Obras de balneabilidade na Beira-Mar Norte devem terminar em dezembro, em Florianópolis

As obras físicas – que incluem a instalação de uma rede de drenagem e estação de tratamento – para despoluição da baía da avenida Beira-Mar Norte, em Florianópolis, devem terminar até 31 de dezembro deste ano, segundo estimativas da Casan (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento). Conforme a instituição, os trabalhos seguem dentro do cronograma.

Das 16 estruturas, nove já foram colocadas e outras sete devem ser instaladas até o dia 5 de dezembro - Marco Santiago/Arquivo/ND
Das 16 estruturas, nove já foram colocadas e outras sete devem ser instaladas até o dia 5 de dezembro – Marco Santiago/Arquivo/ND

A fase atual prevê uma rede de drenagem que interliga 16 pontos formados por megaestruturas de concreto com válvulas do tipo “bico de pato” que irão impedir que a água do mar entre no sistema quando houver maré alta e também redirecionarão a água da rede coletora para a estação de tratamento, chamada URA (Unidade de Recuperação Ambiental).

Das 16 estruturas, nove já foram colocadas e outras sete devem ser instaladas até o dia 5 de dezembro, aproximadamente. Nos locais onde os equipamentos foram instalados, as calçadas estão sendo refeitas, junto com atividades de ajardinamento.

Já a unidade de tratamento está sendo pré-fabricada pela empresa Fast, em Capinzal, no Oeste de Santa Catarina, devendo ser montada junto ao bolsão da Casan, na Beira-Mar Norte, nas primeiras semanas de dezembro. Ela vai receber a água contaminada com sujeira das ruas e esgoto clandestino que é carregada pelos canais de drenagem da chuva em direção à baía. O líquido contaminado será bombeado até a URA para que seja tratado e clarificado com raios ultravioleta antes de ser devolvido ao mar.

A pré-operação do sistema, no entanto, deve começar em janeiro de 2019, quando deverão ser feitos os primeiros testes dos equipamentos e ajustes, no caso de ocorrência de vazamentos. A expectativa do órgão é que após cerca de 40 dias em funcionamento, com ajuda do sol, da água salina e das correntes marítimas, a qualidade da água comece a apresentar melhoras no índice de contaminação.

Balneabilidade será testada pela IMA

A estatal destaca que são 60 anos de poluição e isso não se recupera em questão de um mês. Por se tratar de uma baía, onde não há ocorrência de ondas fortes e as correntes são mais calmas, podem levar aguns meses para que os níveis de balneabilidade sejam alcançados junto à areia. A uma distância de cerca de 200 metros da orla, a água já seria própria para banho, pois o sol e o sal acabam matando as bactérias poluidoras (especialmente a Escherichia coli).

Quem faz a medição é o IMA (Instituto do Meio Ambiente do Estado de Santa Catarina, antiga Fatma), de acordo com os parâmetros estabelecidos pela Resolução Conama nº 274/2000. A resolução estabelece que um local é considerado próprio para banho quando em 80% ou mais de um conjunto de amostras coletadas em cinco semanas consecutivas no mesmo local (portanto quatro das cinco amostras), houver no máximo 800 Escherichia coli por 100 mililitros de água.

Por outro lado, o ponto é considerado impróprio para os banhistas quando em mais de 20% de um conjunto de amostras coletadas nas últimas cinco semanas anteriores, no mesmo local, for superior a 800 Escherichia coli por 100 mililitros ou quando, na última coleta, o resultado for superior a 2000 Escherichia coli por 100 mililitros.

Expectativas da população

Enquanto a obra segue, moradores de Florianópolis “pagam para ver” a eficiência do sistema. Para o adestrador Gabriel Dias, que costuma caminhar com cachorros regularmente pelo calçadão da avenida, toda obra traz transtornos, mas o mais importante é alcançar o objetivo que é despoluir a baía. “Se depois de tudo isso ainda houver contaminação por esgoto a obra será um desperdício de dinheiro, igual à ponte Hercílio Luz”, comenta.

Wender Firmino, morador local, concorda e diz que a obra “é boa em teoria, mas tem que limpar a baía mesmo” para fazer valer o investimento. Ele também criticou a recuperação das calçadas, destacando o ponto em que uma caixa de inspeção fica exatamente na linha do piso tátil para deficientes visuais.

As obras iniciadas no mês de março estão orçadas em pouco mais de R$17 milhões. O projeto tem como objetivo tornar balneável a água da baía Norte ao longo do trecho de 3,5 quilômetros, entre a Guarnição de Buscas e Salvamento do Corpo de Bombeiros, nas proximidades da Ponte Hercílio Luz, e a Ponta do Coral.

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