O debate que interessa é sobre a reconstrução do Brasil

Candidatos caricatos, que parecem fugidos de um sanatório, pouco acrescentam à grande responsabilidade representada pela eleição presidencial

Menos alegorias e delírios e mais concentração num projeto de país, progressista e inclusivo - Pixabay
Menos alegorias e delírios e mais concentração num projeto de país, progressista e inclusivo – Pixabay

 Cabo Daciolo, Bolsonaro, Álvaro Dias… O que houve com a política brasileira nos últimos anos? Onde está o legado de Ulysses Guimarães, Leonel Brizola, Mário Covas, Darcy Ribeiro, Tancredo Neves, para citar apenas alguns nomes que se destacaram no campo da luta popular e progressista? Onde foi que nos perdemos, que permitimos a depreciação e o estranhamento como forma do fazer político? Anos e anos de resistência à ditadura civil-militar de 1964, anos e anos de reconstrução democrática, para que chegássemos a este estágio tão deprimente, sombrio e enigmático. O que dizer a um jovem que vai votar pela primeira vez e assiste um debate como o apresentado pela Band na noite de quinta-feira (9/8), sobre o futuro, sobre as perspectivas do país sucateado por Michel Temer et caterva desde 2016, assuntos que sequer entraram na pauta do programa? Justamente dois eixos que mais preocupam os que vivem na civilização e não nas sombras do “sanatório geral” desta campanha presidencial. Ciro Gomes, Marina Silva e Guilherme Boulos são três nomes que se diferenciam, que trazem conteúdo ao debate, com as deficiências e um e de outro, três candidaturas que, no escasso tempo da campanha (pouco mais de 40 dias), ainda podem apresentar um projeto viável de reconstrução do Brasil, algo que posso nos resgatar do abismo em que Temer e companhia nos atiraram. Um projeto que não seja mais do mesmo neoliberalismo tosco e autofágico praticado desde 2016.