O tamanho da dependência do elenco

Valdir Espinosa lançou esta semana o “desafio dos 12”. Expressão, aliás, criada pelo grupo de jogadores após conversa do treinador, antes do primeiro treino efetivo com bola, na quarta (17).

A ideia é somar 12 pontos nos próximos quatro jogos e ser campeão do turno. Pela ordem, o time terá Internacional (casa), Chapecoense e Criciúma (fora) e Figueirense (casa). Tarefa indigesta, não há dúvida.

Mas como coloquei para alguns colegas aqui na redação, Espinosa age corretamente. Com toda sua bagagem, sabe o peso que a fase atual e a autoestima são capazes de proporcionar.

O crescimento coletivo é evidente, embora alguns atletas necessitem de evolução e afirmação.  

A equipe só não encaixou ainda porque a oscilação individual existe. Poucos conseguiram até aqui manter um padrão linear.

Peu é a exceção (Léo Moura estreou na 3ª rodada e dispensa avaliações nesse sentido – sua presença em campo tem sido imprescindível). Peu tá jogando muito e perguntado sobre o “sacrifício” de atuar improvisado, me disse que não vê problema algum. Quer jogar – e de preferência, ganhar.

Esse pensamento vem de encontro à declaração de Diego Souza, no intervalo de Cruzeiro x Fluminense. “Eu jogo até de volante se precisar. Não importa. Quero mesmo é ganhar, independente da posição”.

Todo o elenco precisa de um jogador assim. Vejo na equipe gente com esse espírito. E é justamente a entrega, o querer algo mais, que tem ajudado na quarta melhor campanha no estadual e de quebra, renovado as esperanças de se chegar a uma inédita final.

Tenho dito também que diante das circunstâncias (trabalho que começou tarde e receita minguada) a campanha – tirando a trágica apresentação contra o Avaí – é boa.

O próprio departamento de Futebol tem pensamento parecido, tanto é que por ora, não vai investir em um centroavante.

Os outros argumentos são a falta de recursos (o principal), a ausência no mercado de um atacante bom, bonito e barato (tem que chegar e resolver) e a preocupação em não desvalorizar os que estão ralando e se doando desde o começo dos trabalhos (geralmente a chegada de um novo jogador cria mal-estar).

Há uma confiança muito grande dentro do clube. Os dirigentes entendem que o time ganhou outra cara após a chegada de Léo Moura. A mudança tática de Espinosa (que até a segunda rodada jogava com dois pontas abertos e desguarnecido no meio) também tem influência nesse atual cenário.

Entendo que o momento é legal e vai ficar ainda melhor se o time vencer o tinhoso Internacional. Mas como sou um cara precavido e desconfiado (por tudo que o Metropolitano já mostrou, ou melhor, deixou de mostrar, na hora H), vou esperar até depois de domingo (21) para avaliar se de fato, esse grupo tem condições de brigar por algo a mais do que a vaga na Série D.

Uso a palavra grupo com frequência para lembrar que sem opções não se chega a lugar algum. Na coluna do último fim de semana me preocupava a possível ausência de alguns jogadores contra o Guarani. No fim, apenas Maurim e Bruno Medeiros não jogaram, e tudo acabou bem, com os três pontos.

Chegamos às vésperas do importante jogo contra o Inter com pelo menos cinco titulares baleados por conta principalmente das lesões musculares.

Maurim e Bruno Medeiros não vão jogar. Léo Moura (desde o começo da semana), Ramon e Peu seguem tratamento intensivo na fisioterapia. Todos são dúvidas embora se acredite que nenhum deles ficará de fora. Beto também saiu do treino desta sexta (19) reclamando de dores.

Agora imagine se na pior das hipóteses essa turma não jogar. Espinosa treinou hoje com Everton, Iago, Luan, Elton e Juninho (Thiago Ryan também foi testado). José Lucas, Pink, Diego Souza e Harrison. Rafinha e Beto (Matheus de Paula).

Não desmerecendo ninguém, mas essa formação causa um certo calafrio, principalmente quanto a sua criatividade e ofensividade. Harrison e Rafinha teriam de estar muito inspirados. 

De qualquer maneira, como as coisas parecem estar conspirando a favor, melhor acreditar na recuperação de todos. Daqui a pouco (pode ser domingo), esse time terá de mostrar até onde vai a sua (in) dependência. 

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