Novo vírus no trigo: estudo da Udesc repercute em revista internacional

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Uma pesquisa desenvolvida no Centro de Ciências Agroveterinárias da Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina), em Lages, identificou uma nova espécie de vírus no trigo.

O estudo foi publicado na Plant Pathology, uma das principais revistas do mundo na área de fitopatologia, em dezembro de 2018. Um ano após a publicação, a repercussão se mostrou favorável: segundo a universidade, o trabalho atingiu a marca de artigo mais baixado dentre os publicados de janeiro do mesmo ano a dezembro de 2019.

Publicação é resultado de parceria público-privada, envolvendo vários pesquisadores – Foto: Divulgação/Udesc

De acordo com a detentora dos direitos da revista, a pesquisa ajudou a aumentar a visibilidade da Plant Pathology. O certificado de reconhecimento foi enviado, recentemente, ao orientador do trabalho, o professor Fábio Nascimento da Silva.

A descoberta é fruto do projeto “Análise da população viral e estratégias de manejo para o mosaico comum em trigo no Brasil”. Ele uniu esforços de universidades e empresas de pesquisa públicas e privadas.

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Fábio explica que o artigo foi resultado de dados das dissertações de mestrado de Juliana Borba Valente e Fernando Sartori Pereira. “Os dados da dissertação da Juliana estavam relacionados à caracterização de uma nova espécie viral infectando o trigo no Brasil. Já os dados do Fernando complementaram o artigo no que diz respeito à caracterização do vetor do vírus, o protozoário Polymyxa graminis”.

O que é o estudo

A identificação do vírus é o primeiro resultado divulgado pelo projeto “Análise da população viral e estratégias de manejo para o mosaico comum em trigo no Brasil”, que iniciou em fevereiro de 2018.

De acordo com o professor Fábio, a importância do trabalho está relacionada à caracterização do agente causal da doença. Ela é conhecida, no Brasil, como mosaico comum do trigo. “Por cerca de 40 anos, essa doença foi atribuída a outra espécie viral”, diz.

Os efeitos negativos do mosaico na produção de trigo têm se tornado mais frequentes nas regiões tritícolas da América Latina, especialmente no Sul do Brasil e no Sul do Paraguai.

O pesquisador Douglas Lau, da Embrapa Trigo, que participou dos estudos, explica que a doença pode reduzir a produtividade quando cultivares suscetíveis são semeadas em áreas com inóculo e em condições favoráveis de ambiente.

As plantas com mosaico apresentam amarelecimento, diferentes tons de verde nas folhas e nos colmos e podem ter espigas em tamanho reduzido, limitando o potencial de rendimento do cultivo, podendo registrar perdas de produtividade de 50% nas lavouras.

Novo vírus é relatado em outros dois países

O novo vírus caracterizado no estudo foi, posteriormente, relatado no Paraguai e na África do Sul.

“Por ser uma doença causada por vírus e de difícil controle, a resistência genética é a principal estratégia utilizada”, explica a pesquisadora que identificou o vírus.

Conforme Juliana, agora, é possível mapear os genes de resistência e desenvolver marcadores moleculares para auxiliar na seleção de genótipos resistentes. “Antes desse trabalho não era possível”.

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