O golpe e o trabalhismo

Golpistas incendiaram o Brasil com brados anticomunistas, quando na verdade o golpe de Estado teve o objetivo de apunhalar o trabalhismo getulista, que valorizava políticas de inclusão

Num diálogo recente com o jornalista e historiador Celso Martins, trocamos impressões sobre o golpe de 1964. Militamos em correntes paralelas do movimento estudantil contra a ditadura, desde nossa adolescência até o fim do regime militar, em 1985. Celso, que é pesquisador de reconhecido brilho, observou-me uma questão muito importante, que reproduzo aqui de cabeça: “O golpe de 1964 não foi contra o comunismo, mas contra o trabalhismo”. João Goulart era, de fato, o líder máximo dessa corrente histórica, fundada no Brasil pelo presidente Getúlio Vargas.

Getúlio era chamado de “pai dos pobres”, por causa das suas políticas de inclusão social, que resultaram na criação da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), em vigor até hoje, com as adaptações necessárias. Trago esse recorte à reflexão em vista do que ocorre atualmente nas rodas e redes sociais, fruto de diálogos e afirmações incendiárias e estúpidas, como estas: “Precisamos acabar com o comunismo no Brasil” ou “Comunistas estão destruindo o Brasil”.

Inverdades assim eram comuns no estágio pré-golpe de 1964, indicando um nível de desinformação e maldade que atingia os jornais e as emissoras de rádio. Muitos formadores de opinião, à época, especializaram-se em propagar a mentira. Muitos formadores de opinião, hoje em dia, esmeram-se em divulgar esses bordões desconexos e anacrônicos.

Nem o Brasil vivia um “regime comunista” sob Jango Goulart, nem vive sob Dilma Rousseff. Em ambos os casos, presidentes eleitos de forma legítima pela maioria da população, apoiados por comunistas, socialdemocratas, trabalhistas e liberais. (Jango foi eleito vice de Jânio Quadros, mas a eleição era separada, ou seja, votava-se no vice).

Feitiço do tempo

Magnífica a série iniciada pelo Notícias do Dia no fim de semana, com sequência desta segunda (31) até sexta (4), sobre os 50 anos do golpe militar de 1964, assinalados nesta terça (1). Aliás, a data é um fato curioso: o golpe ocorreu em 1º de abril, o dia da mentira. Por isso, os militares praticaram um “feitiço do tempo”, recuando a referência histórica à dura intervenção armada para o dia anterior.

Primeiras letras

Minha escola em Balneário Camboriú, onde iniciei meus estudos, tinha o nome de Grupo Escolar Presidente João Goulart. Os militares mandaram mudar para Ginásio Normal 20 de Julho (data referente à criação do município). Mais tarde, já na redemocratização, a prefeitura local retomou o nome original, em homenagem ao presidente que tinha casa de veraneio na cidade.

Militância

O movimento estudantil catarinense foi muito forte, a exemplo do que ocorria em outras cidades brasileiras. Dos primeiros tempos, com a Ação Popular, ligada à Igreja Católica, aos tempos mais radicais, com a formação política estimulada por organizações clandestinas de esquerda. Participei do congresso de reconstrução da UNE, em Salvador, no ano de 1979, com outros 30 delegados catarinenses. Lá surgiu uma liderança importante, depois presidente da entidade (1980), Aldo Rebelo, hoje ministro dos Esportes.

Trapaceiros

“Perfis falsos, sabotagens e trapaças tomam a internet em ano eleitoral”. Destaque do jornal O Estado de S. Paulo, no fim de semana. Melhor ficar distante das redes sociais, contaminadas pela indigência intelectual até novembro (ou dezembro, se houver segundo turno).

Dez mais

Uma empresa catarinense está entre as 10 maiores do ramo de supermercados do Brasil. Aliás, é a décima colocada no ranking de faturamento: o grupo Angeloni, de Criciúma. Com 27 lojas, o Angeloni faturou bruto R$ 2,3 bilhões em 2013. É pouco, se comparado ao líder, a Companhia Brasileira de Distribuição (Grupo Pão de Açúcar), de São Paulo, que faturou R$ 64,4 bilhões. Os dados são da Abras (Associação Brasileira de Supermercados).

Orgulho

Por falar em ranking, resgatei da Folha de S. Paulo o ranking das universidades brasileiras referente a 2013. A UFSC apareceu em 7º lugar, com nota 91,7 (a máxima foi 96,89, da USP). No quesito pesquisa, a nossa cinquentenária universidade foi a 6ª, mesma colocação no ensino; 16º lugar no mercado; 9ª em inovação; e 6ª em internacionalização. As outras universidades do Estado não estão entre as 50 melhores.

Bode na 405

Não é piada. A problemática SC-405, estrada para o Sul da Ilha, ganhou a visita de um bode na noite sábado (29). O bicho perdido, que atrapalhava o trânsito, deu trabalho para a Polícia Militar Rodoviária.

Nunca mais

Instituto Paulo Stuart Wright, com patrocínio do Sindicato dos Servidores da Assembleia Legislativa, lança nesta terça (1), às 19h, na Alesc, o livro “Notas de um desaparecido – Paulo Stuart Wright”. Também será reaberta a exposição “Dos filhos deste solo – Vítimas da ditadura”.

Solidariedade

Fazer o bem não faz mal a ninguém: o Lar Recanto do Carinho está precisando com urgência de carrinhos de bebês, roupas de bebês e berços. Doações podem ser levadas à sede da entidade, na rua Rui Barbosa, 810, Agronômica. Informações pelo fone 3228-0024.

Carinho

Um abraço ao juiz aposentado, jurista e escritor João Alfredo Medeiros Vieira, 85 anos, leitor do ND e da coluna, pelas palavras carinhosas enviadas pelo correio eletrônico. Medeiros Vieira gostou da nota “Gramática”, da semana passada, sobre entrevista de uma autoridade da UFSC que conjugava o verbo vir como “vinhessem”, no pretérito imperfeito do subjuntivo. Obrigado, mestre.

Carlos Damião

Irmandade

Como parte da programação da 248ª Procissão de Nosso Senhor dos Passos, mais 27 pessoas ingressaram na Irmandade em cerimônia realizada no domingo (30) pela manhã. Na imagem, os novos e alguns dos mais antigos integrantes da instituição. A procissão acontece neste fim de semana (5 e 6 de abril).

Divulgação André Motta

Academias

Sobre a academia ao ar livre da Praça Alfredo Alberto, em Ingleses, a Fundação Municipal de Transportes esclarece: “Em resposta à nota publicada em sua coluna, informamos que o atraso na instalação se deu por conta de problemas técnicos no processo de galvanização dos equipamentos na sede da empresa responsável pelo processo no estado de São Paulo”.

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De um total de 32 planejadas, até o momento a cidade já tem 22 instaladas. As 10 restantes virão em dois lotes, até 25 de abril. Na imagem, a academia da Lagoa do Peri. 

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