Muito vigor aos 90 anos

Café com strudel. Hoje é dia de festa na casa de dona Wanda Radtke

Rogerio da Silva/ND

Vitalidade. Hábil, dona Wanda faz panos de prato e reforma peças de roupas com a antiga máquina de costura

Hoje, certamente, é dia de festa e muita comida boa na casa de dona Wanda Kühn Radtke, que completa 90 anos. A confortável residência na rua Bagé vai ficar pequena para tanta gente: são quatro filhos (uma quinta filha faleceu precocemente), oito netos e 11 bisnetos. O melhor é que a maioria mora por perto. “Esta rua passa no meio de uma ampla propriedade que sempre pertenceu à família Radtke, e muitos têm casas nas imediações”, explica dona Wanda, com o inconfundível sotaque alemão de quem foi criada na roça, na pequena localidade de Rio Cerro, no interior de Jaraguá do Sul.
Wanda e os oito irmãos se acostumaram cedo à lida no campo e na olaria da família Kühn. “A vida na roça era difícil, todos precisavam trabalhar para ajudar no sustento da família. Íamos para a escola descalços, pois os melhores calçados eram só pra missa”, lembra Wanda. Mesmo na escola, praticamente só se falava alemão. “Só aprendi mesmo o português depois de casar.”
O casamento, com Werner Radtke, veio depois de um namoro bem clássico, sob o rigor da época. O início foi bem prosaico, como recorda dona Wanda: “Conheci o Werner quando vim para o casamento de uma prima em Joinville, mas eu já era noiva. Só que meu noivo morreu oito dias antes da data marcada para nos casarmos. Quando o Werner soube, já começou a me escrever. Ele chegava a mandar três cartas por semana!”
O namoro ia assim, meio por correspondência, até o dia em que Werner tomou coragem e avisou que no fim de semana iria até Rio Cerro conhecer a família de Wanda. Era a hora da verdade. “Meu pai viu de longe e logo soube que era o Werner, pois ali todo mundo era conhecido. Ainda bem que ele foi bem aceito e pudemos namorar”, conta Wanda, admitindo uma certa apreensão pela recepção que o namorado teria. O namoro exigia bastante sacrifício: Werner pegava o trem em Joinville, descia na estação de Jaraguá e precisava caminhar 14 quilômetros até a casa da amada. “Naquele tempo não tinha ônibus, o jeito era gastar sola de sapato ou ir de carroça até a cidade.”

“A vida na roça era difícil, todos precisavam trabalhar para ajudar no sustento da família. Íamos para a escola descalços, pois os melhores calçados eram só pra missa.”

Arquivo pessoal/Divulgação/ND

Feliz união. O casamento de Wanda e Werner, em 1947; depois, as bodas de ouro, em 1997

 

O fim das caminhadas
Werner finalmente largou das pernadas até Rio Cerro quando os dois se casaram, no dia 8 de fevereiro de 1947, e se estabeleceram no mesmo local onde Wanda está até hoje, no bairro Anita Garibaldi. Torcedor ferrenho do Caxias, Werner Radtke trabalhou muitos anos na Wetzel. Morreu em 2001, de um infarto fulminante.
Wanda passou a morar com uma filha, tendo outra já na casa ao lado. Todas as casas dos Radtke, claro, têm portões comunicando uma com a outra. As mãos firmes e hábeis de dona Wanda manejam uma tradicional máquina de costura, de onde saem panos de prato e roupas reformadas. Demonstrando uma vitalidade invejável, a matriarca também continua pilotando o fogão, de onde saem quitutes que aprendeu a fazer no tempo da roça. Hoje, com certeza, alguns deles estarão sobre a mesa no café da aniversariante.
A grande família, por sinal, vai crescer em breve, pois a neta Josiane está grávida de gêmeos.
Parabéns, dona Wanda, pelos 90 anos bem vividos.

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