Nível do lajeado que abastece Chapecó é o menor dos últimos 11 anos

Atualizado

A barragem do lajeado São José, que abastece a área urbana de Chapecó, está com o menor nível dos últimos 11 anos. O Município decretou situação de emergência por conta da estiagem que castiga a região.

Em Chapecó, nível do lajeado São José bate recorde de 11 anos

O reservatório localizado no bairro Engenho Braun é responsável por abastecer 165 mil economias (apartamentos, casas e outras unidades consumidoras) da área urbana de Chapecó. 

Segundo o Superintendente Regional da Casan Oeste, Daniel Domingues Scharf, a barragem está com apenas 10% da capacidade. “Nunca teve assim, a última vez foi em 2009”, lembra. 

Em razão disso, a companhia opera desde domingo (29) com sistema de rodízio. A noite o fornecimento de água é feito para os bairros Engenho Braun, Jardins, São Cristóvão, Boa Vista, Bom Pastor, Paraíso, São Pedro, Bela Vista, Líder, Vila Real, Esplanada, Monte Belo e Santa Maria. Durante o dia são abastecidos os demais bairros. 

“Não tivemos alternativa a não ser iniciar manobras por áreas da cidade, em forma de rodízio, pois a água não chega com pressão aos bairros mais altos e distantes da estação de tratamento”, explica o engenheiro da Casan, Bruno Comunello Eleotero.

Em Chapecó, nível do lajeado São José bate recorde de 11 anos  – Foto: Reprodução/ND

Casan implanta alternativas

Não chove consistentemente na região há mais de mês, sendo que em janeiro e fevereiro os volumes foram abaixo da média. Em março, choveu somente 20% do previsto para o mês.

A Companhia implantou duas bombas flutuantes para aumentar a capacidade de captação no São José, e está instalando novos equipamentos na captação do lajeado Rio Tigre que irá auxiliar na vazão necessária para o município. Com isso, a captação do local poderá passar de 175 litros por segundo para 400 litros por segundo. 

“Precisamos mais do que nunca da ajuda da população. A água precisa ser reservada para higienização, lavagem das mãos, banhos e roupas, mas não podemos usar mangueiras para lavar casas, pátios, calçadas, entrada de prédios e carros”, diz Scharf.

A Casan também contratou retroescavadeiras para a retirada de terra do reservatório, com a finalidade de ampliar a capacidade de guardar água quando chover.

Em Chapecó, nível do lajeado São José bate recorde de 11 anos – Reprodução/ND 

BRF Chapecó busca água no rio Uruguai 

Desde a segunda-feira (23),  a unidade da BRF Chapecó começou a puxar água do rio Uruguai para manter a produção. 

Em nota enviada ao nd+, a empresa informou que a medida visa “garantir a qualidade e segurança de seus processos”. O nível do lajeado São José, que fica no bairro Engenho Braun e abastece o município, está com apenas 40% da sua capacidade devido à falta de chuva.

BRF Chapecó busca água no rio Uruguai 

A captação de água é feita no porto Goio-Ên, que fica localizado na divisa entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul, a cerca de 20 quilômetros do Centro de Chapecó. O abastecimento é feito com caminhões, porém a empresa não informou o número de veículos usados no processo. 

“Tem objetivo abastecer a unidade fabril e evitar interrupção da produção local”, lembrou a nota da empresa. 

Em Concórdia, no Alto Uruguai, desde fevereiro a unidade da BRF transporta água do lago de Itá para manter a produção da empresa. Ao todo 35 caminhões fazem seis viagens diárias com 38 mil litros cada.

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