“Nem mil anos na cadeia vão apagar a dor”, diz mãe de Letícia de Quadros

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Faltava cerca de uma hora para o início do júri, quando os familiares de Letícia de Quadros, de 16 anos, já aguardavam na frente do Fórum da Comarca de Chapecó para acompanhar a sessão. Com camisetas estampadas com a foto da adolescente eles pediam por justiça.

Letícia era casada há dois anos e foi morta dentro de casa pelo enteado, de 20 anos, que senta no banco dos réus na tarde desta sexta-feira (18). Em 16 de setembro de 2017, segundo a investigação, o homem foi até a casa da adolescente e matou a menor com sete golpes de faca na barriga e no pescoço. Ela estava sozinha e morreu na cama.

Emocionada em frente ao Fórum, a mãe da adolescente, Silvana Aparecida Correa Quadros, aguardava o início da sessão e disse que a família implora por justiça.

“Justiça é o que eu mais quero. Tenho sofrido muito até hoje. Ele levou o que eu tinha de mais precioso na vida. Não é só eu quem pede justiça, é os irmãos dela, o pai dela, os familiares”, disse a mãe.

Silvana mãe da vítima – Foto: Reprodução/ND

A filha chegou a relatar a mãe que não gostava do réu. O homem fugiu logo após o crime, mas foi preso quatro dias depois no trabalho. A mãe não aprovava o relacionamento da menor.

“Todo sábado ela ia lá em casa e eu falava ‘Letícia volta a morar com a mãe, você faz falta aqui, seu lugar é aqui’, mas ela dizia que não, porque amava ele”, lembrou.

Os depoimentos das testemunhas são exibidos aos jurados, cinco homens e duas mulheres. A família de Letícia contratou uma assistente de acusação para auxiliar a promotoria e espera pela condenação que pode ser de 12 a 30 anos de prisão.

“Espero que a justiça seja feita hoje, porque a dor que ele deixou em meu coração, nem que ele fique mil anos na cadeia não vão apagar a dor. Foi muita covardia o que ele fez com a minha filha”, disse Silvana.

O julgamento começou às 13h30 e deve durar aproximadamente oito horas. O juiz da 1ª Vara Criminal de Chapecó, Jeferson Vieira, preside a 29ª sessão realizada neste ano.

“O réu será novamente interrogado durante a sessão e terá a oportunidade de apresentar a sua versão dos fatos. A prisão preventiva foi decretada logo após a conclusão das investigações. No caso dele vir a ser condenado, o tempo que ele permanece em prisão preventiva é computado como pena cumprida”, disse o magistrado.

Preso há dois anos, o réu responde por homicídio qualificado por emprego de meio cruel por uso de recurso que dificultou a defesa da vítima.

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