Número de casos de Covid-19 aumenta 132% desde a retomada do transporte em Joinville

Atualizado

O número de casos confirmados de coronavírus em Joinville, Norte do Estado, aumenta dia após dia. Com a volta do transporte coletivo, no dia 8 de junho, o salto foi de 132%, saindo de 508 pacientes para 1.179 no último boletim divulgado pela Secretaria de Saúde do município. O número de mortes também cresceu. No dia 8 eram 23 vítimas fatais, nove a menos do que neste dia 24 de junho.

O crescimento significativo preocupa ainda mais quando, em paralelo, a taxa de ocupação das UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) também aumenta em ritmo acelerado. Atualmente, dos 90 leitos exclusivos para o tratamento da Covid-19 na maior cidade de Santa Catarina, – considerando as unidades de saúde públicas e privadas – 56 estão ocupados, o que significa uma taxa de 62%.

A alta no número de casos e na taxa de ocupação motivou, inclusive, o endurecimento das ações na cidade. Em novo decreto, que entra em vigor nesta quinta-feira (25), o município limita a circulação de idosos, proíbe aglomerações em espaços públicos, limita a prática de atividades físicas e de atendimentos em restaurantes e estabelecimentos comerciais.

Apesar de o aumento coincidir com a volta do transporte coletivo, o secretário da saúde, Jean Rodrigues, avalia que o reflexo dessa retomada ainda não foi sentido e atribui o crescimento a ampliação na testagem da população, além da flexibilização do isolamento.

“O que temos sentido é o aumento da circulação das pessoas e isso impacta porque faz o vírus girar. As atividades gerais e a ampliação da testagem em assintomáticos gerou esse aumento de casos. Acredito que, se houver, iremos sentir o impacto do transporte nas próximas semanas”, analisa.

Para o secretário, o inverno traz o desafio de manter o sistema de saúde apto a atender os pacientes. Ele esclarece que Joinville já vive em alerta, uma vez que superou a taxa de 60% de ocupação das UTIs e reforça a importância de seguir as medidas de segurança. “É importante enfatizar que precisamos trabalhar em conjunto. As pessoas precisam fazer a sua parte e, nós estamos avaliando semana a semana, fazendo um controle rigoroso e trabalhando para que o sistema seja capaz de atender a população”, salienta.

“Agora é hora de restringir, não de flexibilizar”

Para o infectologista Luiz Henrique Melo é fundamental que as atenções estejam voltadas a dois pontos principais: monitorização dos casos e ocupação dos leitos. Ele ressalta que essas são as duas variáveis que precisam ser levadas em consideração para a flexibilização e garante “quando flexibiliza em curva ascendente, a tendência é acelerar o processo. Agora é hora de restringir, não de flexibilizar”.

Taxa de ocupação dos leitos de UTI de Joinville está em 62%  – Foto: Divulgação/Prefeitura Municipal de Joinville/ND

Melo afirma que a ampliação na testagem fez com que o município enxergasse com mais nitidez o cenário que se desenvolve na cidade, mas pontua que as ações tomadas podem não ser tão efetivas. Entre a principal medida anunciada no novo decreto, está o isolamento compulsório de idosos e, neste sentido, o infectologista chama a atenção. “Essa é uma estratégia, mas ela é limitada porque essas pessoas moram com outras que podem levar a doença para casa. Então, você só olha parte do problema”, analisa.

Embora admita que o aumento no número de testes seja o principal fator que reflete nos números, o infectologista enxerga o transporte coletivo como um dos pontos que colabora para esse crescimento.

Flexibilização levou população a relaxar medidas de segurança, avalia infectologista

Apesar disso, o principal desafio e problema, destaca o infectologista é o atendimento nas UTIs, onde o tempo médio de permanência de um paciente é de 10 dias. “O aumento da ocupação era esperado, mas é preciso avaliar e estar atento à velocidade de progressão. Esse é um dos indicadores mais importantes”, explica.

Para ele, a flexibilização levou a população a um relaxamento nas medidas de prevenção, o que contribuiu para o crescimento acelerado de casos e consequente necessidade de atendimento médico. “O que temos é um aceleramento que precisa ser freado para tratarmos os pacientes na UTI sem colapso no sistema”, finaliza.

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