Novo prazo: Após atrasos e polêmicas, ponte da Barra da Lagoa será entregue em agosto

Atualizado

Até as 10h desta terça-feira (25) o texto informava que Saula Correa Afonso era integrante do Conselho Comunitário da Barra da Lagoa. No entanto, a entrevistada é apenas moradora do bairro.

Após cinco anos de obras, novos prazos, interdições e polêmicas, a ponte do Canal da Barra, em Florianópolis, ganha mais um capítulo. Segundo a SIE (Secretaria de Estado da Infraestrutura e Mobilidade), a obra que era para ser entregue primeiro em janeiro e depois e julho, só estará pronta no último dia do mês de agosto.

Em nota, o órgão justificou que a necessidade de uma nova data se deve às fortes chuvas de maio. No domingo (23), moradores fecharam a via em um protesto contra as obras na estrutura. A comunidade alega que os erros no projeto dificultam a visualização dos motoristas e ocasionam filas.

Trânsito é caótico na ponte da Barra da Lagoa – WhatsApp Image 2019-06-24 at 14.19.16

Para Saula Correa Afonso, moradora da Barra, o projeto coloca em risco a segurança das pessoas e do meio ambiente. Além disso, o projeto não inclui ciclovia e não acompanha o Plano de Mobilidade Urbana Sustentável da Grande Florianópolis. Um terreno que era usado por turistas, pescadores e comunidade também teria sido desapropriado sem necessidade.

“O projeto já começou errado e os problemas que acontecem hoje são consequência disso. A população acompanha a situação antes mesmo de 2016 e a gente viu muitos erros”, disse.

Leia também:

Por meio de nota, a SIE informou que irá marcar uma reunião com a empresa responsável pela obra para “avaliar as possibilidades de alteração no trânsito da região”. A data do encontro, no entanto, não foi divulgada.

Com início em 2014 e valor inicial de R$ 2.985.408,78, a obra buscava melhorar o trânsito na região e ampliar as entradas para o bairro. No entanto, em 2015 as atividades foram paralisadas por falta de segurança em um dos acessos. Com a lentidão e novos aditivos, a construção está orçada agora em R$ 3.643.215,46 – o que representa acréscimo de 22% nos gastos.

Moradores questionam aterro em APP

Moradores questionam aterramento em área de preservação no entorno da ponte de Barra da Lagoa – Anderson Coelho/ND

Além da reivindicação por um melhor acesso ao bairro, a comunidade da Barra denuncia que a obra aterrou uma APP (Área de Preservação Permanente) sem necessidade. Segundo um estudo feito pelos próprios moradores, a empresa também não teria se preocupado com a preservação das áreas verdes ao redor da estrutura.

“A empresa aterrou o entorno da ponte. Toda essa área é de preservação ambiental. Como deixaram o mato crescer, a obra ficou embaixo da ponte mesmo e não dá para ver”, afirmou Saula.

Em dezembro de 2017, o Ministério Público pediu a demolição da obra após a constatação de que materiais e entulhos estavam sendo depositados às margens da Lagoa da Conceição e do Canal da Barra. A decisão foi acatada pela Justiça Federal, mas revertida em segunda instância, no TRF4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), em Porto Alegre.

Morador questiona obra na ponte da Barra da Lagoa – Anderson Coelho/ND

Para o pedestre e morador da Fortaleza da Barra, José Guilherme da Silveira, ao invés de auxiliar no crescimento sustentável da região, a obra piorou a passagem de pedestres e diminuiu o espaço para ônibus.

“A obra está inacabada, os acessos estão horríveis e os pedestres estão sofrendo muito. Além disso tudo, em relação ao meio ambiente, já houve processo ambiental, pois a obra entrou em área de preservação e manancial, mas o TRF4 aprovou e estão tocando a obra”, completou Silveira.

Questionado sobre a denúncia, o secretário da SIE, Marco Aurélio de Barcelos Silva, não quis comentar. Já a Floram (Fundação Municipal do Meio Ambiente) informou que não há registro de aterro nas imediações da obra. O IMA (Instituto do Meio Ambiente) foi procurado pela reportagem, mas não retornou.

Saída do bairro Fortaleza da Barra não conta com sinalização – Anderson Coelho/ND

Mais conteúdo sobre

Trânsito