O triste fim de Carlos Alberto, o divertido “homem do chifre”

Icônico personagem urbano sofria com a dependência química há mais de cinco anos

Numa esquina da cidade, registro de 28 de junho de 2006 - Carlos Damião
Numa esquina da cidade, registro de 28 de junho de 2006 – Carlos Damião

Carlos Alberto, o “homem do chifre” (ou “do megafone”) foi um personagem urbano icônico de Florianópolis e de Balneário Camboriú. Tornou-se uma figura de referência, transitando com facilidade pelas principais ruas das duas cidades, vivendo basicamente dos “bordejos” que aplicava no comércio e em políticos. Comentava fatos do dia em alto e bom som, muitas vezes contrariando a própria lógica dos acontecimentos (misturava personagens e situações). Mas era um símbolo da comunicação das ruas e curtia uma de personalidade psicodélica ou tropicalista, com suas fantasias que destoavam do ritmo da cidade normal.

Há cinco anos, a caminho da participação em uma banca na Estácio, parei num supermercado do Jardim Atlântico para lanchar. Carlos Alberto estava num canto, caído, à espera da ajuda dos funcionários do estabelecimento, que o levavam com relativa frequência até a pensão em que morava. Segundo me explicaram, ele sofria com as consequências da dependência química, em especial de álcool, cocaína e crack. De lá para cá só piorou, praticamente se arrastava pelas ruas e já não tinha forças para dar seu recado no megafone.

Morreu aos 59 anos, numa clínica de Barra Velha, nesta quarta-feira, 20/9. Miserável, doente, sem familiares por perto, ele encerrou seu ciclo terreno no mais completo abandono – e deve ser enterrado como indigente. Logo ele, quase um personagem de circo, que divertiu tanta gente ao longo de tanto tempo.

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