Obras do Parque Urbano e Marina da Beira-Mar Norte podem começar em 2020

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Após mais de dois anos de debates e ajustes, o projeto do Parque Urbano e Marina da Beira-Mar Norte parece estar caminhando para o desfecho esperado, sua implantação. Entretanto, as obras só devem começar no final de 2020, segundo estimativas da prefeitura de Florianópolis.

Início das obras do parque urbano e marina da Beira-mar Norte está previsto para o final de 2020 – Divulgação/ND

De acordo com o prefeito Gean Loureiro (sem partido), o edital de licitação deve ser publicado imediatamente após a deliberação do TCE (Tribunal de Contas do Estado), o que deve acontecer no começo de agosto. “Como a licitação é internacional, o edital deve tramitar por 90 dias, então esperamos assinar o contrato até o final deste ano. Depois vem o processo de licenciamento ambiental, então as obras devem começar efetivamente no final de 2020”, disse o prefeito.

Gean Loureiro apresentou os principais aspectos do edital de licitação na tarde desta terça-feira (2) a instituições do setor náutico e autoridades políticas. Entre os detalhes, ele revelou que o projeto original previa que a empresa (ou grupo) vencedora da licitação apresentasse o menor prazo de concessão. Agora, a proposta vencedora será a que apresentar o maior valor de outorga, com lance mínimo de R$ 2 milhões, e o prazo de concessão foi fixado em 30 anos.

“O que nos interessa é que o investidor tenha know how e capacidade para realizar o projeto do início ao fim”, afirmou Loureiro. Além disso, o mesmo CNPJ pode aparecer apenas uma vez e o capital social mínimo do investidor ou grupo deve ser de R$ 20 milhões. A área total é de 440 mil metros quadrados, com o máximo de 40% em aterro e o licenciamento ambiental fica a cargo do IMA (Instituto do Meio Ambiente).

Prefeito Gean Loureiro apresenta detalhes do edital da Marina na Beira-mar Norte – Anderson Coelho/ND

O prefeito também destacou que os objetivos do projeto são fortalecer o comércio, hotelaria, serviços e gastronomia da cidade; promover a integração de modais de transporte; atender a uma demanda reprimida por atrações durante todo o ano e incrementar o turismo com novos equipamentos.

Zoneamento costeiro

Representantes dos pescadores artesanais da orla da Beira-Mar Norte questionaram sobre os prejuízos que a marina poderia causar à atividade, já que os barcos não ficarão atracados o tempo todo, se deslocando para o Norte ou o Sul da Ilha, interferindo nas correntes marítimas e na vida marinha.

Entretanto, isso não deve ocorrer já que a área a ser ocupada pelo parque e pela marina fica entre o bolsão da Casan até o trapiche da Beira-mar Norte. “A pesca é realizada mais à direita e não haverá interação. Serão previstas ainda as raias para esportes náuticos, como remo e canoa havaiana”, disse o prefeito, que sugeriu uma reunião com os pescadores para esclarecer as dúvidas.

Para o capitão dos Portos do Estado de Santa Catarina, Alexandre Lopes Vianna de Souza, o problema se resolve com o zoneamento costeiro, definindo o percurso e local por onde as lanchas poderão passar. Segundo o prefeito, esse ordenamento já está em estudo.

Pescadores questionam o prefeito Gean Loureiro sobre o projeto da marina – Anderson Coelho/ND

Transformação urbana, social e econômica

Como toda obra de grande porte, a expectativa em torno do parque urbano e da marina é grande. “É um projeto que vai provocar uma transformação urbana, social e econômica em Florianópolis”, afirma Zena Becker, coordenadora do Movimento Floripa Sustentável e conselheira da Associação FloripAmanhã.

Na opinião dela, a obra vai ligar os diferentes modais de transporte, além de ser um grande produto turístico que trará novas oportunidades de emprego e renda na forma de arrecadação de impostos. “Cada embarcação gera em torno de quatro empregos diretos e oito indiretos e já pensamos em oferecer capacitação para que as populações de baixa renda possam ocupar esses postos de trabalho”, afirma.

Já o secretário municipal de Turismo e Desenvolvimento Econômico, Juliano Richter Pires, destacou que o turista terá uma nova visão da cidade, com a entrega do novo aeroporto, a volta do uso da Ponte Hercílio Luz e o Parque urbano e Marina da Beira-mar Norte. “Esses novos equipamentos vão diversificar o turismo e o projeto da Beira-mar Norte vai tirar Florianópolis da inércia das PPPs [Parceria Público-Privadas]”, afirmou.

“Não temos um teatro cinco estrelas nem um ginásio que possa receber eventos esportivos internacionais e a prefeitura ou o Estado podem até construir, mas não conseguem manter tais estruturas, por isso a importância da iniciativa privada”, destacou. Juliano disse que pelo menos oito grupos de investidores procuraram a prefeitura recentemente, mas mais de 40 países já teriam manifestado interesse na licitação.

A mesma expectativa positiva foi manifestada pelo diretor de Relações Públicas e Eventos da CDL de Florianópolis, Célio Salles. “A marina terá efeitos diretos na geração de empregos, mas também na melhoria da qualidade de vida das pessoas com a implantação conjunta do parque urbano. Mas o mais importante é que a cidade volte a assumir sua vocação náutica”, afirmou.

Desejo antigo

Antes mesmo de o projeto tomar forma, o Grupo RIC contratou um escritório de engenharia e urbanismo, em 2016, para elaborar o estudo de uma marina na cidade. A ideia foi apresentada ao então prefeito Cesar Souza Júnior, que fez os encaminhamentos necessários, mas o projeto não se concretizou.

O plano atual prevê um parque urbano de 123 mil metros quadrados e uma marina privada com espaço para 624 embarcações e 60 vagas públicas. “A marina é fundamental para a projeção que queremos para a cidade e ajuda no enfrentamento da mobilidade, além de resgatar a relação de Florianópolis com o mar”, disse o prefeito.

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