Morte de arquiteto reacende debate sobre projetos para o aterro da Baía Sul

Aterro da Baía Sul revela sinais de abandono. Foto: Anderson Coelho/ND

Lamentada pela comunidade de Florianópolis na última semana, a morte do arquiteto André Schmitt também coloca em destaque o debate sobre um dos principais espaços urbanos de Florianópolis, o aterro da Baía Sul.  Ao lado de oito colegas, Schmitt assinou o projeto Parque Metropolitano Dias Velho, vencedor do concurso público nacional de ideias lançado pela Prefeitura de Florianópolis e pelo IAB/SC em 1997, mas que nunca saiu do papel.

O projeto de Schmitt é apenas um de várias ideias que já foram ensaiadas para o espaço construído em 1972. Com 600 mil metros quadrados, o aterro propiciou a construção da ponte Pedro Ivo Campos, ao lado da ponte Colombo Machado Sales, e visava proporcionar mais espaço para o desenvolvimento urbano e rodoviário da capital catarinense.

O projeto vencedor do concurso previa a aproximação do mar, a integração dos modais, a criação de áreas de lazer e de novos pontos para negócios, gastronomia e entretenimento na região, na área central da cidade. Para voltar a aproximar a população do mar, Schmitt desenhou um canal artificial que seria implantado entre a estação de tratamento de esgoto da Casan e o Centrosul de Eventos. A ideia original criava um pequeno lago em frente ao Mercado Público e a Alfândega, possibilitando que pequenas embarcações pudessem entregar mercadorias como era antigamente.

Conhecedor do projeto assinado por Schmitt, o secretário municipal de Transportes e Mobilidade e arquiteto, Michel Mittmann destaca que o projeto é “motivador” para voltar a discutir a ocupação daquele espaço, para resgatar a proximidade do mar com a cidade, e principalmente, com as pessoas. “É preciso humanizar aquela área”, reconhece.

Palmeiras foram plantadas seguindo o projeto de Burle Marx. Foto: Anderson Coelho/ND 

A Prefeitura de Florianópolis até tentou encontrar uma solução para a região na gestão do prefeito Cesar Souza, depois que uma decisão judicial obrigou o município a retirar do local um comércio de verduras, frutas e legumes (Direto do Campo), o camelódromo e um estacionamento administrado pela Comcap.  Porém, o projeto Passarela Jardim, que utilizava ideias de Burle Marx, dependia da liberação do terreno, que pertence a União, junto a SPU (Superintendência de Patrimônio da União), o que nunca aconteceu.

Projeto de Burle Marx inspirado no Aterro do Flamengo

O projeto do Parque Metropolitano Dias Velho, de André Schmitt, é o segundo projeto urbanístico para a região do aterro da baía Sul. O primeiro é dos anos 1970 e foi encomendado pelo governador Colombo Machado Sales e assinado pelo arquiteto paisagista e artista plástico Roberto Burle Marx.

O projeto teve como referência o aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro, e previa aumentar o espaço na área central, abrigar a sede administrativa do governo do Estado, além de servir também como centro de lazer com quadras de esportes, passarelas e playgrounds, repleta de árvores nativas e palmeiras. Porém, o projeto nunca foi concluído e conservado, sobrando apenas as palmeiras e uma única passarela na Avenida Paulo Fontes.

Além disso, ao longo dos anos, o aterro da Baía Sul foi sendo ocupado por diferentes interesses, que resultaram em obras físicas, como o Centrosul de Eventos, a estação de tratamento de esgoto da Casan e a passarela Nego Quirido. Composto por AVL (Área Verde de Lazer) e ACI (Área Comunitária Institucional), o aterro ainda é ocupado legalmente por equipamentos públicos como Terminal Rodoviário Rita Maria, o Ticen (Terminal Integrado do Centro) e COP (Centro de Operações Policiais) da Polícia Civil.

OS PROJETOS
Parque Metropolitano Dias Velho – André Schmitt (1997)
O projeto sugere um desaterramento parcial, elevando a avenida Paulo Fontes e abrindo um canal para reconduzir o mar na altura da Praça XV e Largo da Alfândega. O projeto também prevê um calçadão exclusivo para pedestres, repleta de bares e restaurantes no térreo de prédios que abrigariam empresas e serviços públicos, se estendendo da Praça XV ao novo miramar e ao cais da cidade. Custo aproximado: US$ 300 milhões.

Passarela Jardim – César Floriano dos Santos e José Tabacow (2013)
Como alternativa ao projeto de Burle Marx, foi projetada uma passarela-jardim de 200 metro de extensão que interligaria o trecho entre o Terminal Urbano e o mar. Além de áreas verdes, abaixo da passarela seriam instalados quadras de esportes, pista de skate, restaurantes e lanchonetes, além de espaços para abrigar um comércio. Custo aproximado: R$ 70 milhões.

Paço Municipal e Passarela Jardim – Prefeitura de Florianópolis (2016)
O projeto prevê 52 mil m² de área construída para contemplar parte das ideias da passarela-jardim, as palmeiras e o petit-pavé de Burle Marx. Prevê áreas de lazer, auditório público e inclui os edifícios da prefeitura, Tribunal de Justiça (TJSC) e do Ministério Público Federal (MPF), com estacionamento subterrâneo e praça de alimentação. . Valor aproximado: R$ 170 milhões.

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