Obra de engordamento de faixa de areia em Canasvieiras é atração para moradores e turistas

Moradores e turistas observam a chegada da draga. Foto: Anderson Coelho/ND

A inédita obra de engordamento de areia que promete devolver uma faixa de areia de até 50 metros em Canasvieiras nem completou uma semana e já virou atração. Todos os dias, desde que a draga começou a operar, moradores e turistas se aproximam do início do local da obra, na ponta dos Morretes, para acompanhar os trabalhos e fazer previsões.

Morador de Canasvieiras, o autônomo Luiz Carlos Madeira tem visitado a obra diariamente. “Acho que daqui uns 15 dias já vamos poder ver algo”, declarou, já que a prometida bancada de areia de 50 metros ainda está imperceptível. Pai de uma oceanógrafa, Madeira revela otimista com a futura ampliação da faixa de areia de 10 para até 50 metros. “Negócio é torcer para que a obra dê certo”, afirmou.

“Na expectativa”, Pedro Mastrantônio visita local de manhã e à tarde. Foto: Anderson Coelho/ND

Curiosos, os moradores também chegam ao local, devidamente isolado, municiados de informações sobre a obra. “Cada viagem da draga traz 50 caçambas de caminhão de areia”, informa o aposentado César Augusto Füllgras. Fiscal não vai faltar para a obra, que deverá ser concluída até 20 de dezembro, conforme previsão da Prefeitura de Florianópolis. O engenheiro aposentado Pedro Mastrantonio visita o local de manhã e à tarde. “Estamos na expectativa para saber se os prazos serão cumpridos. Cada um que chega aqui tem uma opinião”, relatou Mastrantonio.

Moradores de Porto Alegre, Germano e Clair Garcia estenderam a caminhada na praia para acompanhar a operacão de descarga de areia feita pela draga com auxílio de um rebocador. “Vai ser uma boa porque no verão a faixa de areia é bem concorrida. Tanto que nos últimos anos a gente nem tem vindo em janeiro”, explica Germano, proprietário de um apartamento no balneário do Norte da Ilha.

Luis Carlos Madeira (E) e os irmãos Carlos Alberto (C) e Cesar Augusto Fullgras (D) estão otimistas com a obra. Foto: Anderson Coelho/ND 

Moradores de Canasvieiras há cinco anos, os gaúchos Rubens Barbiaro, Ioná Steinert e Billy Barbiaro já sabem até os horários de descarga da draga. Ontem, chegaram a levar cadeiras para observar a operação com maior conforto. “Parece meio lenta a obra”, opinou Rubens. O argentino Pedro Perez também não acredita que o prazo de 20 de dezembro seja cumprido diante do atual ritmo. “A obra não andou nem 100 metros e já se passaram oito dias. É só fazer a conta para os dois quilômetros de faixa de areia”, argumentou.

Areia é despejada com água em um dique na beira da praia. Foto: Anderson Coelho/ND

Diretor da Acif (Associação Comercial Industrial de Florianópolis) e do Codeni (Conselho de Desenvolvimento do Norte da Ilha), Simoney do Nascimento acompanha a obra desde o lançamento do projeto e não concorda com as opiniões de populares. “Fizemos várias reuniões para apresentar o projeto e a maior participação que tivemos foi de cerca de 30 pessoas. Uma pena que o pessoal fica agourando, mas vai dar certo”, apostou.

Draga já depositou 50 mil metros cúbicos

Com capacidade para carregar mais de mil metros cúbicos de areia, a draga Volzee começou a operar há apenas cinco dias e já descarregou cerca de 50 mil metros cúbicos, após a realização de seis viagens por dia. Especialista em dragagem, a empresa DTA Engenharia opera atualmente em uma área de 250 metros na ponta dos Morretes, lado oeste da praia de Canasvieiras.

Presidente da DTA Engenharia, João Acácio Gomes Oliveira acompanhou os trabalhos. Foto: Anderson Coelho/ND

Nesta terça-feira, os trabalhos foram acompanhados pelo presidente da DTA Engenharia, João Acácio Gomes de Oliveira. Por questão contratual, Oliveira não pode prestar informações sobre a obra, pois a comunicação é de responsabilidade da Prefeitura de Florianópolis. Porém, ao ser questionado por moradores, Oliveira revelou que “eventualmente” uma segunda draga pode ser trazida para agilizar o trabalho, embora tecnicamente, a atual draga seja suficiente para executar o projeto no prazo previsto.

Em entrevista para o Balanço Geral da RIC TV, o secretário municipal de Infraestrutura Valter Gallina falou sobre a possibilidade de uma segunda draga auxiliar na obra, uma vez que a dragagem começou mais de uma semana após o início dos trabalhos em terra. “Temos um prazo exíguo, até o dia 22 de dezembro, e queremos recuperar esses 10 dias de atraso. Por isso fizemos um apelo para a empresa para trazer uma segunda draga, porque queremos ter a certeza de que o trabalho será concluído até o prazo”, informou.

Cada operação de carga e descarga de areia dura em torno de quatro horas. Foto: Anderson Coelho

Como funciona:

1 – Draga retira areia de jazida de 32 mil metros quadrados localizada distante 1,4 quilômetros da orla. A areia é sugada por bombas e o processo dura em torno de duas horas.

2 – A draga do tipo “hopper” se desloca para a beira da praia com auxílio de um rebocador. O deslocamento tem duração de aproximadamente 30 minutos.

3 – Já na beira da praia, a draga é acoplada a tubulação. O processo até que a areia comece a ser depositada na beira de praia em área escavada por máquinas leva em torno de 30 minutos.

4- Como a areia vem acompanhada de água, um dique é construído na beira da praia para reter a areia, enquanto a água retorna para o mar.  O trabalho é concluído após cerca de uma hora.

5 – A draga trabalha 24 horas e realiza em torno de seis viagens diárias.

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