“Nunca houve tratamento como esse no parlamento catarinense”, diz presidente da ACI

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O presidente da ACI (Associação Catarinense de Imprensa), Ademir Arnon, afirmou nesta segunda (15), que nunca houve um tratamento à imprensa como o dado pela deputada Ana Caroline Campagnolo, na história do parlamento catarinense.

Da esquerda para a direita: Aderbal Filho (SJ), Ademir Arnon (ACI) e Fernando Rodrigues (Acaert) – Anderson Coelho/ND

A declaração ocorreu durante a entrega do processo de quebra de decoro parlamentar contra a deputada na Assembleia Legislativa. A ação pode resultar em processo disciplinar e a deputada terá de justificar seu comportamento junto à casa legislativa.

“Esse processo é em decorrência do comportamento da referida deputada. Acreditamos que num estado republicano e democrático é inadmissível que a imprensa – que tem cumprido seu papel e é um dos pilares do estado democrático de direito – seja ofendida e tratada da maneira nada republicana como tem sido”, afirmou Arnon.

“Não podemos aceitar que um parlamentar eleito pelo voto democrático e que deveria ser guardião da democracia nos trate com essa intensidade, demonizando e generalizando os profissionais de imprensa”, disse. “Sem a imprensa, não há democracia. E é por isso que nossas entidades – como guardiãs da democracia, tomamos essa atitude, para que o próprio parlamento defina o comportamento da deputada”, conclui.

Outra instituição que assinou o processo foi a Acaert-SC (Associação Catarinense de Rádio e Televisão). De acordo com o advogado da entidade, Fernando Rodrigues, não há expectativa de uma possível cassação de mandato. A representação objetiva instituir o debate sobre a questão no expediente normal da Casa, além de ouvir as razões da deputada sobre o ocorrido. “Com a representação é aberto um processo interno para averiguar o caso de ofensas proferidas pela deputada contra jornalistas e a Casa vai tomar sua decisão sobre o assunto”, explica Rodrigues.

Para o presidente do SJ-SC (Sindicato dos Jornalistas) e representante da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), Aderbal Filho, o tipo de agressão sofrida pelo jornalista catarinense está cerceando a liberdade de imprensa e a livre manifestação de pensamento.

“Essa agressão ao estado democrático de direito está acontecendo local e nacionalmente. Nossa expectativa é que em relação ao caso ocorrido aqui em Santa Catarina haja alguma medida efetiva e concreta da direção da Casa no sentido de apuração, considerando que o que houve foi claramente uma agressão à liberdade de imprensa e ao direito de exercer a profissão. O profissional agiu com todo rigor e ética ao ouvir o outro lado, informando o fato na sua coluna”, avalia Aderbal Filho.

“Entendemos que esse comportamento não é condizente com uma detentora de um mandato parlamentar que supostamente representa o pensamento de uma parcela da população. Mas não acredito que a sociedade catarinense considere que profissionais que exercem essa função fundamental de levar informação à população estejam depondo contra a democracia. Acho que quem cerceia e agride é que está cometendo esse tipo de ação”, avalia o presidente do SJ.

Entenda o caso

Tudo começou quando o colunista do ND, Altair Magagnin, apurava uma reportagem sobre a coincidência do uso de diárias pagas pela Assembleia à deputada Ana Caroline Campagnolo em dias de lançamento do livro de própria autoria, em cidades do interior do Estado.

Cruzando informações da agenda disponibilizada pela própria deputada e do Portal da Transparência do Legislativo, o jornalista apontou pelo menos seis casos de coincidência nas diárias, nas cidades de Chapecó, Criciúma, Fraiburgo, Guaramirim, Itajaí e Itapoá.

A deputada negou que tenha cometido irregularidades e xingou jornalistas durante a apuração da reportagem, a quem chamou de canalhas.

O jornalista Altair Magagnin, pivô do caso, considera o ato de representação contra a parlamentar importante porque demonstra a união e a força da categoria. “A imprensa é um dos pilares da democracia e essa representação significa um pedido de respeito. O mesmo respeito que a sociedade nos cobra, também exigimos no exercício da nossa profissão”, declara.

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