Natural do Pará, jovem morta a facadas morava há menos de um mês em Joinville

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Devastadora. É assim que a família de Tainah Carneiro de Castro, 23 anos, define a notícia da morte da jovem que foi esfaqueada na manhã deste domingo (29), em Joinville, no Norte do Estado.

Tainah foi assassinada na manhã de domingo – Foto: Redes Sociais/Divulgação/ND

O crime ocorreu por volta das 6h, no bairro Petropólis, zona Sul da cidade. Tainah estava em casa quando foi atingida por golpes de faca no tórax e no pescoço.

A jovem chegou a receber atendimento, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no local. Segundo a Polícia Militar, o autor dos golpes foi o companheiro dela, Renan Sidney Rodrigues Gonçalves, 21 anos. Após o crime, ele tentou cometer suicídio.

Para Claúdia Mota, tia da vítima, o sentimento é de dor. A sobrinha era filha única e de uma família de classe média de Belém, capital do Pará.  Independente e apaixonada por esportes, Tainah tinha acabado de se formar em educação física.

“Ela nasceu em berço de ouro. Muito apegada ao pai, que é professor de uma universidade daqui, ele sempre fez de tudo para ela. Além disso, ela era uma menina muito doce e meiga”, conta.

Proposta de emprego trouxe casal para Joinville

Segundo a tia, Tainah e Renan estavam juntos há aproximadamente um ano e nove meses. Ele foi o primeiro namorado sério da jovem.

Faz alguns meses que os dois passaram a morar juntos. A impressão que tinha a tia era de que o rapaz fosse atencioso e protetor, uma vez nunca havia presenciado uma briga ou discussão entre eles.

Tainah também nunca chegou a contar para família se havia algum tipo de conflito com o namorado.

Apaixonada por esportes, Tainah era recém formada em educação física – Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação/ND

A mudança do casal para Santa Catarina ocorreu em 2 de março. Renan consegui um emprego em Joinville e Tainah o acompanhou.

“Ela também estava em busca de emprego, mas não tinha dado certo e ela estava pensando em voltar para Belém. Ela até chegou a contar para a mãe dela que estava com a passagem comprada para voltar no dia 7 de abril. Porém, após a notícia deste domingo, tudo mudou”, conta a tia muito abalada com a morte da sobrinha.

O último contato de Tainah com a família ocorreu no sábado (28). Em mensagem para parabenizar a mãe, ela informou que estava tudo bem, que morria de saudade e que logo estava de volta. A jovem aproveitou para agradecer a mãe “por tudo”.

“‘Há uma comoção muito grande na cidade. Todo mundo conhecia ela e a família dela, então, foi um choque. Agora, tudo que a gente quer é justiça diante do que aconteceu com ela”, completou.

Governo do Pará ajudou no translado da jovem

Por conta da pandemia do coronavírus, a família de Tainah teve problemas quanto ao translado do corpo até a capital paraense. Nas redes sociais, Marcelo Castro, pai da vítima, fez um apelo ao governador do Estado para que ele o auxiliasse no translado do corpo.

Governador Helder Barbalho, não temos mais a quem nos socorrer e estamos pedindo sua ajuda!Nossa Filha Tainah Castro…

Publicado por Marcelo Castro em Domingo, 29 de março de 2020

O pedido chegou até o governador Helder Barbalho que atendeu ao apelo. Por meio de uma publicação no twitter, ele disse que se solidarizava com os familiares a respeito do caso.

A previsão é de que o corpo da jovem chegue na tarde desta segunda-feira (30) em Belém. Já o velório ocorrerá na manhã de terça-feira (31).

Homenagens nas redes sociais

A morte de Tainah, recém-formada em educação física, chocou amigos e familiares. Nas redes sociais, mensagens de luto e de saudade inundaram o perfil dela.

A Diretoria da Escola Superior da Amazônia, onde ela cursou Educação Física, lamentou a morte da ex-aluna por meio de nota.

A Procuradoria Especial da Mulher, da Assembleia Legislativa do Pará, também emitiu nota pelo assassinato. Na publicação, o grupo expressa solidariedade aos amigos e familiares da vítima e destaca que repudia “todo ato de violência contra a mulher, mantendo-se firme no combate, prevenção e enfrentamento a tais crimes”.

Autor segue internado no hospital

Após o crime, Renan tentou cometer suicídio. Segundo a Polícia Militar, ele apresentava perfurações no pescoço. Após receber atendimento, ele foi levado ao Hospital São José, onde segue internado.

Testemunhas informaram à polícia que o casal havia discutido na madrugada.

Segundo a delegada Débora Mariani Jardini, o rapaz passou por cirurgia e está em recuperação no hospital sob escolta policial. Ele deve prestar depoimento assim que receber alta. A prisão em flagrante já foi convertida em preventiva.

Ao que tudo indica, Renan não tinha histórico de registros relacionados à violência doméstica.

As investigações serão tocadas, a partir de agora, pela Delegacia de Homicídios de Joinville. O caso está sendo tratado como feminicídio.

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