Mulher agredida por PM’s em Mafra: Três meses depois, investigação ainda não foi concluída

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Mulher agredida por PMs em Mafra: três meses depois, investigação ainda não foi concluída

Silvana de Souza teve a perna quebrada durante ação da Polícia Militar e até hoje não conseguiu voltar ao trabalho

90 dias. Esse foi o tempo que se passou desde que a costureira Silvana de Souza teve a perna quebrada por policiais da Polícia Militar de Santa Catarina. Apesar de tanto tempo ter se passado, até hoje ela não teve sequer uma resposta.

Silvana de Souza foi agredida no dia 19 de fevereiro e caso veio à tona um mês depois – Foto: Arquivo PessoalSilvana de Souza foi agredida no dia 19 de fevereiro e caso veio à tona um mês depois – Foto: Arquivo Pessoal

O caso aconteceu em Mafra, no Planalto Norte catarinense, no dia 19 de fevereiro, mas só veio à tona um mês depois, com a divulgação do vídeo que mostra o momento em que Silvana, sem oferecer qualquer resistência à abordagem policial, recebe uma rasteira e tem a perna quebrada.

Três meses e 13 pinos na perna depois, nenhuma conclusão. Embora o prazo legal seja de 40 dias, podendo ser prorrogado por mais 20, o inquérito policial militar instaurado para investigar a atuação dos policiais ainda não foi concluído.

De acordo com a Corregedoria Geral do Estado, o IPM 243/2020 foi instaurado pela 2ª Região de Polícia Militar, responsável pela região de Mafra, mas “se encontra relatado pelo encarregado e aguardando solução do Comandante da 2ª RPM. Após solucionado, o inquérito policial militar será encaminhado à Vara de Direito Militar para providências decorrentes”, informa.

Enquanto isso, os policiais envolvidos na ação continuam trabalhando nas ruas da cidade. Segundo o comandante da Guarnição Especial de Mafra, tenente-coronel Marcelo Pereira, os policiais “estão na polícia, aguardando o resultado do inquérito”. O comandante afirma ainda que aguarda o resultado do inquérito e uma decisão superior.

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O caso foi remetido à 5ª Promotoria de Justiça da Capital depois que o procedimento foi instaurado na 3ª Promotoria de Justiça de Mafra, onde iniciaram as investigações a respeito de possível crime militar. Em todas as esferas, o resultado do IPM é aguardado.

De acordo com Geison Carlos Fuchs, advogado de Silvana, a defesa da vítima aguarda a conclusão do inquérito policial militar para mover uma ação contra o Estado.

“Não posso sair sozinha, não posso trabalhar, não posso fazer nada e para eles, nada mudou”

As fraturas da fíbula e tíbula ainda provocam dor e limitam a vida de Silvana de Souza. Mas, para ela, a dor de ver os policiais nas ruas enquanto sua vida foi completamente alterada é o que mais dói.

“É muito ruim, dói muito e me sinto péssima porque eu acho uma grande injustiça. Eu estou passando por uma situação difícil e ver eles na rua, com a vida normal, sabendo que a minha mudou totalmente, é muito difícil. Não posso sair sozinha, não posso trabalhar, não posso fazer nada e para eles, nada mudou, continuam com a mesma rotina. Isso é o que mais dói”, fala.

Três meses depois, Silvana carrega as marcas da cirurgia para implantação de pinos – Foto: Arquivo PessoalTrês meses depois, Silvana carrega as marcas da cirurgia para implantação de pinos – Foto: Arquivo Pessoal

Desde que foi jogada no chão e ouviu a perna quebrando no quintal da própria casa, Silvana não conseguiu trabalhar. Costureira, ela está há três meses sem conseguir renda porque ainda sente as dores na perna quebrada.

Com um atestado médico de quatro meses, que deve ser renovado por mais dois ou três na próxima consultada, agendada para o dia 27 de maio, Silvana não conseguiu sequer passar por perícia para receber o auxílio previdenciário.

A situação da pandemia do coronavírus impediu a perícia na Previdência Social e, sem isso, ela continua sem renda. Morando com a mãe, o único dinheiro que tem entrado em casa é da aposentadoria que, descontados os empréstimos, sobram apenas R$ 700.

“Nós temos contas para pagar, precisamos de comida e está bem complicado. A sorte é que não pagamos aluguel e que há pessoas fazendo doação de cestas básicas”, diz. Além disso, o auxílio emergencial solicitado por ela continua em análise.

A costureira conta que as dores são constantes enquanto o quadro evoluí. Hoje, ela consegue apoiar o pé no chão, mas o inchaço e a dor são permanentes. A fisioterapia ainda não iniciou e ela acredita que deve ser encaminhada também na próxima consulta médica.

“Já posso encostar o pé no chão e, no dia que eu tenho que fazer alguma coisa, movimentar mais, dói muito. Esses parafusos são permanentes, vou ficar com isso na perna e tenho que estar atenta, cuidar para que meu organismo não rejeite”, lembra.

Silvana conta que já viu os policiais na rua e que isso reforça a sensação de injustiça. “Na mesma semana eu vi um deles na frente de uma escola, trabalhando. Sempre tem gente me falando que viu um ou outro na rua. “Eu tenho muito medo. A gente não pode fazer nada. A Justiça que nós sempre esperamos que faça, não faz e, quando faz, é muito lenta”, lamenta.

16 Comentários

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  • Ivo
    Ivo
    Acho melhor essa mulher se mudar para outra casa longe daí. Nada impede que haja uma queima de arquivo "por engano"...
  • Joao Eduardo
    Joao Eduardo
    Blá blá blá blá, ninguém aqui estava lá, o Policial foi conter a mulher que obstruiu o andamento de uma ocorrência, inclusive mordeu o Policial e por uma fatalidade ocorreu esse fato. Se fosse uma pessoa correta, teria atendido a ordem, cooperado e caso após isso se sentisse prejudicada, poderia buscar seus direitos, mas não, pensou em ganhar no grito e se ferrou, agora chore e arque com as consequências, parabéns aos Policiais.
  • Maurilio Silva
    Maurilio Silva
    POLICIAL não é isso POLICIAL bandido sim Como o sujeito pode fazer uma coisa dessas, não importa o que foi fazer, faça cumprir a lei em quem infringiu A mulher a ok em de indefesa estava desarmada Ainda que ela falou algo que desacatasse, ele daria voz de prisão e apresentaria ia delegado do plantão! Tem que meter em cana, esses lixos não são policiais!

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