Obra de alargamento de faixa de areia de Canasvieiras pode terminar antes do final do ano

No início da semana, a draga holandesa Elby voltou aos trabalhos na obra de alargamento de 2,3 quilômetros de extensão da faixa de areia da Praia de Canavieiras, no Norte da Ilha. Mais do que voltar aos trabalhos, a embarcação trouxe a esperança para autoridades e comunidade de que a obra possa ser finalizada antes do final do ano, sem causar mais transtornos na região, impactada com o início da temporada e o movimento de turistas.

Canto esquerdo já tem um quilômetro de faixa alargada. Foto: Gabriel Lain

A previsão inicial, de término no dia 22 de dezembro, foi abandonada depois que a draga Elby sofreu uma avaria no casco. A embarcação teve que ser deslocada para reparo no Rio de Janeiro e retornou na última segunda-feira (9).  “Foi uma pena. A draga ficou sete dias parada por causa do rombo no casco. Esse tipo de acidente pode acontecer mesmo”, comentou o  secretário municipal de Infraestrutura, Valter Gallina.

Obras de alargamento da praia de Canasvieiras continuam em ritmo acelerado

Porém, na última quarta-feira, a mesma draga bateu o recorde de volume de areia transportada em um dia, e atualmente, cerca de um quilômetro de extensão já foram alargados. “Foram transportados 14 mil metros cúbicos, enquanto antes não havíamos superado a marca dos 10 mil metros cúbicos”, relata Gallina.

Circunstâncias técnicas contribuíram para a quebra do recorde. A primeira é que a obra  avançou um quilômetro e a distância entre a jazida e a tubulação que leva a areia até a beira da praia é menor, possibilitando mais viagens por dia. A segunda é que a jazida já está a quatro metros de profundidade, aumentando o calado da embarcação, que assim consegue carregar um maior volume sem a ameaça de encalhar. A terceira é a profundidade da orla. “O canto esquerdo é mais profundo e exigia um maior volume de areia”, explica Gallina.

Draga Elby voltou a operar segunda-feira (9). Foto: Gabriel Lain/ND

Diante do recorde e do trabalho incessante durante 24 horas, o secretário municipal de Infraestrutura tem a expectativa de que a obra possa ser concluída sem causar maiores transtornos para a alta temporada, que se inicia neste domingo (15). ´”É uma obra pioneira e complexa. Mas estamos esperançosos de que possa ser entregue ainda este ano. Até domingo, a obra já terá passado por 90% dos hotéis e pousadas da Canasvieiras”, afirma.  Até lá, o único dia que não haverá atividade será no dia 25 de dezembro, por conta do Natal.

Moradores e turista acompanham as obras. Fotp: Gabriel Lain/ND

Avanço acaba com críticas e gera elogios

O avanço da obra e a possibilidade de ver o resultado dela derrubaram a maioria das críticas feitas na primeira semana das atividades, quando poucos acreditavam que prazo inicial de conclusão (22 de dezembro) seria cumprido.  Atualmente, os  moradores se mostram mais compreensivos e pacientes com a intervenção na orla.

Os trabalhadores autônomos Pedro da Costa Leite e Narbal Pinheiro estiveram no final da rua das Flores para acompanhar o trabalho realizado por tratores e retroescavadeiras para espalhar a areia na orla.  Eles aprovaram a obra. “´Vai ser show de bola quando ficar pronto. Tomara que não pare (durante as festas). Pelo menos é o que estão falando”, relatou Leite, que mora em Canasvieiras há 25 anos.  “Não tinha praia para a virada do ano. Agora vai ter”, completou Pinheiro.

Turista de Maringa (PR), Neide Niimi alugou um quarto em uma pousada de frente para o mar, mas foi surpreendida pela presença das máquinas em frente ao estabelecimento. “Me sinto um tanto prejudicada, pois meu objetivo era estar em frente a praia”, relatou. Por outro lado, Neide já tinha visitado Canasvieiras em outras duas oportunidades, quando se deparou com uma faixa de areia muito pequena. “Era necessário. Como vou ficar 10 dias acho que ainda vou pegar a praia nova. Também gosto dessa situação de ter praia e comércio no mesmo local”, explicou, compreendendo a situação.

Reginaldo e Caroline apontam problemas decorrentes da obra. Foto: Gabriel Lain/ND

O turista argentino Nestor Salinas ficou impressionado com o ritmo da obra. “Estou olhando para ver se há uma rotação de motoristas, porque as máquinas não param”, contou. Residente em Santa Fé, Salinas veio pela primeira vez para Santa Catarina e veio conhecer Canasvieiras por indicação do filho, que já esteve na praia do Norte da Ilha. “Aqui é muito bom. A água é quente e não tem muitas ondas. Estou nos Ingleses e lá tinha muitas ondas”, comparou.

Mas a obra não é unanimidade entre os moradores. O agrônomo Reginaldo Anaissi Costa e a bióloga Caroline Possebon Anaissi questionam a intervenção. Costa relata que a obra corrige um erro provocado pela ocupação imobiliária e que os interesses políticos e comerciais se sobrepõem aos interesses ambiental e social. “É necessário que se informe mais a população sobre as ações mitigadoras da obra”, exige.

Como bióloga, Caroline tem percebido mudanças na região já alargada.  “Antes da obra, todo final de tarde tínhamos gaivotas e outros pássaros por aqui, mas agora desapareceram. Além disso, a areia está cheia de cascas de conchas que trouxeram mais moscas para a beira da praia”, afirma. Outra situação levantada pelo casal é a falta de estrutura de Canasvieiras para receber mais turistas a partir do alargamento. “A visão positiva da obra é só daqueles que têm comércio. O ser humano precisa se colocar como parte do meio ambiente”, completa Caroline.

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