Oh dia… Oh azar…

Crônica de Roberto Szabunia lembra como a dublagem pode ajudar ou estragar uma produção

Não vai dar certo, Lippy…

Quem falava assim era Hardy, a hiena companheira de Lippy, o leão. Lippy the Lion and Hardy Har Har era um dos meus desenhos animados preferidos na infância. Era um dos mais populares da safra dos anos 60 dos estúdios Hanna Barbera. Eram animações extremamente simples, sem efeitos especiais, com pouco movimento, planos repetidos e, naqueles idos, em preto e branco.

Do mesmo estúdio vinham o gorila Maguila, o jacaré Wally Gator, a tartaruga Touché e seu inseparável ajudante Dum Dum, o coelho xerife Ricochete e o auxiliar Blau Blau, o urso polar Matraca Trica e tantos outros. Assistíamos diversas vezes aos mesmos episódios, sem nunca enjoar. Ocasionalmente passava algum especial, tipo uma história mais longa, com Jambo e Ruivão.

Em ritmo de aventura tínhamos Johnny Quest, Scooby Doo, Space Ghost, Frankenstein Junior, Os Impossíveis, Batfino e Karatê, Super Mouse…

Depois, adulto, acompanhava meu filho assistindo a He Man. Só que a safra de cartoons dos anos 80 foi fraquinha, e as crianças preferiam os seriados japoneses como o ninja Jiraya e a equipe Power Rangers. Meu último contato com desenhos animados já tem uns quinze anos, quando minha filha era criança e curtia alguma coisa tipo Meninas Superpoderosas, Johnny Bravo, o Laboratório do Dexter e o melhor de todos, Bob Esponja.

Essas lembranças vieram-me à memória há uns dias, lendo matéria na Veja sobre dublagem. Ali diz que todo filme lançado nos cinemas, há alguns anos, vem nas versões legendada e dublada, pois o público tem demonstrado preferência pelo falar dublado. Particularmente, prefiro a versão original, com legendas. Um filme dublado perde, na minha opinião, parte da originalidade. Afinal, a obra foi concebida num determinado idioma, a linguagem faz parte do contexto. Acho esquisitíssimo ouvir 007 dizendo algo como “…o que u faj pensah que é minha primeira veij?”. Ou chamando seu bólido de “Ajton Mahtin” (pronuncie com o agá aspirado). Seja quem for o intérprete, todos são britânicos, com o sotaque característico inglês, escocês ou galês. Não dá pra engolir Connery,  Brosnan ou Craig largando um “…faij meijmu”.

Bem, o leitor já deve ter percebido que, além de preferir som original e legendas, também detesto dublagem em “carioquês”. Veja bem: nada contra o falar carioca; só não concordo em torná-lo o idioma oficial do Brasil, como a principal emissora de TV carioca vem tentando. O país é muito grande, tem uma variedade imensa de falares e costumes, e o Rio de Janeiro é uma cidade com suas próprias características – com as quais nem todos se identificam.

Voltando aos desenhos animados, gosto de rever os antigos (assim como as séries de aventuras). Nestes casos, prefiro as versões dubladas, pois me acostumei a elas. São as antigas dublagens da AIC São Paulo, com sotaque paulista, o erre carregado e todas as letras bem pronunciadas.

Legenda ou dublagem? Cada um assiste do jeito que prefere. Felizmente as distribuidoras de cinema e os canais fechados de TV oferecem as duas opções. Liberdade de opção é o que vale. Como diria o Maguila, “…certo, sr. Peebles?”.