“Ninguém consegue entender”, diz amiga da família encontrada morta em Chapecó

Atualizado

“Eu não sei de onde o Michael arrumou forças para dar um tiro na filha e na esposa dele. Ele era um guri tudo de bom”, diz Fátima de Oliveira, de 56 anos, que é comadre da mãe dele.

A mulher parecia não acreditar no que tinha acontecido enquanto aguardava a remoção dos corpos do apartamento 301, do bloco D.

Familiares e amigos aguardavam a perícia e remoção dos corpos do apartamento – Foto: Willian Ricardo/ND

A polícia afirmou que há indícios de que Michael Ribeiro de Gois, 32 anos, teria atirado na esposa, Eliane Mayeski, 27 anos, e na filha, Elisa Mayeski, 3 anos. Em seguida, teria se suicidado com um tiro na cabeça. O crime ocorreu na quarta-feira (6).

Fátima diz que conhecia Michael desde criança, pois eram vizinhos no bairro Eldorado, em Chapecó.

“Ele era calmo, tranquilo, tudo de bom. Um filho maravilhoso. Parecia ser um excelente marido. Ele e a Eliana se davam bem, pelo que nós percebemos”, relembrou. 

Michael e Eliane namoraram por três anos e estavam casados há cinco, totalizando oito anos de relacionamento. Juntos, tiveram Elisa – filha única do casal. Pelo olhar dos amigos, eles supostamente tinham um bom relacionamento. 

“Muita tristeza. Não sabemos o que aconteceu com eles. Ninguém consegue entender. Uma coisa dessas ninguém esperava”, lamentou Fátima que tentava consolar a mãe de Michael.

Michael, Eliane e Eliza – Foto: Arquivo pessoal/Divulgação

Ao lado de Fátima estava Cristiane de Almeida, prima de Michael. Abalada e sem entender a situação, buscava informações sobre os últimos momentos do casal.

“Ele era uma pessoa super calma, que você sempre queria por perto. A vida deles sempre foi de trabalhar. Estamos nos perguntando o por que de tudo isso”, contou a prima. 

Cristiane reafirmou que o casal parecia ter um relacionamento estável e, aparentemente, sem discussões.

Investigação

O delegado da DIC, Vagner Papini, disse que abriu inquérito no dia do crime e que vai solicitar os exames periciais feitos pelo Instituto Geral de Perícias.

“Aparentemente trabalhamos com dois crimes: são dois homicídios qualificados pelo feminicídio seguidos de um suicídio. No entanto, cabe ressaltar que esta é apenas uma das hipóteses”, destacou Papini.

Corpos 

Os corpos de Eliana, Eliza e Michael foram encontrados no fim da manhã de quarta-feira no apartamento onde moravam, na Rua São Pedro, no bairro Presidente Médici, em Chapecó.

Corpos foram retirados do apartamento por volta das 16h – Foto: Willian Ricardo/ND

Michael foi encontrado ao lado do berço onde Eliza dormia. Eliana estava na cama do casal. Todos possuíam ferimentos de tiros. Vizinhos disseram que ouviram barulhos no fim da madrugada, por volta das 6h10, mas que não relacionaram a disparos. 

O diretor da empresa onde Michael trabalhava, Valdemar Lorenzon Júnior, disse que estranhou a falta do funcionário, por isso foram procurá-lo. A polícia foi acionada e entrou no apartamento – momento em que localizou os corpos.

“Michael era exímio colaborador há 13 anos. Exemplo de paciência e tolerância”, lamentou o gestor. 

A Polícia Civil informou, no fim da tarde, que uma carta foi encontrada dentro de uma gaveta no quarto do casal, durante perícia no apartamento. O conteúdo da carta não foi divulgado oficialmente. O revólver 38 que estava com Michael também foi apreendido e será periciado. 

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Família

A família morava em um apartamento de dois quartos no condomínio Spazzio Di Primavera. Eles planejavam mudar em dezembro para um apartamento maior que compraram no bairro Saic.

Moradores ouviram barulhos no fim da madrugada no apartamento – Foto: Willian Ricardo/ND

O síndico do condomínio onde a família morava também disse que nunca presenciou discussões entre o casal.

“Ele parecia ser um cara tranquilo. Nunca o vi alterar a voz com a criança ou com a esposa”, afirmou Vanderlei Sbaraini.

Nas redes sociais, a família compartilhava fotos de momentos importantes, como o de uma viagem ao litoral, de pescarias e dos encontros familiares.

Michael, Eliza e Eliana – Foto: Arquivo pessoal/ND

Agora, as postagem felizes dão lugares a homenagens de amigos e familiares, como a de ‎Anamar Stumpf que publicou uma foto junto com o casal‎.

“Descanse em paz, sentimos muita tristeza em saber dessa notícia trágica. É desses sorrisos que vamos nos lembrar”, escreveu a mulher. 

Os corpos são velados desde a madrugada desta quinta-feira (7) na funerária Sturmer, no Centro. Os sepultamentos estão previstos para as 16h no Cemitério Jardim do Éden. 

Família está sendo velada no Centro de Chapecó, no Oeste de SC – Foto: Rodrigo Gonçalves/RICTV

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