial para anotações rápidas permitiu que passasse a atuar como repórter.

Na função, conseguiu uma entrevista exclusiva com Getúlio Vargas -uma proeza, já que, segundo a Fundação, foi o único jornalista a fazê-lo com Getúlio como presidente.

Formou-se em jornalismo em 1953 na Cásper Líbero, onde lecionaria já a partir de 1955. Foi professor de comunicação comparada, história da comunicação, grafotécnica, e diretor da faculdade por cinco mandatos -20 anos, até hoje o diretor mais longevo na função.

Era dono de um estilo formal, fosse na forma de falar ou de se vestir, o que lhe conferia aura garbosa. Isso não implicava em sisudez. Tinha tiradas simpáticas: ao ser aplaudido no início de um discurso, dizia saber que aquele era um aviso para que não se alongasse.

Morreu na segunda (30), aos 99, por falência de múltiplos órgãos. Deixa a mulher, Neide, a filha Georgina e as netas Maria Beatriz e Fernanda.

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