Mulheres trans atacadas nos Ingleses foram abordadas por homens em carro

Atualizado

A Polícia Civil informou, nesta quinta-feira (6), que trabalha com a hipótese de que dois homens em um carro atacaram as duas mulheres transexuais, no bairro Ingleses, em Florianópolis.

Isabelle Colstt foi esfaqueada e morreu no local – Foto: Divulgação/ND

Uma delas, Bruna Andrade, de 30 anos, foi levada ao hospital e permanece internada. A outra vítima, Isabelle Colstt, de 27 anos, foi esfaqueada e morreu no local. Os crimes ocorreram por volta das 4h, de terça-feira (4). Os autores, no entanto, ainda não foram identificados.

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Conforme o delegado Enio de Oliveira Matos, da Delegacia de Homicídios da Capital, a polícia já coletou depoimentos sobre o crime. A suspeita é de que dois homens desembarcaram de um carro, próximo às vítimas, enquanto elas andavam na rua e as atacaram. As duas eram moradoras do bairro.

Sem divulgar mais detalhes sobre a linha de investigação, o delegado informou que a polícia trabalha “com todas as possibilidades”.

Identidade das vítimas

Informações iniciais divulgadas pela Polícia Militar e Polícia Civil indicavam que as vítimas do ataque eram dois homens.

A ADEH (Associação em Defesa dos Direitos Humanos), que atua em Florianópolis, emitiu, nesta quinta-feira, uma carta de repúdio por causa do tratamento dado pelo delegado Enio Matos à identidade das vítimas.

A carta destaca que o delegado “omitiu a informação de que seriam duas mulheres trans e informou apenas o nome morto das vítimas, desrespeitando as suas identidades de gênero trans”.

Em março de 2017, o delegado foi afastado da investigação do assassinato da transexual Jennifer Célia Henrique por causa de uma entrevista na qual descartou a possibilidade de transfobia e afirmou que o motivo seria “uma transa mal acertada”. O crime ocorreu próximo a um supermercado na SC-403, nos Ingleses, Norte da Ilha.

A reportagem tentou contato com o IGP (Instituto Geral de Perícias), para confirmar a identidade da vítima que morreu. O Instituto, porém, só repassará a informação na parte da tarde.

Contraponto

O delegado Enio Matos, da Delegacia de Homicídios da Capital, disse que recebeu o boletim como sendo dois homens e que teria sido registrado conforme os documentos recolhidos. Sobre a carta de repúdio da ADEH, o delegado informou que “não tem nada a declarar”.

A PM no Norte da Ilha disse que o release encaminhado à imprensa foi feito com base nas informações da qualificação (como constava nos documentos), então por isso foi repassado como “dois homens”, mas que está correto que se tratavam de duas pessoas trans.

Polícia