Museu Victor Meirelles abre nesta quinta-feira exposição com pinturas do artista fllorianopolitano

Pintor florianopolitano que morou durante grande parte da vida no Rio de Janeiro, Victor Meirelles (1832-1903) também registrou com seus pincéis as belas paisagens e geografia particular da Cidade Maravilhosa. Parte desses registros históricos estará exposta a partir de hoje na Capital na mostra Araújo Porto Alegre, Victor Meirelles e Agostinho da Motta: Paisagem e Memória, que traz para a Capital obras do artista catarinense que até então nunca estiveram em Florianópolis – as pinturas vêm do acervo do MnBA (Museu Nacional de Belas Artes), no Rio de Janeiro.

Eduardo Valente/ND

Exposição com obras de Victor Meirelles retrata paisagens de Florianópolis e do Rio de Janeiro

“Tal ineditismo também confere em uma oportunidade para os moradores da Ilha conhecerem obras que nunca estiveram na cidade. O que norteia a curadoria da exposição é a relação entre paisagem e memória, o exercício da pintura da paisagem como memória afetiva das trajetórias dos pintores na construção do inventário pictórico da arte brasileira”, conta Mônica Xexéo, diretora do MnBA e curadora da exposição. Ela também ministra uma palestra na Capital amanhã.

A mostra, que marca o retorno do circuito de exposições do Museu Victor Meirelles, equipamento que está em sede temporária desde abril deste ano para obras de restauração e ampliação, também traz para Florianópolis obras de dois artistas contemporâneos ao pintor catarinense: o gaúcho Manuel de Araújo Porto Alegre (1806-1879) e o carioca Agostinho da Motta (1824-1978), ambos pintores ligados à Academia Imperial de Belas Artes, em que o próprio Meirelles foi aluno e depois mestre – Motta e Meirelles também foram bolsistas da academia na Europa.

Integram a exposição nove obras, sendo três estudos de panoramas, com dimensão de quase dois metros de comprimento – cada panorama foi pintado por um dos artistas. Das nove obras, que têm diferentes tamanhos, cinco foram pintadas por Meirelles, três por Porto Alegre e uma por Motta. “Não são somente paisagens do Rio de Janeiro. Em três obras Meirelles retrata o Rio de Janeiro e em outras duas, paisagens de Florianópolis, enquanto as obras de Porto Alegre trazem paisagens italianas”, acrescenta Mônica.

Telas de grandes dimensões

A exposição também celebra os 184 anos do nascimento de Victor Meirelles, que nasceu em agosto de 1832, através de uma das principais especialidades do artista, que é a produção de panoramas. “Victor tem panoramas famosos e é reconhecido por pintar em telas de grandes dimensões. A mostra com obras vindas do MnBA trabalha com uma temática instigante e pertinente no século 19”, pontua Lourdes Rousetto, diretora do Museu Victor Meirelles. Além da exposição, o Museu Victor Meirelles também promove uma série de ações gratuitas, como palestras e mostras.

Versatilidade artística

Entre as paisagens do Rio de Janeiro retratadas por Victor Meirelles estão vistas do Pão de Açúcar e da praia do Botafogo, do Morro Santo Antônio e das Ilhas das Cobras, e do Corcovado e Maciço da Tijuca. “Ele sempre se interessou por paisagens, as desenhava desde jovem, mesmo antes de entrar para a Academia Imperial de Belas Artes. E apesar de ser reconhecido por ser retratista e pintor de história, nunca abandonou a paisagem”, explica Mônica Xexéo.

A pesquisadora acrescenta que o pioneirismo de Victor Meirelles também é consequência da singularidade de sua produção. “Ele foi o primeiro artista brasileiro a expor no Salão de Paris, em 1861. Morou durante oito anos na Europa. Victor foi um dos pintores mais expressivos do século 19 e trabalhava bem as obras de grandes dimensões. Exemplo é a ‘A Primeira Missa no Brasil’, o que era o gosto da época. Entretanto sua produção é vasta e versátil, também produzia obras pequenas e delicadas”, conclui a curadora.

O quê: Exposição Araújo Porto Alegre, Victor Meirelles e Agostinho da Motta: Paisagem e Memória

Quando: Abertura hoje (18/08), às 17h. Até 10/12, de terça-feira a sexta-feira, das 10h às 18h; e sábados das 10h às 14h

Onde: Museu Victor Meirelles (sede provisória), rua Rafael Bandeira, 41, Centro, Florianópolis, tel.: 48 3222-0692

Quanto: Gratuito

 

Semana Museu Victor Meirelles

18/08

17h:
Abertura da exposição Araújo Porto Alegre, Victor Meirelles e Agostinho da Motta: Paisagem e Memória
18h: Pocket show com François Muleka


19/08


15h:
Palestra “Victor Meirelles: Pintor de Panoramas” com Mário César Coelho (pesquisador e professor da UFSC
16h: Palestra “A Paisagem por três artistas do século 19: Araújo Porto Alegre, Victor Meirelles e Agostinho de Motta, com Mônica Xexéo

24/08

17h: Mostra com videoarte “Intersecções com a Paisagem”, com curadoria de Juliana Crispe

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