Mundo moderno e tecnologia trazem desafios diários aos pais 

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Viver na era da tecnologia da informação é fascinante e abre novos caminhos para a educação, o trabalho e a vida em sociedade. Ao mesmo tempo, traz muitos desafios para os pais na criação dos filhos, especialmente com a facilidade de acesso a diversos tipos de conteúdos na internet e a disponibilidade de telefones celulares, tablets e outros aparelhos eletrônicos.

“Com tanta maldade por aí, não dá para deixar as crianças usarem livremente e sozinhas, e o controle deve ser proporcional à idade”, explica José Alberto Wobeto, representante nacional da Escola de Pais em Santa Catarina, associação que se dedica a aprimorar a formação dos pais, educadores e cuidadores há 56 anos no Brasil.

Para Wobeto, é função dos pais controlar tanto o conteúdo quanto o tempo que a garotada passa no celular, em tablets e computadores. Estudos indicam que até os três anos de idade não deve haver nenhum acesso a telas. “Não podemos voltar ao tempo em que não havia smartphones e internet, mas não há razão para uma criança de até cinco anos ter um celular. Se os pais souberem se controlar e derem mais atenção à criança, valorizando outras atividades lúdicas, naturalmente ela dará menos atenção a esses aparelhos”, afirma Wobeto.

Novos desafios

Falar parece fácil, mas por que, na prática, tudo parece tão complicado? Segundo Wobeto, saímos de uma geração em que a criação era feita de forma bastante repressiva para outra realidade muito mais permissiva. O resultado é uma nova geração um tanto perdida, porque não teve limites suficientes. “Os extremos nunca são bons, e a falta de limites pode ser tão ou mais prejudicial do que antes”, analisa.

Outra questão que impacta na dificuldade dos pais é que as crianças e adolescentes de hoje têm muito mais acesso à informação. Por isso, são mais questionadores. “Muitos pais não sabem como lidar com isso. Antigamente, o desafio era trabalhar a questão do afeto, do carinho; hoje, a dificuldade continua sendo a educação, mas na forma como podemos dar um encaminhamento seguro aos nossos filhos”, aponta Wobeto.

Mídia não é o centro dos problemas

Embora seja comum apontar o dedo para a mídia como vilã da educação, o problema não está aí. “A questão primordial é como lidamos com ela. Os pais precisam em primeiro lugar dar o exemplo, não exagerando no período de uso do celular e dedicando esse tempo às crianças”, analisa o representante nacional da Escola de Pais.

Outra cena comum é entregar o celular para a criança no restaurante. “Os pais fazem isso para não se incomodarem, mas faz parte da educação ensinar a se comportar em público”, diz.

É preciso voltar ao básico, a exercer o verdadeiro papel de pai e mãe, o que não é fácil com as exigências do mundo moderno e das atribulações do trabalho. “Passe valores e as orientações adequadas e preste atenção ao seu filho, perceba quando algo não está bem, quando ele tem dificuldades. O que as crianças precisam não é de celular, é de pais que se amam e dão o exemplo”.

Para muitos, o medo maior está no período turbulento da adolescência. Mas Wobeto assegura que é apenas mais uma fase, com diferentes desafios. “O que se colhe na adolescência é o que foi plantado na infância. O principal é estar presente e ser companheiro para que eles continuem confiando em você”.

Pai atento

Não há receita pronta para criar um filho. Mas podemos aprender uns com os outros e ir ajustando a rota durante o percurso. É o que faz o analista de TI e músico Francisco de Assis da Silva Junior, 37 anos, que encontrou seu próprio caminho da paternidade e segue muito bem.

Francisco de Assis da Silva Junior e a filha Connie Jaehrig da Silva – Divulgação/ND

Pai da adolescente Connie Jaehrig da Silva, de 15 anos, ele conta que a fase logo após o nascimento foi bastante assustadora. “É uma fase linda, mas assustadora. Ainda bem que a avó materna dela estava presente e ajudou, foi um apoio muito importante”, avalia. “Hoje, os desafios estão mais relacionados à tomada de decisões, ajudar a assumir responsabilidades e estar aberto para conversar sobre questões que são fundamentais para essa nova geração, como às relacionadas a gênero, que não eram uma preocupação na nossa época”, diz.

Francisco se separou da mãe de Connie quando ela tinha cinco anos, mas nunca deixou de participar da vida da filha. “Sempre fui muito próximo e ela manifestava a vontade de morar comigo, o que aconteceu novamente em 2018. Vivemos eu, minha noiva e ela. Acho que há um preconceito injusto em relação a homens solteiros criarem seus filhos”, opina.

Regras e responsabilidades

Para a rotina funcionar, todos colaboram. “Ensinei ela a cozinhar, a ajudar nas tarefas da casa e estabelecemos horários para uso de celular e internet”, explica Francisco. A regra básica é não usar o celular durante as refeições, o que é seguido por todos na casa. “Antes tínhamos as quartas-feiras sem tecnologia, usando o tempo para ler, ouvir música, etc”, conta.

Como o pai, Connie gosta de música, toca violão e faz teatro e os dois também jogam videogame e saem juntos. “Quando as coisas saem dos eixos, sentamos e conversamos sobre obrigações e horários. Ela é muito inteligente, tem pensamento crítico e é educada. Estou muito orgulhoso da pessoa que ela está se tornando”, diz Francisco. “Se eu pudesse dar alguma dica para os pais seria conversar sempre porque com repressão a diferença é que eles vão acabar fazendo algo sem você saber”.

Como enfrentar a turbulência

  • aproveite cada idade e cada fase da vida dos filhos
  • conheça as famílias dos amigos do seu filho
  • estimule atividades lúdicas e proporcione outros ambientes sem o uso de aparelhos eletrônicos
  • controle o uso de internet e redes sociais de acordo com a idade da criança
    estabeleça limites e regras
  • converse bastante
  • estar presente é o mais importante

Contato: http://escoladepaisgrandefloripa.org.br

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