Ô Lalá!

Amor pelo JEC. Lalá já sofreu até princípio de infarto com o time do coração

Fabrício Porto/ND

Uma devoção. Além da camisa do time joinvilense, Lalá mantém uma cena de bar com pôsteres, bandeiras e demais símbolos do time

O título desta reportagem é uma brincadeira com as palavras “ola” e “Lalá”. Todo torcedor do JEC que costuma frequentar o setor M da Arena, a curva azul logo abaixo do placar eletrônico, sabe quem é o Lalá, o bigodudo que costuma puxar a ola. “Sou fanático mesmo pelo JEC, não deixo de ir aos jogos e faço questão de animar a torcida”, admite Lalá, que reúne em torno de si os filhos, os netos e a penca de amigos que fez ao longo dos anos – especialmente os fregueses do seu bar, o Recanto dos Amigos, no Boa Vista onde nasceu e se criou.
Lalá veio ao mundo como Laércio João Borges, no dia 12 de outubro de 1950. “Claro que sou devoto da nossa mãe negra”, avisa, mostrando a imagem de Nossa Senhora Aparecida dominando a cena no bar, entre pôsteres, bandeiras e demais símbolos do JEC – além de alguns do Fluminense e do Palmeiras, seus times no cenário nacional. O apelido, ainda que óbvio, não vem da infância: “Ganhei na Copa de 94, influenciado pela figura do Lalas, zagueiro da seleção dos Estados Unidos”.
De família caxiense, Lalá chegou a socar o gramado dos campos amadores de Joinville, defendendo as cores do Arsenal. Bom de bola ou metido? “Minha canhotinha até que resolvia no meio de campo, armando as jogadas para os atacantes”, admite, sem falsa modéstia.
Profissionalmente, foi bancário de 1970 a 78, trabalhando depois na Tupiniquim – atual Termotécnica – até se aposentar e abrir o bar em frente de casa, na rua São Vicente, no coração do Boa Vista. “A inauguração foi no dia 12 de dezembro de 1998. O Recanto dos Amigos foi uma forma de continuar juntando uma turma que já costumava se reunir em outros lugares, além de reforçar o orçamento.” Lalá pode se dar ao luxo de dispensar grandes esforços de marketing para atrair clientela: “Minha freguesia é formada pelos amigos e por quem é atraído pela propaganda boca-a-boca”. Aberto de terça a domingo, o Recanto só não tem a presença do dono nos dias de jogo do JEC em casa. Aí, quem assume é a esposa Marli.

Ganhei na Copa de 94, influenciado pela figura do Lalas, zagueiro da seleção dos Estados Unidos”.

Coração posto à prova
Lalá não gosta nem de se lembrar do episódio, mas seu coração tricolor foi posto à prova no ano passado. Era 23 de outubro, domingo, dia de enfrentar a Chapecoense pelo Brasileiro da série C. Jogo decisivo, casa cheia, já dentro da Arena, a caminho da arquibancada, Lalá sentiu um ardor no peito. Era um princípio de infarto, que o levou do estádio direto para a UTI do Hospital Regional, onde ficou duas semanas internado. Hoje, 15 quilos a menos e duas pontes mamárias auxiliando as artérias, precisou mudar hábitos e se acostumar aos medicamentos. “Foi um susto, rapaz!”
Otimista mas realista, espera reforços no time para a série B: “A pior coisa é subir e descer no mesmo ano. Acaba com a moral do torcedor. Se quisermos subir para a série A, precisamos buscar reforços de qualidade.”
Além do futebol, Lalá é adepto da pescaria, e há 13 anos organiza a Laloca, competição realizada em Barra do Sul. “É mais uma oportunidade de juntar os amigos”, justifica, mostrando a prateleira cheia de troféus, dele mesmo e de vencedores da Laloca.
Pai dos também jequeanos Fábio, 40 anos, e Jeison, 32, Lalá é avô de Robson, Carolina e Lucas. “Mais a Bia, que chega em maio”, avisa, já prevendo mais um par de braços que um dia estarão na Arena, acompanhando a ola provocada pelo vô.

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