Obra emergencial ameniza em 5% impactos da estiagem na Grande Florianópolis

Atualizado

A estiagem que afeta a distribuição de água na Grande Florianópolis foi tema da coletiva de imprensa promovida pela Casan (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento), na manhã desta terça-feira (13). A companhia destacou a gravidade do período e salientou que o volume de chuvas está 55% abaixo do normal. O dado é com base em levantamento da Epagri/Ciram.

Com o objetivo de amenizar as consequências da estiagem que afeta o Sistema Integrado de Abastecimento da Região Metropolitana, cujo abastecimento é feito pelos rios Cubatão e Pilões, uma obra emergencial foi colocada em prática.

Casan esclareceu questões sobre o abastecimento de água na Grande Florianópolis – Rosane Lima/Arquivo/ND

Segundo a Casan, três bombas foram instaladas no rio Cubatão para transportar água até o rio Pilões, que é o mais afetado pela estiagem, com volume 35% abaixo do normal. O intuito é aumentar o nível de água bruta nessa estação que, em períodos normais, conta com abastecimento de 2,1 mil litros de água por segundo. Hoje, está com 1,2 mil litros por segundo.

Conforme o engenheiro Joel Horstmann, que atua na Superintendência Regional da Companhia, houve melhoria de 5% no abastecimento, que representa uma ampliação de 360 litros/segundo na captação de água que é distribuída no Sistema Integrado.

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“Temos uma expectativa de melhora. Adquirimos três conjuntos de moto-bombas novas que vão jogar água do rio Cubatão para outra adutora do rio Pilões. Assim, a capacidade de transporte vai aumentar”, explicou Horstmann.

Técnicos da Casan instalaram uma bomba no rio Cubatão para reforçar abastecimento – Flávio Tin/ND

Regiões afetadas

O sistema integrado abrange cinco municípios: Santo Amaro da Imperatriz, Palhoça, São José, Biguaçu, a região Continental de Florianópolis e a parte da Ilha que vai do Cacupé ao Carianos. O sistema conta com 28 reservatórios.

Sobre as regiões mais afetadas pela estiagem, o engenheiro destacou que todo o sistema é monitorado 24 horas por dia. Porém, em áreas localizadas no fim da rede de distribuição e em pontos mais elevados, há mais dificuldade de a água chegar.

Sendo assim, os bairros mais atingidos em São José, segundo ele, são Barreiros, Serraria, Potecas e Forquilha. Em Biguaçu, os bairros mais afetados são Três Riachos, Vendaval, Boa Vista e Saudade.

Os engenheiros da Casan Joel Horstmann e Fábio Krieger participaram da coletiva de imprensa na manhã desta terça-feira – Bruna Stroisch/ND

Em Florianópolis, há problemas pontuais no bairro Monte Cristo. No entanto, segundo a Casan, se trata de uma região pequena que fica quase na cota do reservatório. A bacia do Itacorubi também foi afetada, pois se localiza no fim da rede de distribuição de água. Nas partes altas do Pantanal, Córrego Grande e Serrinha, há períodos de intermitência durante o dia.

O Norte da Ilha não foi atingido pela estiagem, pois o sistema de abastecimento dessa região não está relacionado ao rio Pilões ou ao Cubatão. “A presença de caminhões-pipa no Norte da Ilha é em decorrência de outros problemas, não estiagem. O aquífero dos Ingleses não só abastece toda a área, como está reforçando os bairros Saco Grande, João Paulo, Monte Verde, Cacupé, Sambaqui e Santo Antônio de Lisboa”, justificou a Casan.

Volume de chuvas abaixo do previsto

A Casan informou que é normal o baixo índice de chuva entre outono e inverno – de abril a agosto. Porém, o volume de precipitação deste ano está ainda menor do que o previsto.

Com relação ao temporal que atingiu Florianópolis na madrugada desta terça-feira (13), a companhia comentou que não houve nenhuma alteração na situação das estações de distribuição. “A chuva caiu em regiões pontuais e o volume dos reservatórios segue o mesmo.”

Perdas na distribuição de água

Em três anos, de 2015 a 2017, o índice de perda de água aumentou em 10%, saiu dos 36% para 43%. A alteração foi maior que a média de Santa Catarina (37%) e do Brasil (38%).

Segundo o professor da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) Ramon Lucas Dalsasso, as ocorrências de falta de água na Grande Florianópolis poderiam ser amenizadas ou até mesmo eliminadas se não houvesse tantas perdas no percurso da água entre sistema integrado e os consumidores.

Para a Casan, as perdas físicas oscilam de 28% a 30%, índice que está dentro do aceitável tecnicamente e da média brasileira. “Nós já temos um programa interno de monitoramento e estamos investindo na instalação de equipamentos de supervisão. Além disso, há o desenvolvimento de um projeto de combate às perdas nos 195 municípios que fazem parte da concessão”, disse o diretor de Operação e Expansão, engenheiro Fábio Krieger.

Plano para o verão

Segundo Krieger, há previsão de investimentos de mais de R$ 6 milhões em sistemas de abastecimento de água para o período da alta temporada 2019 em Florianópolis.

“Para a próxima temporada, temos um conjunto de medidas como a manutenção de moto-bombas para o recalque de água, limpeza das tubulações, instalação de dispositivos para o controle da pressão e o assentamento de adutoras suplementares”, garantiu o engenheiro.

A companhia também promete disponibilizar geradores e caminhões-pipa caso ocorram quedas de energia e problemas no abastecimento.

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